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por Bob Sharp  

Largura dos pneus: a polêmica


A respeito de sua resposta ao leitor Diogo sobre força de atrito e largura dos pneus, tenho alguns comentários. O aumento da aderência dos pneus ao solo se consegue, primeiramente, com o aumento do coeficiente de atrito através do uso de borrachas mais macias. Borrachas macias, porém, trazem dois problemas. Primeiro: se desgastam com mais rapidez. Segundo: se deformam mais facilmente aumentando, nas curvas, o ângulo de deriva. Isto reduz a (ou não permite o aumento desejado da) velocidade máxima.

A solução para aumentar a vida útil do pneu é aumentar a quantidade de borracha da banda de rodagem. Para reduzir a deformação é necessário reduzir a relação espessura/largura dos ressaltos da banda e a pressão sobre ela. O aumento da largura da banda de rodagem e a redução ou remoção dos frisos são capazes de resolver os dois problemas de uma só vez, com a contrapartida de aumentar o atrito de rolamento, o arraste aerodinâmico e a tendência à aquaplanagem.

O ângulo de deriva e suas conseqüências nas curvas dependem das deformações a que a borracha está sujeita. Pneus com banda de rodagem larga e de pouca espessura, ressaltos mais largos e menos profundos e, num caso extremo, pneus lisos (slick) sofrem menores deformações. Embora a resposta esclareça ao leitor sobre a independência da força de atrito e a área, as afirmativas "Quanto mais borracha em contato com o solo, mais a força lateral é distribuída" e "Nas acelerações em reta o mesmo efeito ocorre, em que a força de tração é distribuída por uma superfície maior." não me parecem completas. 

João Carlos Teixeira
São Mateus do Sul, PR
teixeira@connectsul.com.br


João Carlos, não há dúvida de que a forma e constituição da banda de rodagem e da estrutura do pneu, e dos materiais que o compõem, influem no comportamento desse pneu num automóvel, e foi por isso que nem entramos nesse mérito na resposta ao leitor Diogo. A temperatura do pneu também altera suas características de aderência (equipes de F-1 usam cobertores elétricos antes das provas de classificação).

O que procuramos explicar, e isso é extremamente difícil, foi que maior contato com o solo resulta na geração de forças maiores, tanto laterais (curvas) quanto longitudinais (retas, aceleração e frenagem), por questão de aderência molecular, o popular "grudar". Talvez ficasse mais claro dizer que "...mais força lateral é produzida", em vez de 'distribuída', inclusive logo adiante, quando falei de tração. Quanto mais borracha para aderir, maior será a aderência final.

Outro ponto importante é a produção dessas forças depender do peso sobre o pneu, em que há um ponto ideal. Abaixo ou acima, a aderência piora. Por isso é os carros de corrida passaram a ser dotados de meios aerodinâmicos para produzir força vertical descendente quando em movimento, que hoje anda na casa de 1.000 kg total (o que possibilita um carro de 600 kg andar de cabeça para baixo no teto de um túnel).

Em resumo, mesmo que o atrito não dependa da área, o maior contato com o solo por meio de pneus mais largos faz aumentar a aderência e, por conseguinte, a velocidade nas curvas.

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Data de publicação deste artigo: 30/4/02

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