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por Fabrício Samahá 

Os três ciclos e a comparação de
potência entre carros e motos


Como funciona o ciclo Otto sobrealimentado, o ciclo Diesel sobrealimentado e o ciclo Wankel sobrealimentado? Quais as vantagens e desvantagens destes ciclos se comparados? Qual a vantagem de sobrealimentar um motor (de qualquer ciclo), se podemos ter veículos com motores bem fortes sem sobrealimentação (como um Honda S2000 de 2,0 litros e 240 cv)? E quais as diferenças entre o funcionamento de motores de motocicletas e automóveis? Gostaria de esclarecer nesta pergunta, por exemplo, por que temos motos de 500, 600 cm3 com 100 cv (167 cv/l) ou 1.300 cm3 com 175 cv, e motores de carros de 2.000 cm3 com 112 cv (56 cv/l), ou mesmo 120 cv/l, como no Honda.

Maison Liander
São Paulo, SP
maisonliander@yahoo.com

Os processos de superalimentar (aplicar turbocompressor ou compressor de acionamento mecânico) os motores dos três ciclos citados são semelhantes: em vez da aspiração natural do ar pelo motor, este passa a receber o ar sob pressão, o que permite maior enchimento dos cilindros (eficiência volumétrica).

Quanto à comparação entre os ciclos, em síntese pode-se dizer que: 1) o ciclo Diesel resulta em menor potência específica que os demais, mas com alto torque em baixa rotação e excelente rendimento do combustível; 2) o motor Wankel (rotativo) atinge rotações mais altas e elevada potência específica, com desvantagens em consumo e emissões poluentes (saiba mais); e 3) o ciclo Otto (motor a gasolina, álcool, gás natural) equilibra esses fatores, sendo por isso o mais comum em automóveis -- embora o Diesel tenha participação expressiva em mercados como a maioria dos países europeus.

Superalimentar um motor traz um efeito próximo ao de aumentar sua cilindrada: por exemplo, o Gol 1,0 16V Turbo desenvolve potência equivalente à do 2,0-litros aspirado, 112 cv, e perde por pequena margem em torque. Isso com as vantagens inerentes ao motor menor, como baixo peso, dimensões reduzidas e suavidade de funcionamento (o menor curso dos pistões facilita em muito chegar a uma relação r/l aceitável).

Um motor menor certamente poderia chegar a essa mesma potência sem superalimentação. No caso do Honda S2000 (foto), o 2,0-litros de 16 válvulas, dotado de comando variável V-TEC, atinge 243 cv, ou seja, mais de 120 cv/l -- seria como um 1,0-litro de 120 cv. Mas basta conhecer melhor esse motor para perceber que não seria viável: os 240 cv são obtidos a 8.300 rpm e o torque máximo, de 21 m.kgf, a 7.500 rpm. São regimes muito altos, que exigem um motor especialmente dimensionado para tais esforços e trazem dirigibilidade precária em baixa rotação. Por isso, superalimentar o motor é a solução preferida por diversos fabricantes.

Quanto aos motores de motocicletas, sua elevada potência específica deve-se mais ao tipo de veículo a que são aplicados: muito leves e com pequena área frontal, as motos deslocam-se rapidamente mesmo com pouco torque em baixa rotação. Assim, os fabricantes podem atingir rotações muito elevadas (como exemplo, a nova Honda CBR 600 RR entrega a potência máxima a 13.000 rpm) e chegar a um rendimento que, se aplicado a um motor de automóvel, poderia inviabilizar sua utilização em rua.

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Data de publicação: 15/2/03

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