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O
preconceito contra os motores de quatro válvulas por cilindro, ou 16
no caso de quatro cilindros, vem mesmo ganhando espaço, como se nota
pelas mensagens dos leitores. Todavia, é um preconceito injustificado,
pois o fato de haver duas válvulas de admissão e duas de escapamento
por cilindro, em vez de apenas uma para cada função, nada acarreta na
durabilidade e na confiabilidade do motor. Tanto que os fabricantes
japoneses, como Honda e Toyota, usam 16 válvulas na maioria de seus
carros nacionais desde a década passada, sem que haja notícia de
qualquer problema crônico ou de baixa vida útil para esses motores.
Pelo contrário, desfrutam de elevada reputação. Até diesel tem quatro
válvulas por cilindro hoje, caso do Hilux.
Pode-se supor que os mecânicos não gostem muito dos motores 16V por um
só motivo: a aparente maior dificuldade de manutenção. Ao trocar a
correia dentada de acionamento dos comandos de válvulas, por exemplo,
é preciso sincronizar duas árvores em vez de uma só. Sincronizar
significa colocar o comando na posição correta em relação ao
virabrequim, sem o que o motor funciona mal e pode até se danificar.
Isso explica o medo que muitos mecânicos têm em efetuar serviços nos
motores 16V, sobretudo os de duplo comando. Esse "medo" do duplo
comando é antigo e remonta ao tempo do
FNM 2000 JK, de 1960,
mesmo só tendo duas válvulas por cilindro. São raros os modelos de 16
válvulas com comando único, caso do 1,0 da Renault (que foi usado
também no Peugeot 206) e dos 1,5, 1,6, 1,7 e 1,8 dos Hondas Fit e
Civic. Esses já não assustam tanto os mecânicos.
Parte do preconceito foi criado com os motores 1,6-litro 16V do Corsa,
que deram muitos problemas de esticador da correia dentada,
erroneamente associados às 16 válvulas. O rolamento do esticador
quebrava-se, a correia perdia tensão, os comandos perdiam
sincronização e ocorria atropelamento de válvulas pelos pistões, cujo
reparo não era barato.
Esclarecendo à leitora, as 16 válvulas estão em atividade por todo o
tempo, no caso do Gol e da quase totalidade dos modelos (uma exceção é
o Fit 1,5, em que uma das duas de admissão de cada cilindro mantém-se
imóvel em certas condições de uso). A noção errônea de que as válvulas
a mais só funcionariam na estrada tem, provavelmente, origem no melhor
desempenho do motor 16V em altas rotações, mais comuns nesse tipo de
uso. No trânsito urbano lento, em que as baixas rotações predominam,
os motores de oito e 16 válvulas têm desempenho próximo, o que pode
dar a impressão de que as válvulas adicionais não tenham utilidade.
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