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por Fabrício Samahá 

Taxa de compressão e mapeamento
de fábrica prevêem variáveis


Gostaria de saber se há algum motivo para as fabricas não usarem, por exemplo, a descarga reta, a taxa de compressão maior (já que a nossa gasolina é puro álcool e não há risco de "bater pino" antes de 10,5:1) e o chip já com a potência máxima para não precisar remapeá-lo depois. Isso tudo daria para aumentar a potência nos carros sem modificá-los muito e sem elevar o preço final. Acho esse site ótimo e esclarecedor, continuem com o bom trabalho.

Daniel Dias
Contagem, MS
acedaniel@98fm.com.br

À primeira vista parece mesmo simples, Daniel: se é possível avançar um pouco mais nos limites de resistência à detonação (mapeamento eletrõnico e taxa de compressão), por que os carros não vêm assim de fábrica?

A razão é que o fabricante deve prever uma série de variáveis na definição das características do motor. Algumas delas são a altitude (se menor, a pressão atmosférica aumenta e com ela a tendência a detonar), a qualidade do combustível (quase uma loteria hoje), o modo de dirigir e até mesmo as variações normais de uma linha de produção. Tomando a taxa como exemplo, poderia ocorrer que algumas unidades saíssem com ela mais elevada do que o limite julgado seguro pelo fabricante, causando detonação e reduzindo a vida útil do motor.

Vale observar que sua afirmação sobre o limite de taxa não procede: os motores que ultrapassam 10:1 com gasolina em geral possuem sensor de detonação, que atrasa o ponto de ignição caso ocorra a "batida de pino". Sem o sensor, o limite fica em torno de 9,5:1.

O preparador de motores, por outro lado, tem a oportunidade de analisar cada parâmetro e reprogramar o chip de forma a explorar melhor esses limites. É por isso que recomendamos com frequência no Consultório de Preparação que esse processo seja feito individualmente no veículo do leitor, havendo a expectativa de melhores resultados do que com a simples troca do chip por um já reprogramado.

Quanto à "descarga reta", acreditamos que o leitor se refira a um sistema de escapamento de menor restrição. Nesse caso é simples compreender: o fabricante deve atender a normas de emissões poluentes (o que hoje implica catalisador em todo automóvel) e de ruído. Um sistema apenas com abafadores (que absorvem o ruído sem interferir na trajetória dos gases) dificilmente conseguiria atender às normas hoje vigentes.

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