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Os processos de
superalimentar (aplicar turbocompressor ou compressor de acionamento
mecânico) os motores dos três ciclos citados são semelhantes: em
vez da aspiração natural do ar pelo motor, este passa a receber o ar
sob pressão, o que permite maior enchimento dos cilindros
(eficiência volumétrica).
Quanto
à comparação entre os ciclos, em síntese pode-se dizer que: 1) o
ciclo Diesel resulta em menor potência
específica que os demais, mas com alto torque em baixa rotação
e excelente rendimento do combustível; 2) o motor Wankel (rotativo)
atinge rotações mais altas e elevada potência específica, com
desvantagens em consumo e emissões poluentes (saiba
mais); e 3) o ciclo Otto (motor a gasolina, álcool, gás natural)
equilibra esses fatores, sendo por isso o mais comum em automóveis --
embora o Diesel tenha participação expressiva em mercados como a
maioria dos países europeus.
Superalimentar um motor traz um efeito próximo ao de aumentar sua
cilindrada: por exemplo, o Gol 1,0 16V Turbo desenvolve potência
equivalente à do 2,0-litros aspirado, 112 cv, e perde por pequena
margem em torque. Isso com as vantagens inerentes ao motor menor, como
baixo peso, dimensões reduzidas e suavidade de funcionamento (o menor
curso dos pistões facilita em muito chegar a uma relação
r/l aceitável).
Um motor menor certamente poderia chegar a essa mesma potência sem
superalimentação. No caso do Honda S2000 (foto), o 2,0-litros de 16
válvulas, dotado de comando variável V-TEC,
atinge 243 cv, ou seja, mais de 120 cv/l -- seria como um 1,0-litro de
120 cv. Mas basta conhecer melhor esse motor para perceber que não
seria viável: os 240 cv são obtidos a 8.300 rpm e o torque máximo,
de 21 m.kgf, a 7.500 rpm. São regimes muito altos, que exigem um
motor especialmente dimensionado para tais esforços e trazem
dirigibilidade precária em baixa rotação. Por isso, superalimentar
o motor é a solução preferida por diversos fabricantes.
Quanto aos motores de motocicletas, sua elevada potência específica
deve-se mais ao tipo de veículo a que são aplicados: muito leves e
com pequena área frontal, as motos deslocam-se rapidamente mesmo com
pouco torque em baixa rotação. Assim, os fabricantes podem atingir
rotações muito elevadas (como exemplo, a nova Honda CBR 600 RR
entrega a potência máxima a 13.000 rpm) e chegar a um rendimento
que, se aplicado a um motor de automóvel, poderia inviabilizar sua
utilização em rua.
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