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por Fabrício Samahá 

Retomada de 40 a 100 em quinta:
por que o Polo vence o Corsa


Comparando o novo Corsa hatch 1.8 com o novo Polo 1.6, observamos valores bem parecidos nas fichas técnicas: ambos têm 10,7 kg/cv e praticamente a mesma velocidade final e aceleração 0-100 Km/h. O Corsa tem 16,8 m.kgf  2.800 rpm, e o Polo, 14,3 m.kgf a 3.250 rpm. Por que o Polo dá um banho no que diz respeito às retomadas (principalmente 40-100 km/h, em 5ª: 19,8 s contra 25,6 s, segundo uma revista)? O Corsa, mais potente e com mais torque, não deveria ganhar? O site está de parabéns, pois dá dicas, informações e tira dúvidas, tanto de pessoas entendidas no assunto quanto de pessoas que querem aprender.

Rafael Castelo Branco Musse
Rio de Janeiro, RJ
rafaelcastelo@infolink.com.br

Ao definir as relações de marcha de um automóvel, Rafael, o fabricante deve considerar diversos fatores (saiba mais). Um deles é a prioridade às acelerações e retomadas, o que marchas mais curtas favorecem, ou ao consumo e nível de ruído, que tendem a ser mais baixos com marchas mais longas.

No caso do novo Polo, a VW fez uma evidente opção pelo primeiro caso: o motor 1,6, com torque bem distribuído, foi acoplado a uma transmissão cujas relações finais (incluindo diferencial e medida dos pneus) são mais curtas que as do próprio Golf 1,6, carro mais pesado que utiliza o mesmo motor.

Essa escolha foi contestada pelo BCWS em sua avaliação do Polo e também à Engenharia de Motores da marca, por ocasião do evento de lançamento em abril último. No entanto, a VW alega que seus testes apontaram o câmbio escolhido como mais adequado ao Brasil, pois dispensaria a redução de terceira para segunda marcha na maior parte das saídas de lombadas.

Com o Corsa a situação é oposta: a GM optou por um câmbio mais longo (4+E), tanto pelo torque elevado em baixa rotação quanto pela aversão do motor 1,8 a altas rotações. Como o BCWS apontou em sua avaliação do modelo, as bielas desse propulsor são muito curtas, gerando aspereza e vibrações em altos regimes. Nada mais lógico, portanto, que usar um câmbio longo para que o carro trabalhe a maior parte do tempo em menor rotação, em que esses inconvenientes são menos perceptíveis.

Isso posto, torna-se fácil entender a vantagem do Polo em retomadas que não correspondem ao uso normal de um automóvel, como 40 a 100 km/h em quinta marcha. É evidente que, em uma retomada de verdade, a 40 km/h o motorista poderia reduzir para quarta ou mesmo terceira, levando o motor a rotações mais altas. Se o teste fosse efetuado em marchas distintas (por exemplo, quinta no Polo e quarta no Corsa), de modo a obter rotações mais próximas entre os modelos, tudo certamente seria diferente.

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Data de publicação deste artigo: 27/7/02

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