Alguns Renault das décadas de 60 e 70 -- modelos 4, 5, 14 e 16, por exemplo --, eram assimétricos, isto é, tinham distâncias entreeixos diferentes entre os lados direito e esquerdo do carro. No caso do R16, a diferença chegava a 7 cm (2,65 m em um dos lados e 2,72 m no outro). Pesquisando na Internet a respeito do R4, descobri que a diferença se concentrava no eixo traseiro do carro. Qual a razão dessa configuração? Suponho que tenha algo a ver com a estabilidade direcional do veículo, pois o carro de recordes Thrust SSC -- cuja direção atuava nas rodas traseiras -- tinha configuração semelhante, pelo mesmo motivo. Esse raciocínio é correto? O procedimento para alinhamento das rodas do R4 era igualmente aplicável ao Dauphine. Este também era assimétrico? Rubens Alexandre Pinotti Zamariolli |
Esses Renaults traziam distância entre eixos maior de um lado que de outro por uma questão construtiva apenas, não para produzir determinado comportamento dinâmico. Essa razão construtiva era a suspensão traseira por braço arrastado: em cada um deles (são dois) estava ligada uma das extremidades da barra de torção transversal. Como não conseguiram uma maneira de superpor as duas barras ou montá-las uma dentro da outra, o jeito foi colocá-las uma seguida da outra, transversalmente, é claro, ocasionando o entreeixos diferente de um lado e de outro. Não temos conhecimento de entreeixos diferente no carro supersônico Thrust SSC e nem vemos motivo imediato para assim ser, pois trata-se de um carro de reta e não existe efeito de torque nas turbinas a jato, ao contrário dos motores com hélice. No Dauphine/Gordini não era necessária a assimetria, já que sua suspensão era por semi-eixo oscilante, como no Fusca. Vale lembrar que o modelo da ficha de homologação da Fédération Internationale de l'Automobile (FIA), obrigatória para que qualquer carro possa tomar parte em competições internacionais, prevê distância entre eixos diferente esquerdo e direito. |
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