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Corridas organizadas, a fórmula da Renault
Fabricantes no Brasil vivem relação de amor e ódio com as corridas de automóveis, embora ao início, todas tiveram ou apoiaram equipes que corriam com sua marca, prática fundamental para expor a resistência e as proezas em velocidade dos carros nacionais tentando se implantar contra a frota importada.
Nos anos posteriores houve participações em categorias-escola, como a Fórmula Ford, Vê e Fiat, e em ralis, corridas de resistência ou velocidade.
A GM patrocinou por muito tempo a Stock Cars, com Opalas e depois
Omegas.
Estas iniciativas, usualmente fugazes, penalizam executivos, acostumados a tratar e prestar contas em rigorosos esquemas empresariais, e quando se envolvem com as corridas descobrem a flexibilidade de conceitos e o amadorismo. Resultados passados foram ruins para empresas, executivos e para o esporte-motor.
Mudou
A Renault, recém-chegada ao país, promotora de dezena de categorias diferentes na Europa, entrou no negócio com profissionalismo, em acordo com o ex-piloto de Fórmula 1 Pedro Paulo Diniz, por sua empresa, a
PPD. Esta, com a Brunoro & Coco Sport Business, tem chancela da marca para organizar as Fórmulas Renault e Clio.
No primeiro caso, o piloto compra um dos 30 monopostos italiano Tatuus. Monocoque -- a estrutura central -- em fibra de carbono, motor do Renault Clio RS, 2,0 litros, 16 válvulas, 183 cv a 6.300 rpm. Caixa seqüencial com 6 marchas, diferencial
blocante. Pesa 480 kg e chega a 230 km/h. Na Fórmula Clio, a Renault vendeu Clio 1.6, do qual foram retirados os itens desnecessários, e com o motor 1,6 16V programado para corridas, gerando 130 cv.
Estas operações foram realizadas inicialmente com encomendas diretas à PPD ou à Renault. Mas como o número de veículos é limitado pelas regras para as corridas de rua, havendo duas destas provas dentre as nove corridas que compõem a temporada, hoje ambas as categorias estão com lotação máxima e para novas participações há que se comprar o lugar de um desistente. Na Fórmula Renault, em torno de R$ 450 mil. Na Fórmula Clio, uns R$ 150 mil. O montante inclui o veículo, assistência, transporte, apoio durante pela temporada.
Em casa
Outra novidade em relação às experiências de outras marcas, cujo envolvimento nas corridas ocorria fora dos portões, é que a Renault individualizou um engenheiro com experiência em carros de corrida, para ser o interface com as corridas. Ele acompanha as provas e as regulagens das centrais eletrônicas e do desenvolvimento de componentes junto à engenharia da Renault.
Outra característica da Fórmula Renault é incentivar corridas em circuitos de rua, que atraem mais público, montando atividades paralelas, de forma a tornar-se o grande evento da cidade. Na prática isto significa a instalação de
show rooms especiais para promoções rápidas, test-drives, financiamentos, provocando um grande movimento em torno da marca -- e vendas. Hoje a temporada emprega duas corridas de rua -- Vitória e Florianópolis -- mas quer ampliar para quatro em 2003. Em Vitória, o circo da Renault vendeu 56 veículos no final de semana da corrida, além dos inúmeros
test-drives e negócios futuros.
Cara limpa
Jornalistas resumem as Fórmulas: "É a dos sem-barba e sem-carteira", indicando que seus participantes têm pouca idade -- alguns sem carteira de motorista; para as corridas a idade mínima é 16 anos. Mas com pretensões a seguir o caminho de Kimi Räikkonen, na McLaren; do brasileiro Felipe Massa, da Sauber; Antonio
Pizzonia, piloto de testes da Williams; Augusto Farfus Jr, campeão da Fórmula Renault européia 2001. O limite para premiação é de 21 anos.
A organização insiste em ponto básico de formação profissional, a apresentação, premiando com um Renault Clio a equipe melhor exposta. Outro prêmio a quem fica nos boxes é uma Renault Scénic à equipe vencedora. Aos pilotos, prêmios em dinheiro. E ao vencedor, uma temporada na Fórmula Renault francesa. É um início de reerguimento do automobilismo do Brasil, maior exportador de pilotos.
Continua
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