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A Chrysler de volta

Novo leque de produtos, novas expectativas de resultado no mercado, esperanças de superar a imagem de gestão sem objetivos. A Chrysler renovou a linha de veículos e chega ao país em quatro vertentes básicas, projetando, otimistamente, vender 2.000 unidades neste ano.

A empresa resumiu sua linha: continua com o carro-chefe Grand Cherokee, simplificou os automóveis no solitário porém bem formulado Sebring (foto), mantém o PT Cruiser como referência do insólito, e centrou esperanças na Grand Caravan. Olhados isoladamente, cada um ocupa espaço bem definido, características marcantes, embora seus preços sejam desnecessariamente elevados. Não importará os jipes Wrangler nem reiniciará a distribuição de picapes Dodge, trilha que abriu com a produção depois encerrada -- pelo menos temporariamente.

A conclusão que avulta é que a Chrysler não está querendo competir no mercado. Pretende cumprir uma cota pequena, distribuída por uma reduzida rede assistencial, na maioria de concessionárias Mercedes-Benz, com altos lucros unitários, em vez de lucros menores e quantidades maiores.

Vermelha, com V de vergonha

A derrota de Rubens Barrichello para Michael Schumacher, determinada pela Ferrari nos últimos metros do GP da Áustria, exibe polêmicas: Contrato é para ser cumprido? Equipe não tem sensibilidade? Valeu a pena o desgaste? Conversas para fim de noite.

Pensando negocialmente, porque o orçamento da Ferrari para corridas é de US$ 350 milhões, com a finalidade de gerar imagem de tecnologia e performance para todos os produtos sob o guarda-chuva da Fiat, que a possui, o que me parece claro, além do fato, são os desdobramentos. É que a FIA, órgão internacional do automobilismo, deve ter-se agitado com a grosseria do sucedido, e se tiver cabeça, baixará instruções para inibir estes atos antiesportivos, que matam o esporte, cortam a motivação, desincentivam as torcidas. A soma destes componentes baixará interesses televisivos e presença nos autódromos, e isto é contra o automobilismo e sua formidável máquina de fazer dinheiro.

A trapalhada ferrariana não podia ocorrer de maneira mais insensível: exatamente quando a FIA discute seus erros de marketing e postura, fazendo disparar os custos da Fórmula 1, alijando empresas participantes, hiperelitizando o capital, desmotivando interessados. Não poderia ser pior sintonizado ao momento em que a Fiat capta apoios financeiros para cobrir prejuízos, e que o Brasil é seu melhor mercado de atuação. O boxe da Ferrari pode entender de corridas, mas não percebe sua função no contexto institucional e empresarial. 

Roda-a-roda
Denatran - O Ministro da Justiça exonerou Jorge Guilherme Francisconi, diretor do Denatran, o departamento nacional de trânsito. Aparentemente o diretor apertou os parafusos destas máquinas de arrecadar dinheiro de maneira questionável, também chamados radar de estrada. Seja por isto ou por conta de qualquer outra coisa, em ano eleitoral a lógica é o que menos pesa; mérito o que menos vale.

Mais uma - Outra montadora se instala no Brasil. Agora é a Cross Lander, nas facilidades da Zona Franca de Manaus para produzir jipe e picape diesel, tração nas quatro rodas, visando os compradores que ficaram órfãos dos Toyota Bandeirante. Cross Lander é marca brasileira e os produtos são da romena Aro, de formulação antiga, e que em Portugal foram produzidos sob o nome de Portaro. A dúvida é sobre viabilidade e continuidade. Nenhuma montadora de automóveis conseguiu sobreviver com operações tão distantes dos maiores mercados consumidores.

Frontier - A Nissan, que iniciou produzir o picape Frontier na fábrica de sua associada Renault, no Paraná, anunciou lançá-los na primeira semana de junho, em cabine dupla, tração total e motor MWM Sprint, de 4 cilindros. Deve sacudir o mercado. Tem tecnologia japonesa, mas em aparência difere das patrícias Toyota e Mitsubishi e das americanas GM S10 e Ford Ranger.

De volta - Proposta bem resolvida em 30 anos de prática, a Volkswagen dinamizou seu "Curso Mecânica Volkswagen para Amadores". Inteiramente remodelado em produtos e meios de comunicação, é oferecido graciosamente em todos os 605 revendedores da marca.

Mercado - O fluxo de produção está maior que o de vendas; as principais marcas -- hoje são 6 -- esforçam-se para abrir espaço no mercado, fazendo vendas, garantindo participação. Estamos no período das séries especiais e das facilidades de aquisição, como os bônus ou as compras feitas via Internet, tudo com a pretensão de aumentar facilidades. Na prática do mercado, válida para nacionais e importados, significa que até
o final do ano os revendedores de todas as marcas criarão facilidades. É a hora da caça.

Gás - Ao que parece a conversão de motores para o uso de gás natural veicular, agora vai -- a iniciativa privada resolveu entrar no negócio para valer. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, definiu o Processo Produtivo Básico, rol de intervenções industriais realizado na Zona Franca de Manaus para dar cara nacional ao equipamento. A White Martins fará os equipamentos lá.

Lei 1 - O Superior Tribunal de Justiça decidiu que os Detrans não podem firmar contratos com empresas operadoras de radar, pagando-as sobre produção de multas. Isto deve reduzir a festa da multa, hoje o objetivo mais aparente da política de trânsito.

Lei 2 - Para acabar com as dúvidas o deputado Renato Vianna (PMDB-SC) apresentou o Projeto de Lei 6607/02, modificando o Código de Trânsito Brasileiro para estabelecer que a fiscalização de trânsito, por meio eletrônico ou audiovisual, só poderá ser feita diretamente pelo órgão de trânsito com circunscrição sobre a via.

História - A Ford comemora 45 anos da produção do primeiro caminhão e motor no Brasil, um F-600 com motor Power King, V8, 4.500 cm3 e 164 cv brutos de potência. Hoje a empresa opera a mais moderna das fábricas de caminhões no Brasil. O mesmo 2002 serviu, em contra-mão, para a General Motors desistir de produzir caminhões e picapes, também pioneiros industriais com a linha Chevrolet Brasil e o motor 261, de seis cilindros e 4.200 cm3, em 1958.

Performance - Marca nova, a paranaense Matra, pode requerer inscrição no Guiness: a cabine de sua primeira série durou apenas seis meses. Um novo modelo, baseado no projeto estético anterior, oferece maior área envidraçada e espaço interno. O Matra, 4x2 ou 4x4, utiliza chassi em longarinas, suspensões por molas semi-elíticas e motor diesel International 2,5 litros, diesel com 115 cv. Simples e simplório, destina-se aos serviços árduos.

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