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por Fabrício Samahá 

Mesmo bloco, diferentes cilindradas


Já fiz tantos elogios ao BCWS que não sei mais o que dizer. Motores de diferentes cilindradas podem utilizar o mesmo bloco do motor? Faço esta pergunta por ter ouvido falar que a diferença entre o FIASA 1.0 e 1.5 é o diâmetro e curso dos pistões. Se isto é verdade, como isto afeta a potência e torque do veículo? Seria possível "transformar" um FIASA 1.0 em um 1.5 ou um valor intermediário?

Alexandre Roberto Marchetti de Abreu
São Paulo, SP
amarchetti@sti.com.br

O expediente de usar o mesmo bloco em motores de diversas cilindradas é bastante comum. Como exemplo, a GM trabalha com a Família 1 (Corsa, de 1,0, 1,4 e 1,6 litro, sendo o 1,4 destinado apenas a exportação) e a Família 2 (que começou com o Monza 1,6 e hoje inclui versões 1,8, 2,0, 2,2 e 2,4, este no S10 e Blazer). A distância entre os centros dos cilindros é a mesma dentro de cada família, ainda que o diâmetro dos cilindros e o curso dos pistões sejam modificados.

No caso da Fiat o aproveitamento é ainda maior: do 1,0 ao 1,5 litro, passando pelas extintas versões de 1,05 e 1,3 litro, a linha Fiasa (motor nacional que equipou as linhas 147 e Uno, permanecendo no Mille, Palio Young e Fiorino), o diâmetro dos cilindros é o mesmo para todos, 76 mm. Fica fácil perceber que, para ganhar cerca de 50% em cilindrada do menor ao maior, o curso dos pistões precisa crescer bastante: vai de 54,8 mm (no 1,0) a 82,5 mm (no 1,5, que não deve ser confundido com o motor Sevel argentino de mesma cilindrada). Em conseqüência, o Fiasa 1,0 é um motor superquadrado, ou de curso curto, e o 1,5 um subquadrado ou de curso longo. O que isso implica?

Motores de curso longo tendem a obter funcionamento suave, bom torque em baixas rotações e combustão mais completa, pois o percurso da frente de chama no momento da queima é menor e as perdas de calor diminuem -- com benefícios ao consumo e emissões de poluentes. No entanto, se o comprimento das bielas não for adequado ao longo curso, o motor pode conseguir relação r/l desfavorável, o que resulta em vibrações e aspereza. Esse inconveniente era claro nos primeiros Fiasas 1,5, mas foi bastante reduzido quando de sua adoção no Palio.

O caso oposto, motor de curso curto ou superquadrado, é a solução preferida em propulsores esportivos. Permite um motor mais baixo, virabrequim mais leve e compacto, bielas mais curtas e leves e mais espaço para as válvulas na câmara de combustão (pois os cilindros devem ter maior diâmetro para chegar à mesma cilindrada), além de menor velocidade média dos pistões. Disso resultam maior potência em altos regimes, facilidade para subir de giros, suavidade de funcionamento em altas rotações e tendência a maior durabilidade nessas condições de uso.

Compromisso intermediário pode ser obtido com diâmetro e curso iguais ou equivalentes, no chamado motor quadrado: é o caso dos 2,0-litros a gasolina da GM, da Peugeot/Citroën e também do motor diesel Mazda que equipa Tracker e Grand Vitara: todos possuem exatos 86 mm em ambas as medidas.

O aumento de cilindrada a partir do mesmo bloco pode ser efetuado, mas muitos componentes terão de ser substituídos ou modificados, como virabrequim, bielas e -- em alguns casos -- pistões e válvulas. O fabricante pode também ter efetuado alterações no comando de válvulas, cárter e outros elementos, sem falar nos sistemas de injeção e ignição.

Mudando-se a cilindrada, o veículo deve receber nova documentação e, se deixou de ser 1,0, será preciso pagar a diferença de impostos que incidiu no momento da compra. Por tudo isso, parece ser bem mais interessante economicamente trocar o motor completo ou mesmo o carro por um de maior cilindrada "de fábrica".

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