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"Segundo estágio" neste
caso é apenas força de expressão, Leonardo. O que ocorre na
Yamaha RD 350 é que o motor, um
dois-tempos de elevada potência específica
(158,5 cv/l), derivado do que equipava a TZ 350 de competição, tem seu
melhor rendimento concentrado em altas rotações. Enquanto a potência
máxima de 55 cv aparece a 9.000 rpm, o torque
máximo
de 4,74 m.kgf é atingido a 8.500 rpm, apenas 500 giros abaixo. O
resultado é que o motor demonstra desempenho modesto até certo ponto
(por volta de 5.000 ou 6.000 rpm), a que se segue um surto de potência
até a rotação máxima.
Em automóveis isso é menos comum, pois os motores são todos de quatro
tempos (os dois-tempos pertencem ao passado, como no
DKW, Trabant e outros poucos) e,
pela relação peso-potência menos favorável em relação às motos, os
fabricantes costumam optar por uma melhor distribuição de torque,
embora com prejuízo à potência específica (os melhores números
conhecidos, em se tratando de aspiração
natural, estão entre 110 e 120 cv/l).
Ainda assim, em alguns modelos ainda se percebe esse fenômeno, como no
Marea Turbo: saindo em baixa rotação com acelerador premido a fundo, o
carro arranca com relativa lentidão, mas entre 2.500 e 3.000 rpm o
torque máximo é atingido e os pneus tendem a perder tração, enquanto o
corpo "cola" no banco. Não se trata de segundo estágio, mas da curva
de torque característica desse motor.
Embora tenha seus apreciadores, esse comportamento torna-se a cada dia
mais raro, pois os novos motores adotam sistemas variáveis (no
coletor de admissão e no
comando de válvulas, por exemplo) que
melhoram a distribuição de torque, tornando-os mais suaves nessa
transição. Isso contribui também para atender aos limites de emissões
poluentes, hoje bastante rígidos.
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