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Um Renault do Brasil para o mundo

Utilizar a base industrial, a fartura de autopeças de qualidade, os insumos e a mão-de-obra de custos muito menores que os europeus, realizando uma soma de custos inferior ao que conseguiria em qualquer outro lugar do mundo, levou a Renault a uma decisão: transformar o Brasil em pólo produtor e exportador de uma família de veículos, construída com a imbatível tecnologia brasileira de fazer carros baratos e resistentes a toda a falta de cultura e de infra-estrutura que caracterizam os países em desenvolvimento -- e os que nunca irão se desenvolver. E daqui exportá-los completos; ou em conjuntos; ou completamente desmontados; ou somente em partes complementares a outros fornecedores.

Não é uma novidade. É o que a Fiat iniciou fazer com o Palio; é o que a Ford faz com o novo Fiesta e fará com o EcoSport, seu pequeno e arrumado utilitário esporte; e o mesmo que a Volkswagen pretenderá com o Tupi (saiba mais), embora não cace a láurea de ser o carro desta marca mais barato em todo o mundo.

O novo carro mundial da Renault já está delineado, com quase todo o projeto pronto, devidamente desenvolvido no centro de pesquisas da empresa, nos arredores de Paris. Entrou na fase em que a receita está quase pronta, e convocou do Brasil algumas pessoas que mesclam o dom da técnica, da vivência local, do conhecimento de custos, somados à intuição. Desta reunião sairão as linhas e definições com a cara do produto.

E não será apenas um, mas a base para uma célula que se transformará no Renault mais vendido do país. Carro para surgir em dois anos. Uma das versões terá inspiração na GM Meriva, cujo surgir surpreendeu e assustou os franceses.

Roda-a-roda
IMV - A Toyota anunciou investimentos na fábrica de Zárate, beiradas de Buenos Aires, Argentina. Não será o utilitário esporte SW4, mas produto de maior relevo, chamado pelo código de IMV -- International Multipurpose Vehicle. Sucessor, mais moderno que o SW4 e, como o nome diz, veículo para uso múltiplo, em âmbito mundial. Coisa para a modelia 2005.

Rali - A Peugeot contratou Paulo Beccardi para gerir seu projeto da temporada de ralis com o modelo 206. A empresa deve sondar a HPE -- a pequena fábrica de transformações e construção de veículos esportivos em Catalão, GO -- para fazer as adequações dos sedãs de fábrica em versões para esta categoria esportiva. Paulo tem berço na especialidade. É filho do Roberto Beccardi, genial engenheiro que emprestava talento à GM no final dos anos '60 e nos '70. 

Retrato - Dele, trabalhos mostram a primitividade de alguns veículos então consumidos como se fossem o pico da tecnologia: fez a versão 250-S para os Opala de seis cilindros, dando-lhe um mínimo de dignidade performática; acertou o motor Detroit Diesel -- um pesadelo para os pequenos empresários caminhoneiros, ambos abandonados pela GM; e desenvolveu o motor 151-S para os Opala quatro-cilindros, que passaram a poder ter carburador regulado com o motor funcionando. Antes, o motor era tão áspero e desbalanceado que para fazê-lo parar de tremer era necessário elevar bestamente a marcha-lenta -- senão, o motor balançava tanto que a chave escapava da fenda dos parafusos de regulagem. Beccardi acertou-o e aplicou-lhe, dentre outras coisas, um volante-motor com maior peso.

Jipe - Dada a semelhança entre o Land Rover e o Fabral Jalapão, que será produzido em Tocantins, esta montadora quer enfatizar suas diferenças: agregação de tecnologia, como o teto em sanduíche de plástico, funcionando como redutor de temperatura; o uso de suspensão com feixes de mola, que alega superiores às molas helicoidais no serviço ruim; e preço, entre 25 e 30 % inferior aos Land Rovers. A similaridade vem do fato que esta marca cedeu licença de produção à espanhola Santana, que substabeleceu-a à Fabral.

Sucessor - Com a cessação de produção do Toyota Bandeirante e o sumiço da fábrica do JPX, as Forças Armadas estão à procura de substitutos para serviços duros e militares. A Land Rover informa que entregará 200 unidades em dezembro, iniciando suprir o déficit da frota velha e superada.

De novo - A Volkswagen voltará a importar os utilitários Eurovan e Caravelle, ambos em versão diesel. Na primeira vez, há alguns anos, os preços elevados inibiram a comercialização pretendida. Agora, ainda que o processo seja enxuto, o baixo valor do real catapulta cotações. 

Ectoplasma - Flutua no mercado uma teoria de consistência: a junção de fabricantes de caminhões, unindo marcas aparentemente distantes, porém próximas. No alinhavar de possibilidades, uma mudança de foco, com uma delas, a mais nova, dedicando atenções somente ao mercado externo, fortalecendo a operação doméstica da mais antiga.

Engrenando - Passado o primeiro turno das eleições e constatando-se que o mundo não acabou, e que o país não pegou fogo, a segunda etapa -- em que pese o dilúvio de investimentos que se transformará em material de propagandas nas ruas captando eleitores, e jatinhos no céu co-optando
apoios políticos -- não será cataclisma, assim como não será a sucessão, seja de quem for, embora todos nós saibamos quem tem maiores chances de vitória no dia 27. Como o 6 de outubro não foi a reedição de 11 de setembro de 2001, isto significa o final do pavor, a imobilidade pelo medo, e se traduz no re-embalo do consumo e todas as suas boas conseqüências de emprego e recolhimento tributário. O país recomeça este ano de poucos -- e inesquecíveis -- meses.

SW - A Toyota anunciou testar unidades da station wagon Corolla. Em toiotês, linguagem cifrada, isto significa que a empresa está nas avaliações finais e que o produto, primeiro desdobramento da família do novo Corolla, será apresentado como lançamento 2004.

Idem - No mesmo caminho a Peugeot fará mesma variação sobre o bem-sucedido 206. Todo o projeto já foi conduzido, aguardando-se apenas o sinal verde, ou seja o cheque autorizativo para o investimento adicional necessário aos gastos de adequação da plataforma, estampos e prolongamento da estação de solda.

Elas - No lançamento do jipe Cross Lander, uma versão brasileira, melhor que o projeto original do romeno ARO, o diretor comercial José Oliveira Neto ficou surpreendido. Nas manobras e na pista de testes, as mulheres saíram-se muito melhor que os homens. Vencida barreira inicial em conduzir veículo massudo, a adaptação aos controles e o uso das habilidades do jipe conquistaram clientes que não estavam nas projeções de vendas.

Elas, 2 - Na mesma Cross Lander as mulheres têm preferência para contratação para a linha de montagem. A direção da empresa entende que são mais cuidados na montagem dos veículos, oferecendo um nível de qualidade melhor e número de imperfeições menor.

Vácuo - Apesar do surgimento e dos bons resultados da Troller no Ceará e da Cross Lander, que intenta fazer 3.000 unidades no próximo ano, o mercado ainda se ressente de um jipe rústico para o árduo trabalho de campo. Algo sem pintura metálica, ar-condicionado, toca-CDs e que-tais que hoje enfeitam jipes, tornando-os luxuosos para uso urbano e distantes do trabalho e dos compradores para aplicações rurais.

Fica - A BMW desistiu de substituir o executivo André Müller Carioba, que preside a filial brasileira. Exportou Johannes Seibert, nomeado sucessor, para dirigir operações no México, e manteve Carioba à frente dos negócios locais. Foi ele quem deu cara, responsabilidade, presença de mercado e lucros à BMW no Brasil acabando seqüência de más operações.

Rede - Com projeto de ampliar vendas, aditivadas pela chegada do Cayenne, o topo-do-topo dos utilitários esporte, a Stuttgart, representante da marca, planeja abrir o leque da rede comercial. Abrirá revenda em Porto Alegre, Rio, Curitiba, Belo Horizonte e uma segunda, em São Paulo.

HPE - Esta empresa, que funciona no distrito industrial de Catalão, GO, próxima à fábrica da Mitsubishi, fazendo o picape L200 versão R -- R de rallye -- e Evolution -- um carro de corridas com chassi em treliça e carroceria meio inspirada no picape L200 --, quer ampliar negócios. Recebeu visita de importadores franceses que querem levar este evoluído produto, projeto e construção nacionais, made in Goiás, para distribuí-los a corredores europeus de rali.
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HENRY FORD
Relógios Populares
Dearborn, Detroit, Mi, USA

Se o inquieto Henry Ford houvesse sossegado com sua primeira criação individual, seria este seu cartão de visitas, e não um dos outros que poderia ter utilizado para apresentar-se no desdobrar de sua carreira empresarial: criador da mobilidade; popularizador de veículos; aumentador de salários; dono da maior fábrica do mundo.

Menino agitado, apreciador da vida no campo -- que sempre lhe serviu de referência, até para moradia, já realizado, nas beiradas de Dearborn, a 15 km de Detroit --, Henry, aos 15 anos, após a morte da mãe, abandonou a escola e foi ser aprendiz numa oficina de máquinas. Logo em seguida em outra, de motores. E à noite, trabalhava em consertos em uma joalheria. 

Lá, o raciocínio mecânico levou-o aos relógios, e destes, a criar um modelo próprio, exclusivo e personalizado, construído por ele, através da moldagem e usinagem das pequenas peças. O relógio de Ford apresentava dois mostradores, tempo oficial, e tempo solar.

Os empregos e o relógio o impulsionaram a trabalhar com locomóveis e seguir a carreira com os automóveis. Caldeiras, locomóveis e relógios nunca seriam vendidos em quantidades, e portanto sem condições de serem baratos, fórmula básica para o sucesso.

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