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Novidades importadas começam pela volta à cena do picape Dodge, agora o Ram, em ponto maior relativamente ao Dakota que era produzido no Paraná, o que pode induzir compradores a achar que é uma retomada industrial. Mas não é. Este é importado do México, com motor Cummins diesel, V8, 5,7 litros, 238 cv, e em pacote completo: automático, tração nas quatro rodas, cabine dupla. Por enquanto balão de ensaio, pesquisa ao vivo. Se respondida à altura, a importação será viabilizada. Nesta direção a DaimlerChrysler dispõe-se a trazer ao Brasil qualquer produto das duas marcas, com garantia e assistência técnica -- como o esportivo Viper ou o jipe G, da Mercedes, cheio de habilidades e que custa incríveis US$ 160 mil.

Em resumo

Um retrato do Salão mostra-o como o da estratégia da sobrevivência, das importações meramente pontuais, resumidas e, em oposição, das exportações enzimatizadas. Uma nuance é a da mostra da transição, deixando de enfatizar os carros 1.0 como atrações, privilegiando os de motores maiores, agora menos penalizados pelo Imposto sobre Produtos Industrializados, IPI. Finalmente, é o salão do reconhecimento. Por instâncias da Comissão JK, expõe painéis alusivos à vida do presidente Juscelino Kubitschek, que viabilizou a instalação da indústria.

Corridas organizadas, a fórmula da Renault

Fabricantes no Brasil vivem relação de amor e ódio com as corridas de automóveis, embora ao início, todas tiveram ou apoiaram equipes que corriam com sua marca, prática fundamental para expor a resistência e as proezas em velocidade dos carros nacionais tentando se implantar contra a frota importada.

Nos anos posteriores houve participações em categorias-escola, como a Fórmula Ford, Vê e Fiat, e em ralis, corridas de resistência ou velocidade. A GM patrocinou por muito tempo a Stock Cars, com Opalas e depois Omegas.

Estas iniciativas, usualmente fugazes, penalizam executivos, acostumados a tratar e prestar contas em rigorosos esquemas empresariais, e quando se envolvem com as corridas descobrem a flexibilidade de conceitos e o amadorismo. Resultados passados foram ruins para empresas, executivos e para o esporte-motor.

Mudou

A Renault, recém-chegada ao país, promotora de dezena de categorias diferentes na Europa, entrou no negócio com profissionalismo, em acordo com o ex-piloto de Fórmula 1 Pedro Paulo Diniz, por sua empresa, a PPD. Esta, com a Brunoro & Coco Sport Business, tem chancela da marca para organizar as Fórmulas Renault e Clio. 

No primeiro caso, o piloto compra um dos 30 monopostos italiano Tatuus. Monocoque -- a estrutura central -- em fibra de carbono, motor do Renault Clio RS, 2,0 litros, 16 válvulas, 183 cv a 6.300 rpm. Caixa seqüencial com 6 marchas, diferencial blocante. Pesa 480 kg e chega a 230 km/h. Na Fórmula Clio, a Renault vendeu Clio 1.6, do qual foram retirados os itens desnecessários, e com o motor 1,6 16V programado para corridas, gerando 130 cv.

Estas operações foram realizadas inicialmente com encomendas diretas à PPD ou à Renault. Mas como o número de veículos é limitado pelas regras para as corridas de rua, havendo duas destas provas dentre as nove corridas que compõem a temporada, hoje ambas as categorias estão com lotação máxima e para novas participações há que se comprar o lugar de um desistente. Na Fórmula Renault, em torno de R$ 450 mil. Na Fórmula Clio, uns R$ 150 mil. O montante inclui o veículo, assistência, transporte, apoio durante pela temporada.

Em casa

Outra novidade em relação às experiências de outras marcas, cujo envolvimento nas corridas ocorria fora dos portões, é que a Renault individualizou um engenheiro com experiência em carros de corrida, para ser o interface com as corridas. Ele acompanha as provas e as regulagens das centrais eletrônicas e do desenvolvimento de componentes junto à engenharia da Renault.

Outra característica da Fórmula Renault é incentivar corridas em circuitos de rua, que atraem mais público, montando atividades paralelas, de forma a tornar-se o grande evento da cidade. Na prática isto significa a instalação de show rooms especiais para promoções rápidas, test-drives, financiamentos, provocando um grande movimento em torno da marca -- e vendas. Hoje a temporada emprega duas corridas de rua -- Vitória e Florianópolis -- mas quer ampliar para quatro em 2003. Em Vitória, o circo da Renault vendeu 56 veículos no final de semana da corrida, além dos inúmeros test-drives e negócios futuros.

Cara limpa

Jornalistas resumem as Fórmulas: "É a dos sem-barba e sem-carteira", indicando que seus participantes têm pouca idade -- alguns sem carteira de motorista; para as corridas a idade mínima é 16 anos. Mas com pretensões a seguir o caminho de Kimi Räikkonen, na McLaren; do brasileiro Felipe Massa, da Sauber; Antonio Pizzonia, piloto de testes da Williams; Augusto Farfus Jr, campeão da Fórmula Renault européia 2001. O limite para premiação é de 21 anos.

A organização insiste em ponto básico de formação profissional, a apresentação, premiando com um Renault Clio a equipe melhor exposta. Outro prêmio a quem fica nos boxes é uma Renault Scénic à equipe vencedora. Aos pilotos, prêmios em dinheiro. E ao vencedor, uma temporada na Fórmula Renault francesa. É um início de reerguimento do automobilismo do Brasil, maior exportador de pilotos. Continua

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