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por Bob Sharp  

Motor roletado, preparação
que perdeu seu espaço


Gostaria de saber exatamente o que é um motor roletado. Antigamente ouvi falar muito sobre isso, mas nunca soube exatamente o que é. Só me lembro que era uma preparação cara, especializada e principalmente não comprometia a vida útil do motor. Li agora que a VW está testando em São Carlos um motor 1.0 turbo com comando roletado. Ficaria agradecido se me esclarecessem essas dúvidas e quanto custa hoje, quais os benefícios, se é viável fazê-lo nos motores de hoje e qual o aumento de potência.

Felício Bauab Neto
São Paulo, SP
felicio@wbrasil.com.br

Motores em que os mancais do virabrequim e das bielas são constituídos por rolamentos -- daí "roletado" -- não são novidade. A firma alemã Hirth produzia virabrequins com essas características para os Mercedes F-1 de 1954 e 1955, e também para os motores Porsche 1,5-litro de duplo comando por cabeçote, da mesma época.

A idéia é que o rolamento é mais resistente do que o mancal liso tradicional e oferece menos resistência de funcionamento. Conjugado com preço elevado e dificuldade de manutenção, porém, mais o desenvolvimento tecnológico dos motores, seus sistemas de lubrificação e também dos óleos lubrificantes, o virabrequim roletado perdeu a batalha para o de mancais lisos. Este é hoje utilizado em praticamente todos os motores.

Havia nos anos 70, no Brasil, muita preparação de motores Volkswagen em que o virabrequim era roletado -- Hirth também --, o que era vantajoso então, um pouco em desempenho e muito em durabilidade. Hoje, a indústria automobilística redescobriu o rolamento -- não no virabrequim, mas no mecanismo de acionamento das válvulas, mostrado na ilustração do novo Gol 1,0 16V. Começou nos Estados Unidos dos anos 60, em que os tuchos de válvulas tradicionais, localizados no bloco dos grandes motores V8, passaram a ser roletados quando se tratava de  motores preparados.

Como o atrito entre ressalto do comando e tucho é menor quando entre as duas peças há um rolamento, foi possível desenhar ressaltos de comando com rampas mais abruptas, tendo como resultado a otimização da abertura das válvulas. Ou seja, mais torque e potência, conseqüência também das menores perdas por atrito.

Os fabricantes europeus de motores, como Ford e Opel (este de três cilindros), quase simultaneamente na segunda metade da década passada, passaram a dotar as alavancas de acionamento ("dedos") das válvulas dos sistemas indiretos como o nosso Monza (VW "a água" e Fiat sempre tiveram acionamento direto). No Brasil a primeira foi a Ford, em 1999, com o motor batizado de RoCam.

Para compreender melhor, o acionamento é direto quando o ressalto movimenta-se diretamente sobre a válvula; indireto quando fica afastado e requer uma alavanca, erroneamente chamada de balancim. Neste o apoio é no centro, enquanto na alavanca o apoio fica na extremidade oposta à válvula. Novamente, o menor atrito do ressalto em contato com a alavanca possibilitou ressaltos de comando mais "violentos", com os ganhos já mencionados.

No caso dos acionamentos das válvulas, não é possível quantificar custo e aumento de potência, mas os exemplos estão no mercado. O novo Gol 1,0 16V passou de 69 para 76 cv e o Ford RoCam 1,0 é um oito-válvulas que desenvolve nada menos que 65 cv. Mas é modificação para fábrica somente, pouco podendo fazer o preparador independente.

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