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por Ângelo Peixoto


Carburador, injeção, injeção direta:
a evolução e as diferenças


Quais as principais diferenças entre o carburador, carburador eletrônico, injeção eletrônica (multi-point e single-point) e injeção direta? Li em matéria do site que, para maior economia de combustível, aceleração a fundo com o giro baixo. Isso também é válido para carros a álcool e carburados? Parabéns pelo incrível sucesso e por esmagar toda a mídia impressa "especializada".

Ricardo José Martins
kirdon@ig.com.br
São Paulo, SP

O carburador sempre foi o principal componente do sistema de alimentação, que trabalha formando a mistura ar-combustível nas proporções requeridas pelas diversas condições de funcionamento do motor. Com as maiores exigências governamentais a respeito de emissões poluentes, muita tecnologia foi empregada no carburador para dar uma sobrevida ao equipamento.

Motor GDI do Mitsubishi Carisma, primeiro a gasolina com injeção eletrônica direta

A princípio, foram desenvolvidos sistemas de controle de dirigibilidade e de poluentes, mecânicos e pneumáticos, como o cut-off, corte da alimentação de marcha-lenta sob freio-motor, e o dash-pot, retardador de fechamento da borboleta de aceleração. No primeiro caso, para diminuir as emissões de hidrocarbonetos (HC); no segundo, de óxidos de nitrogênio (NO e NO2).

Na impossibilidade de atingir os limites de emissões cada vez mais baixos, houve a necessidade do implantar a eletrônica ao sistema. Surgiram os primeiros carburadores eletrônicos. Providos de módulo de controle e acessórios eletromecânicos e eletropneumáticos, passaram a ter um melhor controle da marcha-lenta, partida a frio, abertura do segundo estágio, desacelerações, etc.

A injeção veio para aposentar definitivamente o carburador. Com o uso da eletrônica é possível dosar a mistura ar-combustível, ponto a ponto, em todos os regimes de trabalho do motor, além de permitir desacelerações e retomadas suaves, sem os indesejáveis "buracos" (imperfeições de progressão), impossíveis de se retirar com carburador num ambiente de limites baixos de emissões.

As injeções single-point ou monoponto possuem um único injetor, instalado no corpo da borboleta. Seu trabalho não é muito diferente do carburador: faz a mistura na entrada do coletor de admissão -- mas com maior precisão e mistura mais homogênea, pois a válvula de injeção age de acordo com o programa escrito no módulo eletrônico de comando.

Com a injeção multi-point ou multiponto, que adota um injetor para cada cilindro, instalados próximos às válvulas de admissão, é possível um ganho da ordem de 15% em torque e potência. Isto é possível pois a mistura passa a ocorrer praticamente na entrada das válvulas de admissão, não se condensando pelo caminho. Aliado a um coletor de admissão redimensionado, o fluxo de ar -- menos denso por não estar misturado com o combustível -- ganha velocidade e o motor atinge uma eficiência volumétrica maior.

A injeção multiponto ainda pode ou não ser seqüencial, em que cada cilindro recebe a mistura no momento adequado, em função da ordem de ignição. Nos sistemas não-seqüenciais a injeção dá-se simultaneamente em todos os cilindros, o que não é o ideal. Mas há casos, como o Corsa, em que a injeção ocorre ao mesmo tempo em dois cilindros, sendo por isso chamadas de semi-seqüenciais.

A injeção multiponto é normalmente indicada por siglas como Mi, MPI (multi-point injection) e MPFI (multi-point fuel injection), mas há fabricantes -- como a Ford -- que utilizam para esse tipo a sigla EFI (electronic fuel injection), em geral associada a injeção monoponto. A GM escolheu SFI (sequential fuel injection) para seus sistemas sequenciais, já que toda injeção, para ser seqüencial, precisa ser multiponto.

Já a injeção direta ganha aos poucos utilização em motores ciclo Otto (gasolina e, no caso do Brasil, também álcool), tendo sido o Mitsubishi Carisma o primeiro modelo a utilizá-la. Já fartamente empregada nos motores ciclo Diesel, consiste em injeção a alta pressão por bicos que, instalados diretamente nas câmaras de combustão, pulverizam o combustível. As vantagens estão na turbulência criada dentro da câmara de combustão, podendo o motor trabalhar com taxas de compressão maiores, retirando um melhor desempenho sem a ocorrência da detonação.

Quanto à última dúvida, sobre a situção de menor consumo, é válida para qualquer motor do ciclo Otto e de quatro tempos, não importando qual o sistema de alimentação ou o combustível empregados.


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