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Embora intimamente
relacionados (saiba mais), torque e
potência atuam de diferentes maneiras no desempenho do veículo. Em
regra, o motor com maior torque mostra mais força em baixas e médias
rotações, as mais utilizadas pela maioria dos motoristas. Isso
permite arrancar com mais agilidade, superar aclives e retomar
velocidade em menor rotação (por exemplo, conservando a quinta marcha
em vez de ter de reduzir para a quarta) e optar por uma transmissão
de relações mais longas, com reflexos positivos no consumo e nível
de ruído.
Uma boa comparação é a do motor de 2,0 litros do Kadett GSi ao de
seis cilindros e 4,1 litros do último Opala, ambos a gasolina. Embora
desenvolvam os mesmos 121 cv, o segundo motor tem torque muito
superior -- 30 m.kgf contra 17,6 m.kgf -- e ele está disponível em
rotação mais baixa. Assim, na hipótese de se ter o motor do Opala
no Kadett, este ficaria muito mais ágil e poderia ter a transmissão
sensivelmente alongada. O mesmo princípio foi muito aplicado ao
Chevette, que recebia o 2,5-litros do Opala: potência pouco superior,
mas com bem maior torque.
Fica respondida, assim, a segunda dúvida do Paulo: o bom torque do
Monza é um importante elemento para seu desempenho. Entretanto, dois
carros de torque similar (como os citados Vectra, de 20,7 m.kgf a
4.000 rpm, e Marea, de 21 m.kgf a 3.500 rpm) podem ter potências
distintas -- neste caso, 138 e 160 cv, na ordem. Os 22 cv adicionais
do Fiat serão determinantes toda vez que for atingido o regime de
potência máxima, na faixa em torno de 5.500/6.000 rpm: é o caso de
acelerações mais vigorosas e de quando se pretende chegar à
velocidade máxima.
Nessas condições, o motor do Marea tem desempenho nitidamente
superior ao do Vectra. Para uma comparação ideal devem-se considerar
fatores como peso, relações de transmissão e aerodinâmica, mas
mesmo os desprezando é possível constatar a vantagem do Fiat em
desempenho absoluto: velocidade final de 210 km/h, contra 205, e 0-100
km/h em 8,6 s, ante 10 s (ambos com câmbio manual e segundo os
fabricantes).
Quanto ao desempenho do Monza, era adequado a seu porte, peso e
aerodinâmica, mas havia um importante fator que prejudicava sua
velocidade máxima: a transmissão estava mal calculada, com a quarta
marcha muito curta e a quinta longa demais. Um acerto nesse sentido --
que a GM devia considerar irrelevante, dadas as velocidades usuais de
tráfego no Brasil -- poderia trazer um ganho de 5 km/h ou mais a esse
Monza.
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