Flexibilidade em duas rodas

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A Honda lança a CG Titan Mix, primeira moto flexível do mundo,
e mostra também a NXR 150 Bros reformulada e com injeção

Texto: Geraldo Tite Simões - Fotos: divulgação

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O logotipo Mix nas laterais é uma das poucas novidades visuais da CG

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Com ganho mínimo de potência, o desempenho é praticamente igual

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Uma luz no painel recomenda adição de gasolina em baixa temperatura

Bem que a Amazonas Motos Especiais tentou: chegou a apresentar um modelo custom de 250 cm³ com motor flexível em combustível, que aceita gasolina e álcool, com tecnologia da Delphi. Mas quem colocou no mercado a primeira moto flexível foi a Honda, que no dia 9 de março mostrou ao mundo a nova CG 150 Titan Mix. A expressão “mostrou ao mundo” não é figura de linguagem, mas sim o mote principal deste lançamento. Trata-se de um lançamento com boa dose de interesse político: neste momento, é muito oportuno que a Honda mostre ao mundo ser capaz de produzir uma moto flexível. O que está em jogo é a matriz energética mais limpa e não exatamente a venda da motocicleta. De fato, mal a Honda anunciou o lançamento, o site da Honda do Japão apresentava a notícia com destaque em sua página principal.

A novidade vem, de qualquer forma, ao encontro de uma realidade: nas cidades nas quais o preço do álcool chega a ser até 50% mais baixo que o da gasolina, muitos motociclistas já usam álcool há muito tempo. E a transformação no motor carburado é, em geral, nenhuma. Eventualmente se troca o giclê por um maior e se altera a altura da agulha do carburador para enriquecer a mistura, nada mais do que isso. Não há qualquer tratamento interno no tanque de gasolina, carburador, etc., o que fatalmente traz problemas a médio prazo.

A introdução da injeção eletrônica trouxe na garupa a facilidade em produzir uma moto flexível. Aliás, uma história de bastidor: quando a YS 250 Fazer foi apresentada no Salão Duas Rodas de 2006, um dos responsáveis pelo desenvolvimento, o preparador Massaharu Tanigawa (já falecido), me confessou que queria lançar a moto já como flexível, mas a diretoria da Yamaha rejeitou a idéia. Isso é que é falta de senso de oportunidade... Logo depois encontrei duas Fazers na estrada, com placas azuis de teste, e ambas exalavam o aroma característico de álcool. Ou seja, a fábrica já estudava essa possibilidade desde o lançamento mas, não se sabe por que, acabou engavetando o projeto.

Como é a Mix   É praticamente a mesma CG 150 Titan com injeção eletrônica lançada para 2009. As mudanças foram poucas e quase invisíveis. O estilo se manteve, apenas com a expressão “Mix” gravada nas laterais da moto. Para resolver o principal problema de um motor movido a álcool — a partida a frio —, a Honda usou a solução mais pragmática possível: recomenda o uso de 20% de gasolina a cada abastecimento (equivalente a três litros por tanque) para quem vive em regiões com temperaturas abaixo de 15°C.

Para orientar o piloto, há um mecanismo de alerta por lâmpadas no painel de instrumentos. Se a luz MIX estiver acesa, o usuário deve abastecer com um mínimo de dois litros de gasolina. Caso a lâmpada ALC esteja acesa, é preciso adicionar pelo menos três litros de gasolina. O painel apresenta grafismo com fundo verde, remetendo ao tema da preservação ambiental. A solução do tanque suplementar de gasolina, como nos carros flexíveis de hoje e nos movidos a álcool desde os anos 70, foi descartada por questões de praticidade e segurança. Na década de 1980 a Honda chegou a produzir a CG 125 a álcool, mas em tempos de carburador a solução foi o tanque suplementar, muito incômodo para abastecer.

Em relação à Titan 2009, a Mix só teve as seguintes alterações: tela antichama no bocal do tanque (atendendo a uma exigência das normas brasileiras), tanque de gasolina de maior capacidade (já da linha 2009) com 16,1 litros, bico injetor com oito orifícios de passagem em vez de seis, filtro secundário de combustível, tratamento interno do tanque de combustível e do potenciômetro do marcador de combustível, bomba de combustível com novo tratamento interno para suportar a oxidação provocada pelo álcool e, claro, reprogramação do módulo de gerenciamento do motor.

O funcionamento do módulo é muito simples. Ele contém quatro mapas programados: programa 1, tanque abastecido com gasolina; 2, tanque com gasolina e álcool na mesma proporção; 3, tanque com maior quantidade de álcool; e 4, tanque abastecido apenas com álcool. Um sensor localizado na saída do coletor de escapamento analisa a quantidade de oxigênio liberada pela queima e, a partir dessa leitura, o módulo altera o avanço da ignição e o tempo de injeção. Continua

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Data de publicação: 17/3/09

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