Combinado para frear

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CB e XRE, as novas 300 da Honda, ganham um sistema de freios
antitravamento que surpreende pela eficiência no asfalto e fora dele

Texto: Geraldo Tite Simões - Fotos: divulgação

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A CB 300 R ficou bem mais segura em frenagens fortes, mas o sistema combinado tende a afetar o comportamento quando se freia nas curvas

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Além do antitravamento e da atuação combinada, a CB ganhou freio a disco na roda traseira, o que explica ter sofrido maior aumento de preço

Ao contrário do que muita gente acredita, o sistema de freios antitravamento (ABS) surgiu nos trens e não no avião. Imagine-se a dificuldade que é frear um veículo pesado com um baixíssimo coeficiente de atrito entre as rodas e a "pista", no caso os trilhos. A necessidade de um sistema que evitasse o travamento fez surgir o ABS no transporte ferroviário. Em seguida foi a vez da aviação. O grande responsável pela frenagem dos aviões pesados é o sistema aerodinâmico chamado de reverso. Mesmo assim, sobra muito trabalho para os freios das rodas no momento de aterrissar e taxiar. Nos dias de chuva ou neve, esses freios representavam uma grande chance de derrapagem.

Depois de algumas tentativas na década de 1960, caso do inglês Jensen Interceptor, só nos anos 80 o sistema chegou a carros de diversas marcas e a motos, de início pela BMW. Os primeiros ABS eram grandes, lentos e só funcionavam bem em piso muito regular. A maior conquista desse sistema veio com a miniaturização dos sistemas eletrônicos e o aumento exponencial da capacidade e da velocidade de processamento dos microprocessadores. A produção em escala e a simplificação permitiram ao ABS chegar a motos menos sofisticadas e, agora, a dois produtos de baixa cilindrada produzidos no Brasil: as recém-lançadas Hondas CB 300 R e XRE 300.

O sistema da Honda, chamado de Combined ABS (ABS combinado), inclui um dispositivo que distribui a força de frenagem entre as rodas dianteira e traseira, para aumentar a eficiência dos freios e evitar o mergulho da suspensão dianteira e a perda de aderência do pneu traseiro. O ABS conta com sensores de leitura em ambos os freios, um módulo de controle que processa as informações dos sensores, pinça de três pistões na dianteira, freio a disco na traseira (inédito na CB) e luz de advertência do funcionamento no painel. A frenagem combinada funciona assim: quando o piloto aciona apenas o pedal do freio traseiro, entram em ação o pistão único da pinça traseira e um dos três pistões da pinça dianteira. Quando aciona ambos os freios, dianteiro e traseiro, são comandados os três pistões da pinça dianteira e o pistão traseiro. Mas, quando o piloto usa apenas a manete do freio dianteiro, não atua o freio traseiro.

Na avaliação para a imprensa, pegamos a CB e fomos para uma pista asfaltada onde a Honda realiza os testes. Usando as marcações no asfalto como referência, várias frenagens foram feitas a 80 km/h com a CB 300 dotada de ABS. Depois, com uma CB sem o sistema, repetimos a experiência. Impressiona o aumento substancial no espaço de frenagem sem ABS, na ordem de 20%, mas também a dificuldade em frear sem travar a roda traseira. Com ABS, fizemos de tudo para travar a roda traseira sem sucesso. No sistema convencional, fizemos de tudo para não travar e também foi um fracasso. Depois de frear a nova versão, parece que desaprendemos a pilotar.

Um dos inconvenientes do ABS da BMW é o efeito de retorno da manete e do pedal quando se freia sobre irregularidades. Feita essa experiência dezenas de vezes com a CB 300, a sensação de retorno foi tão ínfima que chega a ser desprezível. Contudo, um efeito colateral preocupa. Em motos não se pode acionar o freio dianteiro no meio de uma curva, porque a moto tende a levantar e a seguir reto. Por isso se deve usar o freio traseiro nas curvas, com a devida moderação. No caso do freio combinado, ao acionar o freio traseiro o dianteiro também atua — e é bem notável a tendência de a moto levantar no meio da curva. Uma forma de contornar esse efeito é estar previamente atento e “trazer” a moto com força para o interior da curva enquanto se estiver freando. Continua

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Data de publicação: 26/9/09

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