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por Fabrício Samahá 

"Banguela" ou marcha engatada,
como economizar nas descidas


Li sobre a dúvida do cut-off de outro leitor e gostaria de fazer alguns comentários. Tenho um Tempra com computador de bordo e por curiosidade já fiz testes de cut-off e banguela também. Concordo com o outro leitor que a banguela realmente é mais econômica que usando o cut-off. É fato que o cut-off só funciona como freio-motor, pois em baixas rotações volta a alimentação. Com o carro engatado, para funcionar o cut-off ele deve estar funcionando como freio-motor, portanto reduzindo a velocidade do carro. Isso não acontece na banguela.

Exemplo: numa descida, com o carro engatado, haverá redução da velocidade, mesmo com consumo zero de combustível. Essa perda de velocidade é maior que o consumo do carro em ponto-morto, em que com o aumento da velocidade chegará num ponto mais alto da subida sem consumo de combustível. Quando se usa o cut-off, logo no início da subida ou mesmo antes já tem que se acelerar (que é quando o consumo aumenta drasticamente, como visto no computador de bordo). Ou seja, o carro do outro leitor não tem problema nenhum, realmente a banguela economiza mais do que engatado.

Eric Petroucic
Ribeirão Preto, SP
comprador49@zipmail.com.br

Não se pode generalizar, Eric: há situações em que o uso da "banguela" (ponto-morto com o carro em velocidade) pode trazer ligeira economia, como há condições em que manter uma marcha engatada é o modo de obter menor consumo médio. O leitor refere-se a um teste específico, podendo-se efetuar facilmente outros que indicariam o contrário.

Na última marcha o efeito de freio-motor é desprezível, em que a velocidade não cai numa descida, como o leitor pondera. Eventual diminuição ocorre mais por questão de resistência aerodinâmica, que também influi ao usar o ponto-morto. Até em serras modernas como a Imigrantes, com sua declividade de apenas 6%, é preciso usar freio em quinta para se manter no limite legal de 80 km/h, apesar do freio-motor. E em rodovias encontram-se subidas e descidas com bem mais de 6%.

Deixando de lado a pequena economia que se poderia obter, no entanto, vamos analisar as desvantagens da "banguela".

O motor funcionando em marcha-lenta pode apagar (morrer) por qualquer motivo, interrompendo a assistência da direção (se houver) e do freio (embora o servo-freio funcione até o esgotamento da câmara de vácuo, em uma frenagem de emergência essa reserva pode ser insuficiente, tornando o pedal bem mais pesado). Lembre-se de que uma direção assistida, com o motor desligado, requer muito maior esforço que uma sem assistência.

Outro risco é o de se precisar retomar velocidade rapidamente por alguma razão, como ao ser surpreendido por um caminhão descendo muito rápido em sua direção. Nem todo motorista tem a rápida percepção da marcha a ser utilizada, podendo selecionar uma inadequada por estar em ponto-morto. Tanto pode optar por uma marcha muito longa, que não trará a resposta necessária ao acelerador, como uma muito curta, levando o motor a excesso de rotações — há carros nacionais que não chegam a 100 km/h em terceira, por exemplo, como o Celta 2003.

De resto, permanece válido o argumento de que a "banguela" pode levar a uso intensivo dos freios — algo que o motorista consciente evitaria utilizando-a apenas em trechos livres, sem curvas ou tráfego intenso, mas nem todos têm esse discernimento. E freios utilizados intensivamente podem superaquecer, perdendo eficiência (o chamado fading), sem falar no consumo de material de atrito que pode ser evitado.

Como se vê, há razões o bastante para que a "banguela", proibida por lei, seja mesmo banida de nossas estradas. Agora, que alguns carros nacionais deveriam ter câmbio mais longo, para evitar o freio-motor excessivo e baixar o consumo e o nível de ruído, não resta dúvida (saiba mais).

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Data de publicação: 31/5/03

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