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por Fabrício Samahá

Trocas de marcha: para desempenho ou economia


O Best Cars é um site completo (aborda os assuntos de forma clara, objetiva e técnica), melhor do que muitas revistas especializadas em automóveis. Qual o procedimento para se obter o menor tempo possível numa aceleração (por exemplo: de 0 a 100 km/h)? Deve-se iniciar o movimento do veículo em alguma faixa específica de rotação do motor (qual?) e "esticar" todas as marchas até a rotação de potência máxima do motor? Qual o procedimento para se obter um menor consumo de combustível? Deve-se procurar manter o veículo em alguma faixa específica de rotação do seu motor (por exemplo: a metade de sua rotação de torque máximo)?

Admardo Augusto de Azevedo Silva
aaugusto@censa.com.br
Campos, RJ


Quero parabenizá-los pelo trabalho que vocês vêm fazendo. Possuo um Corsa Super 99 1.0 16v. No manual há a recomendação de deixar o carro engatado em 1ª. ou ré ao estacionar. Qual a finalidade disso, já que há o risco de o motorista esquecer de colocá-lo em ponto morto antes de dar a partida? Diz também as velocidades recomendadas para troca de marcha: por exemplo, para a 2ª. marcha a 24 km/h. Tem-se que acelerar muito até essa velocidade, o que faz com que o motor produza um grande ruído. Sendo assim, passei a trocá-la em torno de 3.000 rpm. Isto é correto? Quando devo mudar de marcha? Muitas vezes, em semáforos, observo outros carros 1.0 arrancando rapidamente na minha frente. Uma vez que o torque máximo (9,2 m.kgf) só é atingido a 4.000 rpm, devo acelerar mais antes de soltar a embreagem para melhorar o arranque?

Dilson Valério Pontes
dvp@centroin.com.br
Rio de Janeiro, RJ


Excelente revista, ótimas fotos, reportagens muito bem explicadas e claras, além do alto nível técnico. Parabéns! Gostaria de saber se é correto ao parar o carro deixá-lo engatado. Quais os benefícios e malefícios de deixá-lo ou não engatado? Qual a maneira correta e/ou mais segura? Sobre a reportagem de consumo de combustível, o autor diz para colocar uma marcha de maior rotação e pisar no fundo no acelerador para diminuir o consumo. Isto é válido para carros com injeção eletrônica ou para os carburados também?

Marcelo Zabolotny Domingues
mzd@uol.com.br
Apucarana, PR

A rotação utilizada nas saídas varia muito de acordo com a potência e torque do motor, o peso do carro, as relações de marcha, a topografia (se há subida) e a maior ou menor necessidade de agilidade. O motorista deve definir as rotações adequadas a cada situação, tendo em mente que um regime elevado demais, mantido por muito tempo antes de se liberar a embreagem por completo, pode até mesmo queimar seu disco, que terá de ser substituído.

"Esticar" as marchas até o regime de potência máxima, ou mesmo pouco além, é a forma de obter o melhor desempenho do motor. Pode-se superar ligeiramente (300 rpm, por exemplo) esse ponto para que, com a queda de giros decorrente da troca de marcha, a rotação permaneça próxima da de potência máxima. Elevar ainda mais as rotações, como atingir o regime de corte de injeção, não traz ganho porque a potência decresce ao superar o ponto máximo (veja curvas de potência no Consultório de Preparação).

Para obter o melhor resultado numa aceleração de 0 a 100 km/h, por exemplo, admite-se esticar uma marcha um pouco mais, para evitar a perda de tempo de uma troca, ou mesmo manter o acelerador a fundo durante a operação do câmbio -- o que não se recomenda numa arrancada do dia-a-dia, pois esforça o motor desnecessariamente.

A velocidade ideal de mudança de marcha também é afetada pelo peso transportado no veículo, topografia e exigências do trânsito. O ideal, tendo em vista menor consumo, é que se use marchas tão longas (altas) quanto possível, trocando-se logo acima da rotação de marcha-lenta (saiba mais). A regra vale tanto para motores com injeção quanto para os carburados, desde que de quatro tempos.

Claro, nem sempre isso é possível, podendo mesmo ser perigoso num trânsito agressivo. Vale até recomendar, se o torque do motor e as relações do câmbio permitirem, utilizar diretamente a 1ª., a 3ª. e a 5ª. marcha numa aceleração, o que mantém um regime bem baixo, com ganho em economia de combustível.

Quanto a manter o câmbio engatado com o carro estacionado, é muito importante quando estacionado em aclive ou declive, pois o mantém no lugar mesmo se o freio de mão falhar. Nessas condições recomenda-se ainda esterçar a direção no sentido do meio-fio, mas sem apoiar o pneu para não danificá-lo. No plano, não há necessidade de engatar uma marcha -- mas, além do risco na partida, não há inconvenientes. Alguns temem que a transmissão seja danificada se outro veículo encostar no seu ao estacionar, mas seria um esforço pequeno comparado aos que o câmbio sofre na operação do veículo.


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