por Paulo Roberto Poydo
Parabéns pelo belíssimo trabalho desvinculado de montadoras (o que não se tem visto ultimamente por aí nas "especializadas"). É a melhor publicação do gênero que conheço! Dá até pena das revistas "especializadas", que já comprei e me arrependi muitas vezes. Já perdi várias horas de sono por culpa de vocês... mas valeu a pena! Ricardo José Martins |
| A acirrada disputa na Fórmula
1 leva os fabricantes de motores e equipes a não
publicar dados relevantes, daí ser raro ler-se uma ficha
técnica ao menos razoável, ou seja, os segredos são
muito bem guardados. Mas uma informação ali, outra dica
aqui, e consegue-se saber, por exemplo, que um bom motor
gera torno de 750 cv e que essa potência ocorre a cerca
de 17.000 rpm.
A superalimentação (forçar ar para dentro dos cilindros, para ganhar potência) foi abolida na F-1 a partir da temporada de 1989. Ayrton Senna foi o último campeão da era turbo, em 1988. Era possível utilizar qualquer tipo de superalimentação, mas o turbocompressor (compressor acionado pelos gases de escapamento) prevaleceu sobre o compressor mecânico (compressor acionado mecanicamente pelo próprio motor) por obter melhor resultado final. O dinamômetro consiste basicamente do suporte para o motor, freio (hidráulico ou elétrico) e balança, além do painel de instrumentos. O motor, com acelerador todo aberto, é mantido freado, enquanto uma das partes do freio, atrelada à balança, exerce nela uma força. Numa dada rotação haverá uma leitura, em quilogramas no caso do sistema métrico decimal. Variando a aplicação do freio, varia a rotação e a força lida. Isso é feito em toda a faixa de operação do motor, por exemplo, de 1.000 a 7.000 rotações por minuto (rpm), a cada 1.000 rpm. Com os valores em kg anotados, é só fazer algumas contas simples. Para o torque, multiplica-se kg pelo comprimento do braço que liga o freio à balança. Se este medir 1 metro e a leitura for de 10 kg, o torque será 10 quilogramas-força-metro (kgfm ou m.kgf), na rotação anotada. Tanto a força anotada quanto o torque calculado são mais elevados numa certa rotação: é o torque máximo. A potência é calculada multiplicando a força em kg por rotação dividida por 1.000. No exemplo anterior, se os 10 kg tivessem sido obtidos a 3.000 rpm, a potência seria de 30 cv. É importante saber que, mesmo que o torque diminua após chegar ao seu máximo, a potência continua a subir até chegar ao seu maior valor, para depois cair também. Por exemplo, se a força em kg for de 8 kg a 5.000 rpm, a potência será de 40 cv (8 x 5.000 / 1.000). Todos esses pontos unidos formam as chamadas curvas de torque e de potência. É importante saber em que padrão (norma) foi realizado o teste. De acordo o padrão técnico-normativo escolhido, haverá diferença nos valores obtidos para mais ou para menos. As normas podem ser: · SAE - Society of Automotive Engineers, Sociedade dos Engenheiros Automotivos. Norte-americana, testa seus motores com (SAE líquida) ou sem (SAE bruta) os agregados de série. Estes, no primeiro caso, roubam alguns cv do motor - alternador, bomba d'água, polias diversas, filtro de ar, tubulação de escapamento, etc. O teste é realizado sob condições de temperatura ambiente de 15,6°C, umidade relativa 0% e pressão atmosférica de 760 mmHg. · DIN - Deutches Institut Für Normung, Instituto Alemão de Normas. Testa os motores da forma como serão aplicados no veículo, com todos os agregados de série, às mesmas condições ambientais padrão. · IGM - Inspettorato Generale della Motorizzazione. Italiana, similar à norma DIN. · ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas. Desenvolvida com base nos parâmetros da DIN alemã (NBR ISO 1535), às mesmas condições ambientais padrão, exceto quanto à pressão atmosférica, que representa a média das 10 principais cidades brasileiras. |
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