por Paulo Roberto Poydo
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| A discussão sobre o
posicionamento dos motores está diretamente ligada às
mudanças que o mercado sofreu durante o choque do
petróleo nos anos 70. Paralelo à crise, os fabricantes
buscavam automóveis com melhor rendimento e com custos
de produção menores. Começavam a entrar em debate as
discussões sobre segurança passiva e o binômio
segurança-economia passava a reger o carro dos anos 80. A grande vantagem do motor transversal, notabilizado pelo Mini inglês de 1959 (foto), foi a montagem mais compacta aproveitando melhor o espaço do cofre. Além disso, já que as saídas do eixo de transmissão do motor transversal estão alinhadas com o eixo do veículo, possibilita-se um desenho mais compacto, com braços de suspensão mais leves e menores.
Os fabricantes, ainda no projeto, admitem uma perda padrão em torno de 20% do torque gerado pelo motor, desperdiçado da caixa de câmbio até sua chegada às rodas, para os motores transversais, contra uma estimativa de pelo menos 25% para os longitudinais. Ponto para os transversais, que perdem menos torque na transmissão. Nos veículos de grande porte e alto desempenho, a aplicação clássica (motor longitudinal e tração traseira) ainda é muito utilizada, pois consegue-se uma relação de distribuição de peso muito favorável (perto dos 50% em cada eixo). Como nestes veículos quase sempre são aplicados motores em V, conseguem-se perfis de capô e inclinação da frente adequados, reduzindo assim o arrasto aerodinâmico. A larga aplicação de tração dianteira com motor transversal (é assim chamado por ter sua árvore de manivelas paralela ao eixo do veículo) tornou-se viável técnica e economicamente com o aperfeiçoamento das transmissões. Os comprimentos desiguais das árvores de transmissão ("semi-eixos") traziam desigualdades cinemáticas, com problemas à dirigibilidade e o conforto ao rodar. Eram limitações à sua aplicação. A favor do longitudinal existe maior facilidade para os engates do câmbio e, segundo alguns fabricantes, vantagens em resistência a impactos frontais deslocados -- em ângulo ou atingindo apenas parte da frente do veículo. Em suma, ambos possuem vantagens e desvantagens e o que faz optar por uma ou outra solução é o escopo do projeto, a que tipo de público se destina e quanto será investido no desenvolvimento do produto. |
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