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A dúvida dos leitores
procede: sempre ouvimos e lemos, inclusive em publicações que se
dizem especializadas, que acelerar mais a fundo -- mesmo que em
rotação mais baixa -- provoca aumento do consumo. Mas é preciso
deixar claros alguns conceitos.
A borboleta de aceleração controla a admissão de ar pelo motor:
quanto mais aberta, maior o fluxo; mais fechada, cria-se uma
resistência e a admissão diminui. Esta resistência, que gera o
efeito de freio-motor quando se corta a aceleração, provoca as
chamadas perdas por bombeamento. Portanto, quanto mais aberta a
borboleta (mais pressionado o acelerador), menores as perdas por
bombeamento e melhor o rendimento.
Ocorre que há dois modos de extrair a mesma potência de um motor:
com maior rotação e borboleta menos aberta, ou com menor
rotação e borboleta mais aberta. Se determinado carro
precisa, digamos, de 30 cv para se manter a 120 km/h, esta potência
pode ser obtida -- hipoteticamente -- a 3.500 rpm em quinta marcha,
com maior abertura de borboleta, ou a 4.300 rpm em quarta, com menor
abertura. Como no primeiro caso as perdas por bombeamento são
menores, o consumo será também menor.
Isso se aplica a qualquer rotação e velocidade. No uso urbano,
utilizar marchas o mais altas possível traz menor consumo, mesmo que
implique maior abertura de acelerador para se andar ao mesmo ritmo. Na
estrada, a quinta pode ser mantida mesmo em aclives e nas retomadas em
que não há necessidade de resposta rápida -- mais uma vez, não
importa que o acelerador tenha de ser premido a fundo.
Por isso, o leitor Pércio deve certamente utilizar a última marcha
do Kadett na velocidade citada. As 3.000 rpm em que fala o manual são
um regime de bom compromisso entre desempenho e economia, não o
regime de menor consumo.
Esse conceito explica por que adotar relações de transmissão mais
longas traz redução no consumo (saiba
mais). Infelizmente, muitos motoristas no Brasil parecem se
incomodar em reduzir marchas para ultrapassar ou ao cruzar uma
lombada, levando os fabricantes a utilizar marchas excessivamente
curtas em vários casos -- o novo
Polo é um exemplo típico.
Vale observar que o conceito aplica-se apenas a motores do ciclo Otto
(a gasolina, álcool, gás natural) e a quatro tempos. Nos dois-tempos
e nos de ciclo Diesel, maior abertura de acelerador provoca
diretamente aumento de consumo.
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