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O expediente de usar o
mesmo bloco em motores de diversas cilindradas é bastante comum. Como
exemplo, a GM trabalha com a Família 1 (Corsa, de 1,0, 1,4 e 1,6
litro, sendo o 1,4 destinado apenas a exportação) e a Família 2
(que começou com o Monza 1,6 e hoje inclui versões 1,8, 2,0, 2,2 e
2,4, este no
S10 e Blazer). A distância entre os centros dos cilindros é a mesma
dentro de cada família, ainda que o diâmetro dos cilindros e o curso
dos pistões sejam modificados.
No caso da Fiat o aproveitamento é ainda maior: do 1,0 ao 1,5 litro,
passando pelas extintas versões de 1,05 e 1,3 litro, a linha Fiasa
(motor nacional que equipou as linhas 147 e Uno, permanecendo no
Mille, Palio Young e Fiorino), o diâmetro dos cilindros é o mesmo
para todos, 76 mm. Fica fácil perceber que, para ganhar cerca de 50%
em cilindrada do menor ao maior, o curso dos pistões precisa crescer
bastante: vai de 54,8 mm (no 1,0) a 82,5 mm (no 1,5, que não deve ser
confundido com o motor Sevel argentino de mesma cilindrada). Em
conseqüência, o Fiasa 1,0 é um motor superquadrado, ou de curso
curto, e o 1,5 um subquadrado ou de curso longo. O que isso implica?
Motores de curso longo tendem a obter funcionamento suave, bom torque
em baixas rotações e combustão mais completa, pois o percurso da
frente de chama no momento da queima é menor e as perdas de calor
diminuem -- com benefícios ao consumo e emissões de poluentes. No
entanto, se o comprimento das bielas não for adequado ao longo curso,
o motor pode conseguir relação r/l
desfavorável, o que resulta em vibrações e aspereza. Esse
inconveniente era claro nos primeiros Fiasas 1,5, mas foi bastante
reduzido quando de sua adoção no Palio.
O caso oposto, motor de curso curto ou superquadrado, é a solução
preferida em propulsores esportivos. Permite um motor mais baixo,
virabrequim mais leve e compacto, bielas mais curtas e leves e mais
espaço para as válvulas na câmara de combustão (pois os cilindros
devem ter maior diâmetro para chegar à mesma cilindrada), além de
menor velocidade média dos pistões. Disso resultam maior potência
em altos regimes, facilidade para subir de giros, suavidade de
funcionamento em altas rotações e tendência a maior durabilidade
nessas condições de uso.
Compromisso intermediário pode ser obtido com diâmetro e curso
iguais ou equivalentes, no chamado motor quadrado: é o caso dos
2,0-litros a gasolina da GM, da Peugeot/Citroën e também do motor
diesel Mazda que equipa Tracker e Grand Vitara: todos possuem exatos
86 mm em ambas as medidas.
O aumento de cilindrada a partir do mesmo bloco pode ser efetuado, mas
muitos componentes terão de ser substituídos ou modificados, como
virabrequim, bielas e -- em alguns casos -- pistões e válvulas. O
fabricante pode também ter efetuado alterações no comando de
válvulas, cárter e outros elementos, sem falar nos sistemas de
injeção e ignição.
Mudando-se a cilindrada, o veículo deve receber nova documentação
e, se deixou de ser 1,0, será preciso pagar a diferença de impostos
que incidiu no momento da compra. Por tudo isso, parece ser bem mais
interessante economicamente trocar o motor completo ou mesmo o carro
por um de maior cilindrada "de fábrica".
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