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A ousadia que falta no estilo
aparece na mecânica, como as suspensões: a dianteira de dois braços,
sem o tradicional garfo telescópico, e a traseira monobraço |
Quando se pensa em motocicleta BMW logo vêm à mente os dois cilindros
opostos e protuberantes, uma espécie
de marca registrada do fabricante do Sul da Alemanha. Marca registrada
porque essa configuração de motor data de 1923 e, nesses 82
anos, quatro gerações viram a peculiar e vistosa moto, a série R, que
trazia também desde o início a transmissão por árvore (cardã) em vez
da comum corrente. Um verdadeiro símbolo da Alemanha.
Mas em 1983 — há 22 anos, portanto — a BMW inovava com a série K, na
tentativa de produzir uma estradeira de jeito americano: o motor
passava a ser de quatro cilindros em linha e era montado na
horizontal, sempre em sentido longitudinal. A motocicleta ficou mesmo
exuberante em técnica e principalmente tamanho. Mas faltava alguma
coisa entre a tradição da “R” e o conforto supremo da “K”, ambas de
1.200 cm³. Não mais: surgiu a esportiva K 1200 S, lançada semana
passada no Brasil, poucos meses depois da Europa.
O motor de quatro cilindros em linha e 1.157 cm³, que desenvolve
potência máxima de 167 cv a 10.250 rpm, fica agora na transversal e
inclinado 55° para frente, resultando em
centro de gravidade mais baixo em relação à concorrência. Com um
peso de 248 kg com o tanque cheio, o resultado é um desempenho
marcante, como o 0-100 km/h poder ser feito em 2,8 segundos, de acordo
com a fábrica. A velocidade máxima não é divulgada, mas certamente a R
1200 S passa de 250 km/h.
Todo o envelope é avançado e sofisticado, como a suspensão dianteira
não-telescópica, mas de dois braços, com mola e amortecedor no centro
(olhando-se a moto de lado), à qual a BMW dá o nome de Duolever —
justamente dois braços em inglês. A construção permitiu incorporar
eficiente característica antimergulho ao frear. Há também a vantagem
de eliminar todo o atrito inerente aos garfos telescópicos
tradicionais, o que contribui para a suavidade, além de o movimento do
guidão ser desassociado da suspensão por ser ligado por dois braços
articulados aos garfos. Outro ganho é a distância entre eixos de 1,571
m se manter constante e independente do curso da suspensão, ao
contrário do sistema telescópico tradicional.
A suspensão traseira, chamada Paralever (abreviação de braços
paralelos em inglês), é monobraço, com a árvore de transmissão em seu
interior e o par cônico de engrenagens na extremidade correspondente à
roda. Continua
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