por Fabrício Samahá 

Pneus: a pressão de enchimento
em diferentes condições de uso


Os manuais dos veículos apresentam apenas duas faixas de pressão adequada para os pneus: até meia carga e carga completa. Na Zafira, por exemplo, para o veículo lotado a recomendação é de 38 libras e, com até três passageiros, de 30 libras. É estranha essa amplitude e faz desacreditar um pouco da importância da pressão. Não seria conveniente empregar outros níveis de pressão? Por exemplo, com peso de 400 kg usar por hipótese 35 libras. E no caso de um carro, num curto espaço de tempo (um dia), alternar várias vezes a lotação completa com a mínima, tornando impraticável alterar freqüentemente a pressão dos pneus, qual a calibragem a ser usada?

Arno Alberto Borowski
Porto Alegre, RS - aa-borowski@bol.com.br

Tenho um Citroën C3 1.6. Com a pressão recomendada pelo manual (30 dianteiro e 33 traseiro, com meia carga) o carro fica muito duro e barulhento e pulando bastante. A concessionária me orientou usar 28 nos quatro pneus. Desta forma o carro ficou muito mais macio e silencioso. Posso usar esta calibragem sem prejuízo? Qual calibragem vocês recomendam?

Carlos Roberto Dias Iema
São Paulo, SP - carlos.iema@drummond.com.br

Como se sabe, a pressão de enchimento dos pneus é um importante fator para sua vida útil, o desempenho, economia e estabilidade do carro. Um pneu com pressão insuficiente leva a flexão excessiva da carcaça, o que produz calor e acelera o desgaste; apóia-se mais sobre as laterais nas curvas, o que reduz a estabilidade e a durabilidade; tem aumentado o atrito com o solo, com perdas em desempenho e economia; e se expõe mais a danos em buracos ou obstáculos. Por outro lado, a pressão excessiva diminui a aderência; faz o pneu se apoiar mais no centro da banda de rodagem, o que causa desgaste irregular; deixa o carro mais duro, ao transferir à suspensão uma carga maior de impactos e vibrações; e tensiona a estrutura dos flancos, tornando-os mais sensíveis a cortes em pedras.

Por tudo isso, os fabricantes de automóveis e de pneus realizam longos testes para definir a pressão mais adequada, que é específica para cada modelo e situação de uso. Alterar esse parâmetro para mais ou para menos significa expor-se a alguns riscos. Mas há casos em que uma pequena alteração, da ordem de 2 ou 3 lb/pol2, traz uma melhora perceptível (seja em conforto ou estabilidade) sem se afastar muito da pressão recomendada.

É o caso do C3 do leitor Carlos Roberto: menos 2 lb/pol2 na frente é uma diferença discreta, que tende a não causar problemas. Na traseira a diferença é maior, 5 lb/pol2, de modo que seria interessante experimentar uma pressão intermediária (como 30 ou 31 lb/pol2) e verificar o efeito. De qualquer modo, sugerimos que as pressões recomendadas pelo fabricante sejam restabelecidas ao efetuar viagens com o carro, pois o calor gerado em longos percursos pode ser prejudicial com a menor pressão adotada.

Ao leitor Arno: certamente seria interessante haver uma tabela completa de pressões, conforme a carga aplicada ao carro, sobretudo em um modelo de sete lugares como a Zafira. Se o fabricante não a forneceu, entende-se que buscou simplificar o uso do veículo. Assim, o leitor pode obter por conta própria as pressões intermediárias. Se são indicadas 30 lb/pol2 com até três pessoas (peso total médio de 210 kg) e 38 lb/pol2 com sete pessoas e bagagem (em torno de 500 kg), sua sugestão de 35 lb/pol2 para um peso médio de 400 kg faz todo o sentido. Lembre-se de fazer o mesmo cálculo para os pneus dianteiros.

Quanto a um carro que tem variação freqüente de carga dentro de um dia, pode-se optar por uma pressão intermediária entre as que constam do manual. Escolher uma das indicações extremas poderia trazer os problemas citados acima quando a carga estivesse muito diferente da prevista.

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Foto: Fabrício Samahá - Data de publicação: 5/5/07

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