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por Fabrício Samahá 

RD 350: o comportamento
arisco do motor dois-tempos


Certa vez, conversando com meus amigos, eles me falaram que a moto RD 350 a partir de X rpm abre o "segundo estágio", no qual ganha uma potência extra. Quando perguntei a eles como se dava este ganho de potência ninguém soube me explicar. Eis a minha dúvida: o que acontece no motor, da RD 350 no caso, para que ganhe tanta força assim? Carros têm segundo estágio? Daqui a pouco tiro meu diploma de mecânico na escola Best Cars Web Site...

Leonardo Sbragi Crecente
Ibitinga, SP
killer.is.me@bol.com.br

"Segundo estágio" neste caso é apenas força de expressão, Leonardo. O que ocorre na Yamaha RD 350 é que o motor, um dois-tempos de elevada potência específica (158,5 cv/l), derivado do que equipava a TZ 350 de competição, tem seu melhor rendimento concentrado em altas rotações. Enquanto a potência máxima de 55 cv aparece a 9.000 rpm, o torque máximo de 4,74 m.kgf é atingido a 8.500 rpm, apenas 500 giros abaixo. O resultado é que o motor demonstra desempenho modesto até certo ponto (por volta de 5.000 ou 6.000 rpm), a que se segue um surto de potência até a rotação máxima.

Em automóveis isso é menos comum, pois os motores são todos de quatro tempos (os dois-tempos pertencem ao passado, como no DKW, Trabant e outros poucos) e, pela relação peso-potência menos favorável em relação às motos, os fabricantes costumam optar por uma melhor distribuição de torque, embora com prejuízo à potência específica (os melhores números conhecidos, em se tratando de aspiração natural, estão entre 110 e 120 cv/l).

Ainda assim, em alguns modelos ainda se percebe esse fenômeno, como no Marea Turbo: saindo em baixa rotação com acelerador premido a fundo, o carro arranca com relativa lentidão, mas entre 2.500 e 3.000 rpm o torque máximo é atingido e os pneus tendem a perder tração, enquanto o corpo "cola" no banco. Não se trata de segundo estágio, mas da curva de torque característica desse motor.

Embora tenha seus apreciadores, esse comportamento torna-se a cada dia mais raro, pois os novos motores adotam sistemas variáveis (no coletor de admissão e no comando de válvulas, por exemplo) que melhoram a distribuição de torque, tornando-os mais suaves nessa transição. Isso contribui também para atender aos limites de emissões poluentes, hoje bastante rígidos.

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Data de publicação: 24/6/03

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