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O motor refrigerado a líquido,
de potência próxima à da Biz 125, traz boa agilidade ao Lead, que tem
câmbio CVT: nada de marchas para trocar



Praticidade: espaço para dois
capacetes abaixo do banco, porta-luvas atrás da carenagem e bom
bagageiro com alças de apoio para o garupa

Com quatro cores, o Lead chega
para concorrer mais diretamente com o Burgman, mas serve também de
alternativa a motos como Biz e Neo |

Só
que aí traz um problema: a roda traseira de 12 pol complica o espaço de bagagem sob
o banco. Então a Honda recorreu à solução de rodas assimétricas, como já
acontecia na Biz. No caso do Lead, são 12 pol na frente e 10 atrás, já
que a roda que precisa se manter equilibrada pelo efeito giroscópico é a
dianteira. Com isso, o
espaço sob o banco é imenso e pode comportar dois capacetes, um aberto e
um fechado. Também há um porta-luvas no escudo frontal e um bagageiro.
Outra boa notícia: para abrir o banco basta pressionar a chave no
contato; nada de procurar uma fechadura no escuro.
Mais uma decisão bem
bolada é a forma de fixação da roda traseira, com apenas uma porca. Quem
tem Burgman 125 sabe o trabalho que dá retirar a roda traseira — é
preciso remover até o escapamento! Esse tira-e-põe escapamento, sem
conhecimento nem ferramenta adequada, acaba causando dois problemas: as
cabeças dos parafusos se espanam ou o prisioneiro do coletor quebra
dentro do cilindro. E o que era para ser uma simples operação de rotina
vira um grande problema.
Como de costume na categoria, o câmbio do Lead é automático por polia
variável (CVT), sem trocas de marcha ou manete de embreagem. A novidade
é o sistema de freio integral, com dianteiro a disco de acionamento
hidráulico e traseiro a tambor com acionamento mecânico. Quando o piloto
aciona apenas a manete esquerda (que seria o freio traseiro), aciona
também o dianteiro. Aí vem a sacada: todo freio integral que conhecíamos
em motos tinha comando hidráulico, mas neste caso um pequeno cabo,
ligado à manete do freio traseiro, puxa o servo do freio dianteiro que
aciona o cilindro-mestre hidráulico. Se o piloto usar a manete direita,
aciona só o freio dianteiro; se usar a da esquerda, aciona os dois
freios. Na prática, achamos algo estranho de usar.
Uma boa alteração pela fábrica seria instalar um apoio lateral, porque é
chato ter de colocar o scooter no cavalete central a cada parada. Aliás,
o local para o apoio lateral já existe e, se o Lead tem freio de
estacionamento, é sinal de que foi previsto o apoio. E por que não tem?
Por segurança. Alguns usuários relataram acidentes com scooters
estacionados no apoio lateral, por alguém virar o acelerador sem querer
e o veículo sair andando descontrolado, já que o câmbio CVT não requer
engate de marcha ou uso de embreagem. Há até um filme na internet no
qual um adulto desce do scooter e deixa o motor ligado. A criança na
garupa decide girar o acelerador... Mesmo assim, o apoio deveria ser opcional.
Bom é o farol com lâmpada de 35 watts, como em motos médias, e que vira
com o guidão, o que torna mais rápido iluminar o caminho em curvas se
comparado a faróis montados na carenagem, como o do Burgman. A boa
capacidade do tanque de gasolina (6,5 litros) evita o abastecimento
frequente, comum em alguns scooters. A bateria selada dispensa
manutenção e o bonito painel inclui marcadores de combustível e
temperatura do motor. Tudo isso num conjunto leve (109 kg a seco) e
acessível para pilotos de qualquer nível de habilidade, como deve ser
nesse tipo de veículo.
Lead, em inglês, pode significar liderar ou conduzir alguém a algum
lugar, significados que caem bem à proposta do scooter. No jargão
jornalístico, porém, é o nome que se dá ao primeiro parágrafo de um
texto — aquela coisa de “quem, quando, onde e por quê?” que deve atrair
o leitor. Por isso, a piada no evento de lançamento à imprensa era
apelidar o scooter de Primeiro Parágrafo... Brincadeiras à parte, ele
tem tudo para ser o primeiro veículo de muita gente e, para a Honda,
nada melhor que estar presente na vida do motociclista desde o início.
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