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por Bob Sharp 

Potência e torque: afinal, qual
a importância de cada um? 


Lendo a resposta ao leitor Edilson Assunção fiquei um pouco intrigado. O que, exatamente, representa a potência do motor? O que há nesse número, simples resultado da divisão do valor obtido no dinamômetro dividido pela rotação/1000, capaz de justificar toda a importância atribuída a ele (que, por muito tempo, determinou até a alíquota de IPI paga pelo pelo comprador do carro), principalmente pelo marketing dos fabricantes quando se refere aos motores de 1,0 litro? O valor do torque máximo não dá uma idéia mais precisa do desempenho do motor? Se a força máxima do motor é obtida à rotação de torque máximo, o que há "de mais" no desempenho do motor no regime de potência máxima?

É impressionante o quanto o BCWS está à frente das outras publicações no conteúdo das matérias e na rapidez com que elas chegam a nós, leitores. Dá gosto ver a importância dada aos carros clássicos, ler colunas de conteúdo e seriedade raros e encontrar seções do nível do Consultório Técnico, Segurança & Serviço e, principalmente, Consultório de Preparação -- esta sem semelhante na mídia brasileira. Parabéns.

Fernando Almeida dos Santos Cardoso
Rio Grande, RS
grandefer@vetorialnet.com.br

A Física nos diz que potência é o trabalho realizado sob uma unidade de tempo, Fernando. Se fôssemos nos valer do torque apenas para avaliar ou estimar o desempenho de um carro -- por exemplo sua aceleração da imobilidade até 100 km/h --, teríamos que este seria capaz de realizar esse trabalho independente de tempo, o que não teria nenhuma valia. O carro poderia atingir essa velocidade tanto em 10 segundos quanto em 1 minuto, embora o trabalho fosse igual nos dois casos.

É por isso que a potência é referência utilizada. É claro que o torque é importante -- daí sempre ser mencionado nas fichas técnicas -- por ser, juntamente com a rotação, uma das componentes da potência. Dois carros hipotéticos de mesmo peso, aerodinâmica e potência, ambos com transmissões corretamente "casadas" com o motores, terão desempenhos máximos absolutamente iguais, não importa o torque de cada um.

O torque somente terá influência nas situações de retomada e subidas, em que menos torque implicará maior uso das marchas disponíveis e dificuldade para arrancar em aclives fortes. O importante é o fabricante do veículo conciliar o conflito entre potência e elasticidade.

Exemplos recentes são o BMW 325i (2,5-litros) de 192 cv, que passou a 2,8 litros (328i) e teve a potência aumentada em 1 cv apenas, e a chegada do motor Fire 1,0-litro de 55 cv no Palio, 6 cv menos que no motor Fiasa anterior. Dois casos de sacrificar potência para aumentar elasticidade e tornar o veículo mais fácil de ser utilizado nas variadas condições de tráfego.

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Data de publicação deste artigo: 29/6/02

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