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Apresentação

Arte equilibrada em duas rodas

O estilo elegante e de personalidade é o ponto alto da italiana Aprilia Motó 6.5

Texto: Emerson Costa - Edição: Fabrício Samahá - Fotos: divulgação

O conceito é bem simples: duas rodas, um quadro, motor e componentes, guidão e farol. Pronto, tem-se uma moto. Mas não é bem assim para Philippe Starck e para a italiana Aprilia. Eles queriam construir mais que uma moto, queriam uma obra de arte. Construíram a Aprilia Motó 6.5.

Uns, ao observar essa Aprilia de lado, verão uma motocicleta composta por curvas. Outros, círculos ou côncavos e convexos... o interessante é que a Motó não segue o estilo tradicional de se desenhar uma motocicleta: nela todas as partes parecem ser uma só. A frente acompanha as linhas do restante do conjunto, com seu farol, espelhos retrovisores e instrumentos redondos. O guidão é baixo, valorizando o painel.

Esguia, a Motó 6.5 capricha nos detalhes de aparência, como o radiador
integrado ao protetor de cárter e o banco que se mistura ao pára-lama traseiro

Este é simples em instrumentação, com três corpos: um maior à direita, o velocímetro; um médio à esquerda, o termômetro do motor; e um menor, ao centro, as luzes-piloto. Na Motó tudo está muito integrado: o tanque arredondado, sem qualquer vinco, recobre o motor e tem um encaixe perfeito com o radiador de água -- por sinal, muito bem desenhado. Este, por outro lado, encaixa-se num protetor de cárter.

O motor fica protegido pelo tanque, radiador, protetor de cárter, caixa do escapamento e quadro (na parte posterior), só sendo visíveis seus lados esquerdo e direito. O banco avança pelas laterais e seu término é tão sutil que o início do pára-lama traseiro é praticamente sua continuação. Este fica bastante alto -- como em uma moto de uso misto -- de modo que a roda pareceria estar solta não fosse o braço oscilante da suspensão.

Mecânica

O propulsor da Motó é um Rotax de 649 cm³ fabricado na Áustria, fruto de um acordo entre BMW, que o projetou, e Aprilia, que faz a montagem final. Equipa também a BMW Funduro e a Aprilia Pegaso. Tem cinco válvulas, duplo comando no cabeçote, refrigeração líquida e alimentação através de dois carburadores Mikuni de 33 mm.

O motor Rotax, fruto de um acordo com a BMW, tem cinco válvulas e árvore de balanceamento para anular as vibrações típicas de um grande monocilindro. No painel, simplicidade

É um motor forte e robusto, de apenas um cilindro e eficiência mais que adequada para um bom desempenho da Motó (a potência e o torque máximo não são divulgados). Se a vibração é algo característico dos big-singles (médios e grandes motores monocilíndricos), um sistema com árvore de balanceamento procura eliminar esse inconveniente. Por outro lado, não é tão elástico em baixos regimes, por volta de 2.000 rpm.

Todos os cabos dos instrumentos foram dispostos de maneira a interferir o mínimo no visual. Uma série de outros elementos estão também disfarçados, sempre com a preocupação da aparência.

A Aprilia, no Brasil, classifica a Motó como uma street (motocicleta urbana). No exterior ela é classificada como custom e tem até uma linha de acessórios, como pára-brisa e bolsas laterais de couro, para deixá-la ainda mais "customizada", isto é, adaptada ao usuário.

Ainda que as motocicletas não tenham atingido o grau de uniformização dos carros, é louvável que um modelo se distancie o quanto pode do que houve e do que há. Mesmo porque isso revela um exercício do poder criativo dos projetistas.

No Brasil a Motó 6.5 é vendida como morto urbana, mas na Europa adota o estilo custom, com opção de pára-brisa, bolsas de couro no tanque e laterais, entre outros acessórios

A Motó 6.5 tem um preço salgado: muitas pessoas questionariam R$ 17.900 gastos em uma motocicleta. O consumidor compraria um carro zero-km com esse dinheiro, e até com alguns opcionais -- mas certamente seria "mais um" no meio do trânsito. Talvez esse seja o maior benefício dessa motocicleta: a personalidade e a fuga do lugar-comum.

Esguia, a Motó tem agilidade de 125 no trânsito urbano. Por suas suspensões e altura mínima do solo (204 mm), garante uma condução confortável mesmo com tantos buracos pelas ruas. Com um consumo médio razoável (16 km/l), é um veículo econômico. Pelo motor bem disposto em altos regimes, é valente nas estradas. E para acrescentar um pouco mais, é uma motocicleta elegante e de personalidade. Observando todos os aspectos, dentro de sua categoria a Motó 6.5 tem uma relação custo-benefício bastante boa.
Ficha técnica
MOTOR - 1 cilindro, 4 tempos, refrigerado a água. Comando no cabeçote, 5 válvulas por cilindro. Cilindrada: 649 cm³. Potência e torque máximos, ND. Dois carburadores Mikuni de 33 mm. Partida elétrica.
CÂMBIO - 5 marchas.
FREIOS - dianteiro e traseiro: a disco com pinça flutuante.
SUSPENSÃO - dianteira, hidráulica, com garfo telescópico, curso de 135 mm; traseira, monoamortecida, curso de 120 mm.
PNEUS - dianteiro, 100/90 x 18; traseiro, 130/90 x 17.
DIMENSÕES - comprimento, 2,133 m; largura, 0,8 m; altura, 1,06 m; entreeixos, 1,475 m; altura do banco, 810 mm; capacidade do tanque, 16 litros; peso, 150 kg.
Dados do fabricante. ND = não divulgado

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