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Responsável
por transmitir a pressão que faz acionar as lonas e pastilhas contra
os tambores e discos, o fluido de freio raramente é lembrado por
muitos motoristas -- um erro que pode deixar o carro sem freios quando
mais se precisa deles, como em uma descida de serra.
O
sistema de freios trabalha em alta temperatura, que um fluido novo
suporta com segurança. Como o fluido é higroscópico, vai absorvendo
aos poucos a umidade do ar e baixando o ponto de ebulição (fervura).
Num momento de maior solicitação, atinge uma temperatura crítica e
surgem bolhas de ar – que, ao contrário do fluido, podem ser
comprimidas –, deixando o pedal "esponjoso", como se diz.
Ou, pior, o fluido ferve e ocorre a falha completa do freio.
Para evitar isso, substitua todo o fluido uma vez ao ano, no caso dos
antigos DOT3, ou a cada dois anos, no caso dos DOT4 e DOT5 -- não
importa a quilometragem percorrida no período. A classificação DOT
(sigla originária do Departamento de Transportes americano) mais
elevada indica apenas um fluido mais resistente às altas
temperaturas, não influindo no desempenho dos freios.
A AC Delco, por exemplo, informa que os fluidos de sua fabricação
"resistem a severas condições de uso nas temperaturas até 232º
C, no caso do DOT3, e até 265º C, no caso do DOT4". Por outro
lado, o mesmo fabricante recomenda a troca total do fluido a cada
30.000 km, o que não tem qualquer fundamento: em um carro que roda
pouco, essa quilometragem pode levar quatro ou cinco anos para ser
atingida, com risco à segurança.
O fluido tem outras funções, como lubrificar e proteger da corrosão
componentes metálicos, como molas e êmbolos, e de borracha, como as
de vedação e os tubos flexíveis. É mais um motivo para se exigir o
uso de marca reconhecida e de uma embalagem lacrada: um fluido
guardado pode não mais conservar suas propriedades originais.
É normal uma pequena queda do nível de fluido pelo desgaste das
pastilhas. Ao completá-lo, evite ultrapassar a marca "máximo",
o que pode fazê-lo transbordar com a dilatação do sistema. Uma
perda mais acentuada de fluido, contudo, pode indicar vazamento.
Quando ocorre, é comum que o curso do pedal aumente e o freio fique
"elástico". Mas isso pode indicar também que os tubos flexíveis
não mais suportam a pressão e devem ser substituídos.
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