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por Fabrício Samahá 

Muitas exceções nas
denominações por números


O BCWS é excelência técnica, objetividade, precisão, coerência, confiabilidade: credibilidade. Existe alguma lógica na denominação por números de certos modelos? É que, de modo empírico, venho observando que, por exemplo, os Mercedes 320 têm 3.200 cilindradas, os 180 têm 1.800 (no entanto, há o 190 E de 2.600 cilindradas); nos Peugeots, o primeiro número parece se referir ao tamanho do carro, seguido de um zero, e o terceiro número seria a versão do modelo (como 205 e 206; 305, 306 e 307, etc.). Nos BMW, parece ser, por exemplo, no 325, Série 3 de 2.500 cilindradas. Qual a lógica nessas indicações de modelo, nessas e em outras marcas?

Daniel Sousa Isaias Pereira
Brasília, DF
haendel2002@hotmail.com

A lógica na denominação por números, utilizada por diversos fabricantes, é bastante relativa, Daniel. A Mercedes-Benz vem recorrendo há alguns anos a números de três algarismos para identificar a cilindrada do motor: por exemplo, A 160 indica 1.600 cm3; A 190, 1.900 cm3; E 320, 3.200 cm3; e S 500, 5.000 cm3. Só que as exceções são várias: como exemplos, o atual C 180 tem na verdade 2.000 cm3, e os S e CL 600, efetivos 5.800 cm3. No caso do C 180, explicou-nos certa vez a marca que a manutenção do número, apesar do aumento de cilindrada, destinava-se a atender ao comprador habitual dessa versão, que se sentiria abandonado caso a denominação passasse a C 200 (além disso, C 200 é outra versão da linha com motor mais potente).

Para a BMW, o primeiro algarismo identifica a série, relativa ao porte do veículo (3, 5, 7, além dos futuros 2 e 6), e os dois algarismos seguintes costumam se referir à cilindrada. Mais uma vez, porém, há muitas exceções: o 323i vendido há alguns anos tinha 2.500 cm3; o atual 540i tem 4.400 cm3; e o 750i da antiga geração havia passado a 5.400 cm3. Assim como na Mercedes, essas exceções à regra acontecem há décadas e tudo indica que continuarão acontecendo.

No caso da Peugeot, o zero está sempre no meio -- a marca registrou esse tipo de denominação há pelo menos 40 anos, tendo obrigado a Porsche a alterar o número de um esportivo seu, lançado em 1963, de 901 para 911. O primeiro algarismo designa o porte do modelo (1, 2, 3, 4, 6 e 8, tendo havido também o 5 no passado), e o último, a geração. Mas... também aqui há exceções! Antes do 306 existiu o 309, e o 605 foi sucedido pelo 607, não tendo havido um 606.

Finalmente, uma regra a que não cabem exceções: cilindrada é a medida em questão, não sua unidade de medida, que pode ser cm3 (centímetros cúbicos) ou litros (equivalentes a 1.000 cm3). Falar em 2.500 cilindradas significa o mesmo que dizer que entre São Paulo e Rio de Janeiro há 400 distâncias, não 400 quilômetros.

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Data de publicação deste artigo: 21/9/02

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