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Vamos por partes. Em
primeiro lugar, a medida de pneus: 225 mm de banda de rodagem e 19 pol
de aro (rodas maiores pesam mais) são um tanto exagerados para um
motor de 101 cv como o de seu Golf. A medida 225/30-19 resulta em
diâmetro total 3% menor que o dos originais 175/80-14, o que ajuda a
recuperar em parte a agilidade através do encurtamento da transmissão.
Para manter essa largura e aro, melhor seria usar 225/35-19, que
aumenta o diâmetro em apenas 0,7%.
Preparar o motor para compensar as rodas mais pesadas e pneus mais
largos pode ser um bom recurso, mas tem suas limitações. As
acelerações em baixa rotação, como pequenos movimentos no trânsito,
serão sempre prejudicadas porque nesses regimes a preparação traz
ganho pouco expressivo -- mesmo um turbo calibrado para operar em
baixa rotação. Se for uma preparação aspirada, pior ainda, já que o
torque se desloca para regimes mais elevados: é melhor deixar o motor
original.
Finalmente, vamos à questão principal, que é a contestação do mecânico
a nossa receita de preparação com turbo. Desfeito o equívoco de
coletores -- o de admissão é que é de material plástico, não o de
escapamento --, cabe a velha regra de que não existe problema sem
solução.
O aquecimento do cofre do motor ou de peças plásticas próximas à
turbina ou ao coletor de escapamento pode ser evitado com o uso de
mantas térmicas envolvendo as partes quentes. O emprego destas mantas
é também benéfico do ponto de vista termodinâmico, já que evita perdas
de temperatura do fluido que está cedendo energia para a turbina,
aumentando a eficiência do ciclo.
O maior inimigo de coletores de plástico em preparação é, na verdade,
o óxido nitroso. Por se tornar muito frio quando injetado, ele gera um
choque térmico no coletor quando montado em
configuração de coletor úmido, sendo que os coletores em plástico
não costumam suportar isso por muito tempo, apresentando trincas. A
solução neste caso é a montagem na configuração de injeção direta ou
coletor seco, na qual os injetores de nitro ficam posicionados direto
na entrada do cabeçote, poupando o coletor do choque térmico.
Também pode-se revestir externamente o coletor com material composto,
do tipo resina e fibra-de-vidro, reforçando-o e evitando as trincas em
alguns tipos de coletor. Pode-se ainda mudar o posição do injetor,
colocando-o mais distante da entrada do coletor, o que reduz os ganhos
de potência devido ao resfriamento do ar admitido e causa pequena
demora na resposta do sistema, mas minimiza os efeitos do choque
térmico, podendo contornar o problema em certos casos.
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