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Para quantificar a aderência
lateral mede-se a aceleração a que o veículo (e quem está dentro
dele) é submetido na curva antes de derrapar. Quanto maior for a
aceleração lateral que o carro pode gerar, mais rapidamente a curva
poderá ser feita. Do mesmo modo, mais alta a aceleração
longitudinal, mais o carro acelera ou freia.
A percepção de aceleração é nítida: cola-se no banco ao acelerar um
carro de motor potente, fica-se "pendurado" no cinto de segurança
numa freada vigorosa (daí a importância do cinto para todos os
ocupantes). Na aceleração lateral sentimos que somos empurrados para
fora da curva. A unidade de aceleração, em nosso sistema de medidas, é
o metro por segundo por segundo, ou metro por segundo ao quadrado
(m/s2), mas convencionou-se exprimi-la em g, que é aceleração da
gravidade, igual a 9,81 m/s2.
Uma das maneiras de se medir
aceleração em qualquer sentido é empregando um acelerômetro, medidor cada vez mais empregado nos automóveis para monitorar seu
comportamento.
Num Fórmula 1, por exemplo, a leitura da aceleração
lateral transmitida ao boxe por rádio-freqüência informa ao
engenheiro o estado dos pneus. Se perdem a aderência, cai
a aceleração lateral. Nos sistemas de controle de estabilidade dos
carros de rua, o acelerômetro informa ao computador do sistema que
atitude tomar quanto à aplicação seletiva dos freios ou redução de
potência. No sistema de bolsa inflável, uma acelerômetro determina
se deve ou não ser disparado.
Nos testes de veículos usa-se um acelerômetro portátil que mede o g
num círculo-padrão adotado
mundialmente que tem 60,96 metros de diâmetro (200 pés), o
mesmo que 30,48 metros de raio (100 pés). Dirige-se o carro o mais
rapidamente possível, sem sair da trajetória, e lê-se quanto foi
registrado em g. Faz-se a medição nos dois sentidos, pois existe
influência do peso do motorista no comportamento do carro, além de
outros pesos do próprio veículo.
Se não se dispuser de acelerômetro,
calcula-se a aceleração lateral. Primeiro, mede-se o tempo para dar
uma volta. Dividindo o percurso (2 x pi x raio) pelo tempo temos
velocidade em metros por segundo. A aceleração lateral,
conhecendo-se velocidade e raio da curva, é calculada tomando-se a
velocidade ao quadrado e dividindo-a pelo raio. O resultado é em
metros/seg2. Para traduzi-lo em g, divide-se esse resultado por
9,81. Pronto.
Exemplo: no percurso circular de 191,5 metros o carro
girou em 12,33 segundos. A velocidade é 191,5 / 12,33 = 15,53 m/s.
Elevando-a ao quadrado, 241,18. Dividindo pelo raio (30,48
m), resulta em 7,91 m/seg2. Dividindo esse valor por 9,81, obtêm-se
a aceleração lateral desse carro, que é de 0,806 g. É um bom valor
para um carro normal de rua, mas os esportivos costumam chegar perto
de 1 g ou mesmo ultrapassar este marco.
Saiba que os
Fórmula 1 atuais estão chegando perto de 4 g de aceleração
lateral. Por isso, a parte mais sacrificada do corpo do piloto é a estrutura muscular do pescoço. Quanto a capotagem, não se preocupe
com aceleração lateral superior a 1 g, pois o momento que leva a isso
depende em grande parte da altura do centro de gravidade e da bitola
do veículo. Deixe essa preocupação para os motoristas de ônibus e
caminhões.
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