por Fabrício Samahá 

Efeitos do diâmetro dos pneus em
velocidade máxima e consumo


Usando a ferramenta para cálculo da diferença dos pneus, cheguei a uma diferença de 9,59%. Isso significa que velocidade e consumo estão 9,59% maiores?

Alexandre Berci
Irajai, SC - xandeberci@gmail.com

As coisas não são tão simples assim. A porcentagem de alteração a que o leitor chegou significa apenas que a relação final de transmissão ficou 9,59% mais longa (com pneus maiores que os anteriores) ou mais curta (com pneus menores).

Para saber o efeito disso na velocidade, é preciso verificar a rotação do motor ao atingir a velocidade máxima, antes e depois da mudança de pneus. Se ele está agora mais próximo da rotação de maior potência do que antes, espera-se aumento de velocidade; se estiver mais distante dessa rotação, deverá haver perda de velocidade.

Como exemplo, considere um carro com potência máxima a 6.000 rpm cuja transmissão original foi calculada para que, à velocidade máxima de 180 km/h, o motor esteja a 5.500 rpm. Com pneus 9,59% maiores, essa rotação cairia a 4.975 rpm (5.500 - 9,59%), um tanto abaixo do ponto de potência máxima. Com a alteração, o carro terá maior dificuldade de vencer a resistência do ar. É provável que não mais atinja 180 km/h nas mesmas condições.

Se, por outro lado, os novos pneus forem 9,59% menores, a transmissão será encurtada na mesma proporção e os 180 km/h serão atingidos a 6.025 rpm (5.500 + 9,59%). Embora a potência caia depois de seu ponto máximo, é possível que a velocidade final fique acima da original, pois a pouco mais de 180 km/h o carro ainda deverá ter potência para vencer a resistência do ar.

Quanto ao consumo, é ainda mais complexo prever o resultado. De maneira geral, transmissão mais longa (com pneus maiores) resulta em menor consumo, pois a rotação do motor diminui e, para que seja produzida a mesma potência de antes, o acelerador terá de ser mais aberto, dentro do princípio do método carga de direção. Só que isso tem limite: se o alongamento for excessivo, pode ser necessário reduzir marcha em algumas condições de uso, pondo a perder a economia pretendida. No caso oposto, de transmissão encurtada por pneus menores, a rotação será maior e o consumo tende a crescer. Mas, em situações específicas, pode ser possível o uso de marchas superiores às usadas com os pneus originais, trazendo então economia.

Cabe lembrar que não consideramos aqui os efeitos de pneus bem maiores na aerodinâmica, que influem tanto na velocidade máxima quanto no consumo. Há ainda fatores a se considerar como  geometria de suspensão e direção, altura de rodagem (afeta a estabilidade), leitura de velocímetro e hodômetro (com pneus maiores eles passam a indicar menos) e possibilidade de interferência dos pneus com pára-lamas e órgãos mecânicos. Por isso, recomenda-se que alterações no diâmetro dos pneus não superem 2% para mais ou para menos em relação à medida original de fábrica. O Consultório Técnico traz diversas consultas relacionadas a esses efeitos.

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Data de publicação: 30/6/07

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