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Guerreira das estradas

Quadro e suspensão de alumínio, estilo agressivo e
um V2 de 1.670 cm3 compõem a Yamaha Warrior

Texto: Fabrício Samahá - Fotos: divulgação

O mundo não mais se satisfaz com velhos parâmetros. Há alguns anos, o piloto de qualquer moto esportiva -- totalmente carenada, claro -- brigava para domar o ímpeto do motor em subir de giros, sentava-se com as mãos quase na altura dos pés e, invariavelmente, terminava o passeio pelo calçadão da praia com dores nos braços. Enquanto isso, os admiradores das customs curtiam uma posição de pilotagem cômoda, um bom torque em baixa rotação, mas se enfureciam ao encarar uma estrada sinuosa com suas motos de comportamento dinâmico medíocre.

Farol, tanque e pára-lamas pequenos: a prioridade no estilo é para os elementos mecânicos, como o motorzão de dois cilindros em V que domina a vista lateral

A fusão de categorias mudou tudo isso. Hoje há esportivas plenamente aptas ao uso em passeio, e existem customs capazes de tomar curvas com vigor sem sustos. Mas o maior ícone dessa combinação do "melhor de dois mundos" parece ser uma Yamaha de porte imponente e aparência agressiva, apresentada no Salão de Tóquio de 2001. Seu nome: Road Star Warrior.

Road Star significa estrela da estrada, em inglês, e identifica toda uma família de customs da marca japonesa. Warrior é guerreira, o que diz muito de sua personalidade. A Yamaha a define como uma hot-rod, expressão que surgiu nos anos 30, quando os americanos começaram a "envenenar" velhos automóveis para competições nos Lagos Salgados. Power cruiser, algo como estradeira de alta potência, é outra classificação que vem sendo atribuída a essa moto inclassificável.

O pneu traseiro tem 200 mm de seção, a maior entre as motos de rua hoje, mas os 14,3 m.kgf de torque (medidos na roda) ainda permitem certos abusos...

A Warrior baseia-se no motor V2 de 1.670 cm3 da Road Star convencional, preparado para um ganho de 40% em potência e instalado em um quadro de alumínio, com suspensões derivadas das que servem à superesportiva YZF R1. Cada pistão tem 97 mm de diâmetro e 113 mm de curso, deslocando 835 cm3, uma das maiores cilindradas unitárias já vistas numa moto de série.

A concepção do motor é clássica, com comando de válvulas no bloco, duas válvulas por cilindro e refrigeração a ar, ao contrário da nova Harley-Davidson V-Rod, que passou a arrefecimento líquido e comando nos cabeçotes com quatro válvulas. Mas traz soluções claramente voltadas ao desempenho: cabeçote (único) com maior dissipação de calor, comando de válvulas mais "bravo", duas velas por cilindro, pistões forjados, injeção eletrônica de última geração, lubrificação por cárter seco e escapamento 2-em-1 com coletor de aço inoxidável.

A Warrior permanece fiel à refrigeração a ar e ao comando no bloco, ao contrário das recentes Honda VTX e Harley V-Rod. A transmissão usa correia dentada, para manutenção simples e baixa massa não-suspensa

As cinco marchas são mais que suficientes dado o generoso torque do motor, que infelizmente não é informado, assim como a potência e os índices de desempenho. A Yamaha fornece apenas medições na roda traseira (no motor os valores seriam bem maiores): 79,9 cv a 4.400 rpm e 14,3 m.kgf a 3.500 rpm. E garante que sua guerreira efetua o quarto-de-milha (aceleração de 0 a 402 metros) junto da Honda VTX 1800. Continua

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Data de publicação deste artigo: 29/10/02

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