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Vazão do carburador: por que não
é informada e como calcular a ideal


Todas as publicações americanas especializadas em mecânica e preparação costumam, ao se referir a carburadores, classificá-los e descrevê-los de acordo com sua capacidade de vazão em cfm, fato que, infelizmente, não ocorre nas publicações brasileiras, inclusive no extraordinário BCWS. Esta lamentável falha, contudo, creio ser fruto apenas e tão somente de eventual desatenção, jamais do desconhecimento dos redatores e articulistas desta sensacional publicação que a cada dia se torna mais indispensável.

Minhas dúvidas: 1) quais as capacidades aproximadas de vazão dos seguintes carburadores (o leitor enviou lista de 19 tipos)? 2) a alteração do diâmetro dos venturis modifica a capacidade de vazão do carburador ou tal somente ocorre em caso de modificação no diâmetro do "canhão"? 3) qual a fórmula para cálculo da capacidade teórica de vazão do carburador a partir do diâmetro do "canhão" e do diâmetro do venturi? 4) qual a fórmula para cálculo da capacidade teórica de vazão de borboletas necessária para o funcionamento ideal de um motor, em função de sua rotação, para ênfase em economia e em performance, tanto em condições de aspiração natural, quanto em condições de sobrealimentação por turbocompressor e por blower?

Aproveito a oportunidade, outrossim, para destacar que realizei testes de economia e constatei que o método WOT é, de fato, um método eficiente para reduzir o consumo de combustível, porém, tenho a ousadia de observar que algumas considerações devem ser feitas (...). Remeto-lhe meus protestos de profunda estima e apreço, desejando-lhe todo o sucesso que a vida reserva aos ousados!

André Filipe Messa Mallmann
Santo Ângelo, RS
afmm@via-rs.net

Caro André, não se trata de falha ou desatenção deixar de especificar vazão de carburadores no Brasil. Ocorre que o nosso universo de preparadores está mais voltado para o automobilismo europeu, em que os regulamentos especificam os limites em diâmetros das passagens, seja carburador ou injeção. Os americanos pensam mais em vazão, como pés cúbicos por minuto, conforme o sistema inglês de medidas ainda muito adotado por lá (e aqui também em alguns setores -- ninguém fala, por exemplo, em monitor de 35,5 cm, mas de 14 polegadas). Por exemplo, numa dada categoria o regulamento pode especificar que o carburador pode ser de, no máximo, tantos pés/min.

Para nós não há razão para passar a falar em vazão de carburador, uma grandeza que perderia o sentido aqui. Por isso mesmo é que não temos a menor idéia da vazão da lista de carburadores contida em sua mensagem. Alguns preparadores hão de tê-las, mas nessa competitiva atividade tal informação é reservada, pois cada um tratou de descobri-las por medição, não cabendo revelá-la. Um eventual contato com o fabricante do carburador pode resolver a questão.

2) Os difusores, como toda restrição, influenciam a vazão de ar. Existe uma relação entre diâmetros de difusor e carburador, em que o primeiro deve ser 4/5 do segundo, mas o preparador pode mudar essa relação para obter determinados efeitos, como reduzi-lo para obter potência em rotação mais baixa. O cálculo do tamanho do carburador é relativamente simples, bastando considerar a cilindrada do motor e a rotação-objetivo. Por exemplo, num motor de 302 pol3 que se pretenda fazer girar a 6.000 rpm, converte-se pol3 para pé3, divide-se a cilindrada por dois (de cada giro do virabrequim só um aspira) e multiplica-se pela rotação (em 1 minuto).

Assim: 302 / 2 = 151 x 0,0005787 = 0,0874 pé3, que x 6.000 dá 524 pé3/min.

Só que dificilmente o motor consegue aspirar com eficiência maior que 80%, portanto um carburador de 524 x 0,80 = 420 pé3/min atende a essa necessidade particular. Só que a coisa toda não se resume ao carburador ou corpo de borboleta. O controle de admissão e escapamento precisa ser alterado para que o cabeçote deixe passar mais ar. Entram aí os diâmetros das válvulas, as características da árvore de comando (duração e levantamento), diâmetro e forma dos dutos do cabeçote.

Já pôde o leitor notar que o assunto é bastante complexo, possui inúmeras variáveis e não pode ser ensinado, de maneira acadêmica, numa revista ou site, além de interessar a um grupo muito restrito de leitores. Todas as vazões podem ser calculadas tomando por base o cálculo acima. No caso de superalimentação, é preciso saber do fabricante qual a vazão máxima dos dispositivos e dimensionar o resto do motor de acordo. Saiba que todo esse conhecimento pertence a umas poucas pessoas no mundo, que estudam, experimentam, erram -- enfim, permanecem num incessante aprendizado.

Quanto às considerações sobre a utilização de alta carga e baixa rotação, suas experiências corroboram o que vem sendo dito pelo BCWS em diversas ocasiões, ou seja, obtém-se de fato maior economia de combustível. De resto, nada há acrescentar de útil para o motorista, razão pela qual omitimos seu longo comentário a respeito. Não existe dificuldade em dirigir dessa maneira. Saiba, por questão de precisão, que não existe pressão de aspiração quanto esta for atmosférica, mas depressão.

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Data de publicação: 25/1/03

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