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Alterar mistura, retirar catalisador,
enganar central eletrônica


1) Tornar a mistura ar/combustível pouco mais pobre diminui o consumo? No caso oposto, além de aumentar o consumo, aumenta o desempenho? Substituir as velas por outras de grau mais quente ajuda a melhorar a queima e diminuir o consumo?

2) Alterar a posição do sensor de posição da borboleta para uma indicação mais ou menos aberta altera o consumo e/ou o desempenho? O que ocorre na central nesse caso?

3) Retirar o catalisador melhora realmente o desempenho? Em torno de quanto aumenta o consumo? A leitura da sonda lambda fica incorreta pela menor pressão no escape? Se sim, o que pode ser feito para compensar a leitura imprecisa e evitar o enriquecimento da mistura?

4) Como é possível enganar a central, a fim de alterar a mistura ar/combustível para mais pobre ou mais rica? Existe um modo de medir a mistura através da sonda lambda? Por exemplo, com um Multitest ligado a este sensor e verificar a voltagem, que creio que deve ficar em torno de 0,5 V.

Ricardo Sehaber
Porto Alegre, RS
cole_tricle@zipmail.com.br

1) Empobrecer a mistura ar-combustível (aumentar a proporção de ar) faz reduzir o consumo, desde que o motor funcione em aceleração e rotação constantes, como num barco ou avião. No automóvel essa situação não se verifica praticamente nunca; assim, a mistura pobre prejudica a dirigibilidade em praticamente toda a faixa de operação. Mistura mais rica favorece potência, ao preço de maior consumo. É por isso que o trabalho de calibração de carburadores ou sistemas de injeção requer conhecimento, experiência e sobretudo paciência.

O grau térmico de uma vela diz respeito apenas a sua temperatura de funcionamento. Não importa onde esteja utilizada -- motor de bomba d'água, ciclomotor ou Fórmula 1 --, a ponta da vela na câmara de combustão deve estar entre 500 e 850° Celsius. Abaixo disso a vela não consegue queimar os depósitos de carvão a que está sujeita e pode vir a se sujar, impedindo a centelha normal e provocando falhas no motor; acima, pode se tornar um "ponto quente" na câmara e ocasionar pré-ignição e a conseqüente detonação.

De modo geral, a gama térmica determinada pelo fabricante do motor deve ser respeitada e serve para a variedade de uso do veículo. Usa-se vela mais quente um ponto em motores velhos, perto do fim da vida útil, em que chega mais óleo à câmara de combustão. Já quem usa o carro 80% do tempo em velocidade máxima pode experimentar vela um ponto mais fria, para reduzir a possibilidade de pré-ignição. Variar a gama térmica em nada ajuda a queima ou a melhorar o consumo.

2) Não entendemos o que o leitor pretende exatamente, mas não vemos nenhuma possibilidade de ganho com essa modificação. Toda a calibração é feita a partir das inúmeras posições da borboleta e seus efeitos sobre a entrada de ar no motor.

3) Retirar o catalisador melhora um pouco, mas só se a mistura for tornada mais rica, o que acaba levando a maior consumo (não dá para quantificá-lo). A sonda lambda não sente pressão no escapamento, mas o teor de oxigênio residual do gás de escapamento. Para enriquecer a mistura o mapa de injeção terá de ser reprogramado, após o que a sonda poderá passar a novo padrão 1 e continuar a efetuar normalmente as correções de mistura.

4) Os valores de diferencial de voltagem que provocam alterações de mistura são conhecidos apenas pelos fabricantes dos equipamentos. Sugerimos entrar em contato com a Bosch, Magneti Marelli e Delphi através dos respectivos sites para esse tipo de informação.

Após receber as respostas por e-mail, o leitor acrescentou:

Fico muito grato com a atenção de vocês com os leitores, principalmente em se tratando do Consultório Técnico, em que várias dúvidas esclarecidas por vocês ajudam a entender algumas peculiaridades no funcionamento do motor e o proprietário a decidir o que é melhor fazer, caso se queira tentar alguma modificação, como é o meu caso. Freqüentador assíduo do site, e principalmente do Consultório Técnico, fico satisfeito com o trabalho de vocês.

Com base nas respostas, restou uma última dúvida quanto à retirada do catalisador. Como foi dito, a sonda não mede pressão, e sim teor de oxigênio (apesar que, pelo que imagino, a pressão influencia em sua leitura). Retirando o catalisador, ocasionaria aumento do consumo em virtude da leitura imprecisa
por esta pressão ter diminuído?

O enriquecimento da mistura é um auto-ajuste da central a fim de acompanhar a maior potência fornecida pela menor resistência na saída de escape?  Se sim, neste caso não seria dispensável o remapeamento, visto que a central se auto-ajusta em certo ponto? Este auto-ajuste da central ocasiona excesso e desperdício de combustível não-queimado?

Nossa resposta às novas questões:

Apenas no início tinha-se ligeiro aumento de contrapressão com o uso de catalisador. Hoje em dia isso não existe mais, haja vista as potências específicas que não param de subir -- 76 cv/litro do Gol 1,0 16V ou 120 cv/litro do Honda S2000 são bons exemplos. O módulo eletrônico de comando não promoverá enriquecimento de mistura só porque não há mais catalisador no sistema de escapamento.

Como já dito, a sonda lambda não percebe pressão, apenas oxigênio residual. Como não há auto-ajuste devido à troca de combustível, por exemplo, ao passar de gasolina para álcool como muitos vêm fazendo (saiba mais sobre essas conversões). Permita-nos um conselho: continue com o catalisador e contribua para o ar mais limpo: já houve carro importado vencendo a Mil Milhas Brasileira com o equipamento. Dá satisfação saber que nosso carro está emitindo poluentes dentro dos limites -- principalmente para quem tem paixão por automóvel.

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Data de publicação: 30/7/02

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