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Caro André, não se trata de falha ou
desatenção deixar de especificar vazão de carburadores no Brasil. Ocorre que o nosso universo de preparadores está mais voltado para o automobilismo europeu, em que os regulamentos especificam os limites em diâmetros das passagens, seja carburador ou injeção. Os americanos pensam mais em vazão, como pés cúbicos por minuto, conforme o sistema inglês de medidas ainda muito adotado por lá
(e aqui também em alguns setores -- ninguém fala, por exemplo, em monitor de 35,5 cm, mas de 14
polegadas). Por exemplo, numa dada categoria o regulamento pode especificar que o carburador pode ser de, no máximo, tantos pés/min.
Para nós não há razão para passar a falar em vazão de carburador, uma grandeza que perderia o sentido aqui. Por isso mesmo é que não temos a menor idéia da vazão
da lista de carburadores contida em sua mensagem. Alguns preparadores hão de tê-las, mas nessa competitiva atividade tal informação é reservada, pois cada um tratou de descobri-las por medição, não cabendo revelá-la. Um eventual contato com o fabricante do carburador pode resolver a questão.
2) Os difusores, como toda restrição, influenciam a vazão de ar. Existe uma relação entre diâmetros de difusor e carburador, em que o primeiro deve ser 4/5 do segundo, mas o preparador pode mudar essa relação para obter determinados efeitos, como reduzi-lo para obter potência em rotação mais baixa. O cálculo do tamanho do carburador é relativamente simples,
bastando considerar a cilindrada do motor e a rotação-objetivo. Por exemplo, num motor
de 302 pol3 que se pretenda fazer girar a 6.000 rpm, converte-se pol3 para pé3, divide-se a cilindrada por dois (de cada giro do virabrequim só um aspira) e
multiplica-se pela rotação (em 1 minuto).
Assim: 302 / 2 = 151 x 0,0005787 = 0,0874 pé3, que x 6.000 dá 524 pé3/min.
Só que dificilmente o motor consegue aspirar com eficiência maior que 80%, portanto um carburador de 524 x 0,80 = 420 pé3/min atende a essa necessidade particular. Só que a coisa toda não se resume ao carburador ou corpo de borboleta. O controle de admissão e escapamento precisa ser alterado para que o cabeçote deixe passar mais ar. Entram aí
os diâmetros das válvulas, as características da árvore de comando (duração e levantamento), diâmetro e forma dos dutos do cabeçote.
Já pôde o leitor notar que o assunto é bastante complexo, possui inúmeras variáveis e não pode ser ensinado, de maneira acadêmica, numa revista ou site, além de interessar a um grupo muito restrito de leitores. Todas as vazões podem ser calculadas tomando por base o cálculo acima. No caso de superalimentação, é preciso saber do fabricante qual a vazão máxima dos dispositivos e dimensionar o resto do motor de acordo. Saiba que todo esse
conhecimento pertence a umas poucas pessoas no mundo, que estudam,
experimentam, erram -- enfim, permanecem num incessante aprendizado.
Quanto às considerações sobre a utilização de alta carga e baixa rotação, suas experiências
corroboram o que vem sendo dito pelo BCWS em diversas ocasiões, ou seja, obtém-se
de fato maior economia de combustível. De resto, nada há acrescentar de útil para o motorista,
razão pela qual omitimos seu longo comentário a respeito. Não existe dificuldade em dirigir dessa maneira.
Saiba, por questão de precisão, que não existe pressão de aspiração quanto esta for atmosférica, mas depressão.
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