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Xenofobia, novo valor empresarial norte-americano

Um novo e insólito fator integra os métodos administrativos norte-americanos, a xenofobia. Foi o ingrediente final que tirou Jacques Jac Nasser da posição de maior executivo da Ford Motor Company. 

Engenheiro, financista, hábil, trinta e três anos em carreira vitoriosa na Ford. Chamou atenção ao ocupar a diretoria financeira da Autolatina, no Brasil. Resolveu os problemas da Ford Europa, reconquistando vendas, posições e lucros, o que o promoveu ao segundo cargo na hierarquia mundial, responsável pelas operações industriais e comerciais da marca em todo o mundo.

Criou o Projeto Ford 2.000, objetivo de excelência para funcionários, revendedores e fornecedores em torno de uma grande empresa. Definiu a nova família de veículos New Edge, e identificou os produtos com relógios personalistas. Sucedendo Alex Trotman na presidência da Ford mundial, fez lucros nunca vistos por montadora em tempo algum; distribuiu rendimentos sequer imaginados pelos acionistas.

A mistura da fórmula de sua defenestração começou pelos pneus Firestone, que Nasser mandou trocar em todo o mundo, em milhões de unidades. A aferição do novo Explorer, eliminando qualquer possibilidade de problemas com pneus, atrasou seu lançamento. Para complicar, o Explorer, segundo mais vendido no mercado norte-americano, surgiu com problemas, com recall e quedas em vendas.

Os prejuízos foram bem menores que os lucros e a expansão da companhia no período. Em tempos de normalidade universal, seria mero porém caro percalço. Mas após a queda das torres do WTC, os EUA passaram a ver todo descendente de árabe como suspeito. Um jornal deu o novo ritmo empresarial, proclamando ser inadmissível que a Ford, mais antiga e emblemática marca dos EUA, fosse conduzida por um descendente de árabes que não falava inglês -- numa alusão ao sotaque australiano de Nasser. Esta nova configuração, e mais o fato de a companhia estar alicerçada firmemente, de a família Ford contar com um herdeiro disponível, apto e em posição executiva, como William Clay Ford, criaram o resultado final.

Nasser se aposenta aos 53 anos. Bem sob o aspecto financeiro, mas com certeza frustrado pelo final melancólico de uma carreira exitosa, mas seccionada por um condicionamento social e político que lhe suprimiu a oportunidade de corrigir imperfeições.

Roda-a-roda
Bromélia - Depois da DaimlerChrysler fomentar cooperativa paraense, na produção de tecidos em fibra de coco para os revestimentos internos de caminhões da marca e do Classe A no Brasil, a Volkswagen está em caminho idênticos, de outra planta amazônica. É o Curauá, tipo de bromélia, de fibras quatro vezes mais resistentes que a juta e a malva. Quer mantas para enchimento dos bancos de seus veículos.

Solução - Cientistas da Universidade da Califórnia perceberam que um dos elementos mais poluidores do meio ambiente, os pneus usados, quando pulverizados servem como adubo à produção de crisântemos em estufas. Testes dão bons resultados. Mas é de se questionar: existirão tantos clientes para crisântemos na mesma proporção que há pneus para fazer este adubo?

Ex-sucata - Operários da linha de estamparia da Volkswagen na fábrica de São Bernardo do Campo, SP, aproveitam retalhos de chapa, antes destinados à sucata, na construção do Gol. A inventividade economizará 611 toneladas/ano em chapas de aço, reduzindo em 6% o peso da carroceria. Atualmente a VW estuda 36 ações neste sentido.

Mercado - Com a perspectiva que os novos Corollas cheguem ao mercado nacional em fevereiro, fábrica e concessionários estão em esforços para colocar as unidades de produção final do atual modelo. A versão XEI, com transmissão manual, cujo preço de tabela é R$ 38 mil, está sendo comercializada pela rede Toyota a R$ 33 mil.

Aquecimento - A nova fábrica da Ford em Camaçari, na Bahia, abriu os portões para os caminhões-cegonha com as primeiras unidades do picape Courier destinadas à rede de distribuição. Serão produzidas até março de 2002, quando será substituído pelos novos Fiesta e retornará a produção em São Bernardo do Campo, SP. A fabricação dos Courier baianos é um aquecimento industrial, preenchendo
capacidades
entre a inauguração e o início da fabricação do Projeto Amazon.

E por isto...
- A Fiat havia cancelado o projeto de aplicar transmissão 4x4 em seus picapes, projetando que a pequena demanda não justificaria. Agora percebe que para a versão atualizada do Palio Weekend Adventure, aplicada em terrenos ruins, a produção não atende à demanda. Há espaço no mercado para um utilitário mais barato e com tração mas quatro rodas.

Prós e contras - A valorização do dólar provocou a instalação de uma fábrica de sílicas pela Rhodia, em Paulínia, SP. A sílica HDS é elemento para a produção dos pneus chamados "verdes", que eliminam menos poluentes e reduzem o consumo de combustível.

Antagonismo - Há intenso atrito nas negociações entre a Volkswagen e seus funcionários em São Bernardo do Campo, SP. Os novos processos de produção tem menor participação de mão de obra, e para equilibrar a montadora propôs demissão ou a manter empregos, porém com redução proporcional dos salários.
O clima é de desentendimento, com a sensação que os dirigentes sindicais, preocupados com as eleições próximas, não pretendem solução rápida e negociada, mas um confronto que possa agregar valor eleitoral.

Mercado - Na liquidação feita pelas fábricas, importadoras e seus distribuidores para se livrar do estoque restante dos veículos ano/modelo 2001, a redução de preço permite boas oportunidades de negócios. Em São Paulo, capital, distribuidores Ford ofereciam o bom Ford Mondeo GLX 2.0 a R$ 40 mil -- o novo modelo 2002 deve chegar a R$ 70 mil.

Importados - Mês de novidades no setor. Começa a comercialização do Jaguar X-Type; do BMW série 3 e do Audi A6. Adicionalmente às novidades do mês passado, Citroën C5 e Audi A4.

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