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A marcha certa para o tranco e as
mudanças de baixa rotação


Por conhecer a precisão e a responsabilidade com que os assuntos são abordados, não acredito haver ninguém melhor para tirar dúvidas relacionadas a esse mundo do automóvel. Um site que consegue traduzir toda a competência, o objetivismo e a clareza em tudo o que faz. É um verdadeiro guia para os apaixonados por carro.

1) Com relação ao consumo de combustível, li algumas revistas que se dizem "especializadas" se contradizerem quando o assunto é economia. Vocês afirmam que para se obter um menor consumo é interessante fazer a mudança de marcha com baixa rotação. Já uma outra revista contradisse os métodos de economia citados por vocês, dizendo que com a maior pressão no acelerador estará sendo enviada maior quantidade de combustível que não será totalmente queimado, gerando desperdício e conseqüentemente, maior consumo. E agora? Diante de tantos argumentos contrários, o que devo fazer para conseguir consumir o mínimo possível? E esse método 1-3-5, é ou não realmente eficaz?

2) Pôr o carro para "pegar no tranco" é uma prática desaconselhável por ser prejudicial ao conjunto, podendo quebrar o dente de uma engrenagem, entre outros. Li uma revista conceituada dizer ser o "mais correto" efetuar o tranco com o carro engrenado em terceira. Outra revista do ramo dizia segunda marcha. E uma terceira dizia: "Use a segunda se o declive for pequeno e a terceira se o declive for mais acentuado." Enfim, que marcha devo usar? Segunda, terceira ou depende realmente do declive? E posso fazer o tranco também com o carro sendo empurrado para trás? Nesse caso devo usar a marcha à ré ou segue a mesma marcha usada no movimento para frente?

Petterson Marinho
Recife, PE
pkyller@hotmail.com

Posso "dar tranco" em um carro com injeção eletrônica? O BCWS, para mim, é o site mais completo que existe hoje. Vocês englobam tudo o que eu sempre quis saber sobre carro e moto.

Pietro Rafael Sartori
Limeira, SP
pipirs@bol.com.br

Não há nenhuma contra-indicação mecânica em fazer o motor pegar por tranco. Pode ser usada qualquer marcha, de preferência as mais baixas, por produzirem mais rotação no motor nas baixíssimas velocidades de carro empurrado. Motores pegam no tranco até em marcha à ré, se for conveniente por questão de espaço ou se o veículo estiver numa ladeira com a frente voltada para cima.

Só não se deve tentar fazer o motor funcionar por tranco se houver algum problema de ignição, pois combustível não-queimado poderá chegar ao catalisador (se tiver) e danificá-lo em poucos quilômetros assim que o motor funcionar. Pela mesma razão, desde a introdução do catalisador (ao lado), no ano-modelo 1992 da maioria dos carros nacionais, não mais se devem utilizar sistemas antifurto que interrompem a ignição, "afogando" o motor.

Lembre-se que foi por ter feito o motor pegar no tranco que Ayrton Senna conseguiu largar no Grande Prêmio do Japão de 1988,  vencer a prova e sagrar-se campeão mundial pela primeira vez. É que a área de largada da pista de Suzuka possui ligeira declividade -- suficiente para o McLaren/Honda MP4/4 1,5-litro com turbocompressor de Senna se deslocasse alguns centímetros e pegasse por tranco após o motor morrer na largada.

Sobre a dúvida em consumo, esqueça publicações "especializadas" por aí: é impressionante o que se escreve de bobagens, calcadas em conceitos técnicos errôneos ou em critério nenhum. Qualquer um que possua computador de bordo em seu carro poderá confirmar, efetuando medições de consumo médio, que o método de baixas rotações com acelerador mais aberto traz menor consumo, mantendo-se o ritmo de viagem inalterado.

Imprimir velocidade ao carro, a partir da imobilidade, utilizando apenas primeira, terceira e quinta marcha vai ao encontro deste método, sendo uma receita válida e comprovada nos testes da Saab sueca.

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Data de publicação deste artigo: 14/9/02

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