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Não há nenhuma
contra-indicação mecânica em fazer o motor pegar por
tranco. Pode ser usada qualquer marcha, de preferência as mais baixas,
por produzirem mais rotação no motor nas baixíssimas
velocidades de carro empurrado. Motores pegam no tranco até em
marcha à ré, se for conveniente por questão de espaço ou se o veículo
estiver numa ladeira com a frente voltada para cima.
Só não se deve tentar fazer o motor funcionar por tranco se houver
algum problema de ignição, pois combustível não-queimado poderá
chegar ao catalisador (se tiver) e danificá-lo em poucos quilômetros assim
que o motor funcionar. Pela mesma razão, desde a introdução do
catalisador (ao lado), no ano-modelo 1992 da maioria dos carros
nacionais, não
mais se devem utilizar sistemas antifurto que interrompem a ignição,
"afogando" o motor.
Lembre-se que foi por ter feito o motor pegar no tranco que
Ayrton Senna conseguiu largar no Grande Prêmio do Japão de 1988,
vencer a prova e sagrar-se campeão mundial pela primeira vez. É que a
área de largada da pista de Suzuka possui ligeira declividade --
suficiente para o McLaren/Honda MP4/4 1,5-litro com turbocompressor de
Senna se deslocasse alguns centímetros e pegasse por tranco após
o motor morrer na largada.
Sobre a dúvida em consumo, esqueça publicações
"especializadas" por aí: é impressionante o que se escreve
de bobagens, calcadas em conceitos técnicos errôneos ou em critério
nenhum. Qualquer um que possua computador de bordo em seu carro
poderá confirmar, efetuando medições de consumo médio, que o
método de baixas rotações com acelerador mais aberto traz menor
consumo, mantendo-se o ritmo de viagem inalterado.
Imprimir velocidade ao carro, a partir da imobilidade, utilizando
apenas primeira, terceira e quinta marcha vai ao encontro deste
método, sendo uma receita válida e comprovada nos testes da Saab
sueca.
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