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por Fabrício Samahá e Iran Cartaxo

Golf: a preparação com
coletor de plástico


Quero parabenizar o site pela riqueza de detalhes e informações, estão de parabéns! Tenho um Golf 1.6 e gostaria de colocar nele um jogo de rodas aro 19, com pneus 225/30, mas estou receoso de seu rendimento cair muito, ficar com aquela sensação de "carro amarrado". Com os resultados das receitas para o Golf no site, me empolguei a instalar uma turbina para resolver o problema das rodas.

Procurei um profissional e fui informado de que não haveria condições para isso, ele me alertou que o carro corre sério risco de aquecer muito e por possuir algumas peças de plástico, como coletor de escape e outros. Achei até um tanto estranho, já que o coletor seria substituído para alojar a turbina. Gostaria de saber se a receita aspirada já resolveria o meu problema, já que não quero o carro para correr, só não quero perder rendimento com o novo jogo de rodas, e saber até que ponto o mecânico está certo, em qual fundamento ele se baseou.

Eduardo Costa Ferreira
Taguatinga, DF
edu-df@o2.com.br

Vamos por partes. Em primeiro lugar, a medida de pneus: 225 mm de banda de rodagem e 19 pol de aro (rodas maiores pesam mais) são um tanto exagerados para um motor de 101 cv como o de seu Golf. A medida 225/30-19 resulta em diâmetro total 3% menor que o dos originais 175/80-14, o que ajuda a recuperar em parte a agilidade através do encurtamento da transmissão. Para manter essa largura e aro, melhor seria usar 225/35-19, que aumenta o diâmetro em apenas 0,7%.

Preparar o motor para compensar as rodas mais pesadas e pneus mais largos pode ser um bom recurso, mas tem suas limitações. As acelerações em baixa rotação, como pequenos movimentos no trânsito, serão sempre prejudicadas porque nesses regimes a preparação traz ganho pouco expressivo -- mesmo um turbo calibrado para operar em baixa rotação. Se for uma preparação aspirada, pior ainda, já que o torque se desloca para regimes mais elevados: é melhor deixar o motor original.

Finalmente, vamos à questão principal, que é a contestação do mecânico a nossa receita de preparação com turbo. Desfeito o equívoco de coletores -- o de admissão é que é de material plástico, não o de escapamento --, cabe a velha regra de que não existe problema sem solução.

O aquecimento do cofre do motor ou de peças plásticas próximas à turbina ou ao coletor de escapamento pode ser evitado com o uso de mantas térmicas envolvendo as partes quentes. O emprego destas mantas é também benéfico do ponto de vista termodinâmico, já que evita perdas de temperatura do fluido que está cedendo energia para a turbina, aumentando a eficiência do ciclo.

O maior inimigo de coletores de plástico em preparação é, na verdade, o óxido nitroso. Por se tornar muito frio quando injetado, ele gera um choque térmico no coletor quando montado em configuração de coletor úmido, sendo que os coletores em plástico não costumam suportar isso por muito tempo, apresentando trincas. A solução neste caso é a montagem na configuração de injeção direta ou coletor seco, na qual os injetores de nitro ficam posicionados direto na entrada do cabeçote, poupando o coletor do choque térmico.

Também pode-se revestir externamente o coletor com material composto, do tipo resina e fibra-de-vidro, reforçando-o e evitando as trincas em alguns tipos de coletor. Pode-se ainda mudar o posição do injetor, colocando-o mais distante da entrada do coletor, o que reduz os ganhos de potência devido ao resfriamento do ar admitido e causa pequena demora na resposta do sistema, mas minimiza os efeitos do choque térmico, podendo contornar o problema em certos casos.

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Data de publicação: 20/5/03

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