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Não há dúvida de que
o CHT tinha suas virtudes, Matheus. Era um motor econômico, de bom
torque em baixas rotações, relativamente silencioso e durável,
desde que respeitadas suas limitações. No Gol 1000 e no Escort
Hobby, apesar dos modestos 50 cv, surpreendia pelo funcionamento suave
e pela aptidão para altos regimes, mesmo com o comando no bloco.
No
caso do primeiro Escort XR3 (foto), porém, a situação era distinta.
O CHT 1,6 a álcool, com um ligeiro "veneno" em válvulas,
dutos de admissão de maior diâmetro, comando de válvulas,
carburador e curva de ignição, chegava a 82,9 cv a 5.600 rpm, com o
torque máximo passando para 12,8 m.kgf ao alto regime de 4.000 rpm.
Com isso, além do desempenho insatisfatório para um esportivo (máxima
de 165 km/h e aceleração de 0 a 100 km/h em 14 s), o motor
tornava-se fraco em baixas rotações, eliminando uma das qualidades
da versão "comportada".
Vale observar que o AP da época (o primeiro em 1986) atingia 90 cv
com álcool e 80 cv com gasolina. A versão a gasolina com injeção
monoponto, de 1995 e 1996, é que ficava em 75 cv, tendo havido perda
em relação ao carburado, que a VW compensaria na linha 1997. Com
injeção multiponto (Mi), o AP 1,6 passava a 89 cv, sem apresentar a
fraqueza em baixa e o comportamento irregular do XR3 de 86 cv.
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