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As
coisas não são tão simples assim. A porcentagem de alteração a que o
leitor chegou significa apenas que a relação final de transmissão
ficou 9,59% mais longa (com pneus maiores que os anteriores) ou mais
curta (com pneus menores).
Para saber o efeito disso na velocidade, é preciso verificar a
rotação do motor ao atingir a velocidade máxima, antes e depois da
mudança de pneus. Se ele está agora mais próximo da rotação de maior
potência do que antes, espera-se aumento de velocidade; se estiver
mais distante dessa rotação, deverá haver perda de velocidade.
Como exemplo, considere um carro com potência máxima a 6.000 rpm
cuja transmissão original foi calculada para que, à velocidade
máxima de 180 km/h, o motor esteja a 5.500 rpm. Com pneus 9,59%
maiores, essa rotação cairia a 4.975 rpm (5.500 - 9,59%), um
tanto abaixo do ponto de potência máxima. Com a alteração, o carro
terá maior dificuldade de vencer a resistência do ar. É provável que
não mais atinja 180 km/h nas mesmas condições.
Se, por outro lado, os novos pneus forem 9,59% menores, a
transmissão será encurtada na mesma proporção e os 180 km/h serão
atingidos a 6.025 rpm (5.500 + 9,59%). Embora a potência caia depois
de seu ponto máximo, é possível que a velocidade final fique acima
da original, pois a pouco mais de 180 km/h o carro ainda deverá ter
potência para vencer a resistência do ar.
Quanto ao consumo, é ainda mais complexo prever o resultado. De
maneira geral, transmissão mais longa (com pneus maiores) resulta em
menor consumo, pois a rotação do motor diminui e, para que seja
produzida a mesma potência de antes, o acelerador terá de ser mais
aberto, dentro do princípio do método
carga de direção. Só que isso tem limite: se o alongamento for
excessivo, pode ser necessário reduzir marcha em algumas condições
de uso, pondo a perder a economia pretendida. No caso oposto, de
transmissão encurtada por pneus menores, a rotação será maior e o
consumo tende a crescer. Mas, em situações específicas, pode ser
possível o uso de marchas superiores às usadas com os pneus
originais, trazendo então economia.
Cabe lembrar que não consideramos aqui os efeitos de pneus bem
maiores na aerodinâmica, que influem tanto na velocidade máxima
quanto no consumo. Há ainda fatores a se considerar como
geometria de suspensão e direção, altura de rodagem (afeta a
estabilidade), leitura de velocímetro e hodômetro (com pneus maiores
eles passam a indicar menos) e possibilidade de interferência dos
pneus com pára-lamas e órgãos mecânicos. Por isso, recomenda-se que
alterações no diâmetro dos pneus não superem 2% para mais ou para
menos em relação à medida original de fábrica. O Consultório
Técnico traz diversas consultas relacionadas a esses efeitos.
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