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por Fabrício Samahá 

Compressor e turbo: mesmo
princípio, acionamentos diversos


Como funcionam e quais as diferenças entre o compressor mecânico (como no caso do novo Fiesta) e o turbocompressor (como no caso do Gol Turbo)? O BCWS é o melhor site sobre automóveis, pois é muito completo, tem matérias, testes, consultório de dúvidas, wallpapers, etc. Parabéns.

André Luís Canteiro Castro
Marília, SP
andrecanteiro@hotmail.com

Para entender o que diferencia estes sistemas, vamos primeiro ao que eles têm em comum. O que caracteriza um motor superalimentado é que o ar é forçado para dentro dos cilindros, em vez de apenas aspirado pelo movimento dos pistões -- a chamada aspiração natural. Isso é feito pelo compressor, componente que equipa ambos os sistemas.

O turbocompressor e o compressor de acionamento mecânico (seus nomes completos) distinguem-se pelo modo como esse compressor é acionado. No turbo, a pressão dos gases de escapamento faz girar uma turbina, cujo movimento é transmitido por um eixo ao compressor -- este o verdadeiro responsável pela sobrepressão, ao contrário do que muitos acreditam.

Já no sistema de compressor mecânico, introduzido na produção brasileira de automóveis pelo Fiesta Supercharger (foto), o compressor é acionado por ligação mecânica (em geral correia) com o virabrequim. Como não depende da pressão dos gases de escapamento, o sistema entra em ação já em marcha-lenta, evitando o retardo de atuação (turbo lag) que foi por muito tempo o ponto crítico do turbo. Este, porém, evoluiu muito e hoje o retardo é mínimo em alguns motores, como o do Gol Turbo.

Uma desvantagem do compressor mecânico é a perda mecânica com o acelerador fechado ou pouco aberto: ao contrário do turbo, ele permanece ativo -- gerando aumento de consumo -- nestas condições, além de "amarrar" um pouco o motor. Alguns fabricantes adotam polia com cubo eletromagnético, que desativa o sistema quando ele não é conveniente. Mesmo assim, seu rendimento máximo é menor, como se observa pela potência dos motores: 95 cv no Fiesta, 112 cv no Gol, ou 17,8% a mais.

Por outro lado, o compressor trabalha em baixa rotação (em geral duas vezes a do virabrequim, como no Fiesta e nos Mercedes Kompressor), enquanto o turbo chega a atingir 150.000 rpm. Um efeito disso é que o motor turbo não deve ser desligado logo após o trabalho do sistema: ao parar a circulação de óleo, o lubrificante em torno da turbina tende a "fritar", prejudicando sua durabilidade a da própria turbina. Recomenda-se manter o motor em marcha-lenta por um a dois minutos.

O compressor mecânico é também mais simples: sua pressão se autolimita, sendo desnecessária a válvula de alívio do motor turbo. Tudo isso o torna mais barato, sendo o trunfo da Ford para oferecer um motor superalimentado de 95 cv a um preço interessante (R$ 2.000 a menos) diante do 1,6-litro de aspiração natural e 98 cv -- beneficiada, é claro, pela alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados de 10% para motores 1,0, contra 25% para os de maior cilindrada.

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Data de publicação deste artigo: 15/6/02

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