|
À primeira vista
parece mesmo simples, Daniel: se é possível avançar um pouco mais
nos limites de resistência à detonação
(mapeamento eletrõnico e taxa de compressão), por que os carros não
vêm assim de fábrica?
A razão é que o fabricante deve prever uma série de variáveis na
definição das características do motor. Algumas delas são a
altitude (se menor, a pressão atmosférica aumenta e com ela a
tendência a detonar), a qualidade do combustível (quase uma loteria
hoje), o modo de dirigir e até mesmo as variações
normais de uma linha de produção. Tomando a taxa como exemplo,
poderia ocorrer que algumas unidades saíssem com ela mais elevada do
que o limite julgado seguro pelo fabricante, causando detonação e
reduzindo a vida útil do motor.
Vale observar que sua afirmação sobre o limite de taxa não procede:
os motores que ultrapassam 10:1 com gasolina em geral possuem sensor
de detonação, que atrasa o ponto de ignição caso ocorra a
"batida de pino". Sem o sensor, o limite fica em torno de
9,5:1.
O preparador de motores, por outro lado, tem a oportunidade de
analisar cada parâmetro e reprogramar o chip de forma a explorar
melhor esses limites. É por isso que recomendamos com frequência no Consultório
de Preparação que esse processo seja feito individualmente
no veículo do leitor, havendo a expectativa de melhores resultados do
que com a simples troca do chip por um já reprogramado.
Quanto à "descarga reta", acreditamos que o leitor se
refira a um sistema de escapamento de menor restrição. Nesse caso é
simples compreender: o fabricante deve atender a normas de emissões
poluentes (o que hoje implica catalisador em todo automóvel) e de
ruído. Um sistema apenas com abafadores (que absorvem o ruído sem
interferir na trajetória dos gases) dificilmente conseguiria atender
às normas hoje vigentes.
|