por Fabrício Samahá 

Confiabilidade dos 16-válvulas
é preconceito que não se justifica


Ouço falar que o motor de 16 válvulas não é tão confiável como o de oito. Qual o motivo dessa informação que circula no meio? Procede para todos os automóveis nacionais, independentemente da cilindrada?
         
Roberto Vannutelli
Brasília, DF

Segundo alguns mecânicos, o motor 16V é muito problemático, dá muita oficina. Se é verdade, por que isso acontece? O que provoca essa má fama?

José Antonio de Lima
Aracaju, SE

Tenho um Gol 16V 2001. Muita gente tem me falado que não é bom carro, melhor seria de 8V. Gostaria de saber as vantagens e desvantagens dessas válvulas e se tem alguma diferença no uso delas na estrada ou cidade (dizem que na estrada o carro usa todas as válvulas e na cidade só metade delas).

Viviane de Oliveira Smaniotto
Ponta Grossa, PR

O preconceito contra os motores de quatro válvulas por cilindro, ou 16 no caso de quatro cilindros, vem mesmo ganhando espaço, como se nota pelas mensagens dos leitores. Todavia, é um preconceito injustificado, pois o fato de haver duas válvulas de admissão e duas de escapamento por cilindro, em vez de apenas uma para cada função, nada acarreta na durabilidade e na confiabilidade do motor. Tanto que os fabricantes japoneses, como Honda e Toyota, usam 16 válvulas na maioria de seus carros nacionais desde a década passada, sem que haja notícia de qualquer problema crônico ou de baixa vida útil para esses motores. Pelo contrário, desfrutam de elevada reputação. Até diesel tem quatro válvulas por cilindro hoje, caso do Hilux.

Pode-se supor que os mecânicos não gostem muito dos motores 16V por um só motivo: a aparente maior dificuldade de manutenção. Ao trocar a correia dentada de acionamento dos comandos de válvulas, por exemplo, é preciso sincronizar duas árvores em vez de uma só. Sincronizar significa colocar o comando na posição correta em relação ao virabrequim, sem o que o motor funciona mal e pode até se danificar. Isso explica o medo que muitos mecânicos têm em efetuar serviços nos motores 16V, sobretudo os de duplo comando. Esse "medo" do duplo comando é antigo e remonta ao tempo do FNM 2000 JK, de 1960, mesmo só tendo duas válvulas por cilindro. São raros os modelos de 16 válvulas com comando único, caso do 1,0 da Renault (que foi usado também no Peugeot 206) e dos 1,5, 1,6, 1,7 e 1,8 dos Hondas Fit e Civic. Esses já não assustam tanto os mecânicos.

Parte do preconceito foi criado com os motores 1,6-litro 16V do Corsa, que deram muitos problemas de esticador da correia dentada, erroneamente associados às 16 válvulas. O rolamento do esticador quebrava-se, a correia perdia tensão, os comandos perdiam sincronização e ocorria atropelamento de válvulas pelos pistões, cujo reparo não era barato.

Esclarecendo à leitora, as 16 válvulas estão em atividade por todo o tempo, no caso do Gol e da quase totalidade dos modelos (uma exceção é o Fit 1,5, em que uma das duas de admissão de cada cilindro mantém-se imóvel em certas condições de uso). A noção errônea de que as válvulas a mais só funcionariam na estrada tem, provavelmente, origem no melhor desempenho do motor 16V em altas rotações, mais comuns nesse tipo de uso. No trânsito urbano lento, em que as baixas rotações predominam, os motores de oito e 16 válvulas têm desempenho próximo, o que pode dar a impressão de que as válvulas adicionais não tenham utilidade.

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Data de publicação: 5/1/08

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