| Alfa 90 anos A Alfa Romeo comemorou 90 anos de
fundação no último dia 25. Uma trajetória com alguns
percalços e muitas conquistas tecnológicas, esportivas
e comerciais. Uma referência construtiva que gerou frase
atribuída ao então todo-poderoso e admirado Henry Ford:
"Cada vez que vejo um Alfa, saúdo-o com meu chapéu".
Poucas marcas têm o carisma da Alfa, e poucas mantiveram-se
tão fiéis à sua linha de comportamento que acabou se
transformando em filosofia de marketing, os sedãs com
desempenho esportivo e a identificação com as corridas.
Foi na mesma Alfa que Enzo, um piloto médio em
desempenho e conhecimento de engenharia, mas com um fantástico
sentimento mercadológico, saiu para montar uma escuderia
e depois fábrica de esportivos que levou seu nome:
Ferrari. O vermelho que se atribui e associa à Ferrari,
na verdade é vermelho Alfa.
Hoje, o cuore sportivo, expressão que
identifica o escudo frontal da marca com o comportamento
performático, desfruta da melhor imagem de mercado, pelo
excelente casamento entre as linhas de carroceria e o
padrão mecânico. A linha 156, por exemplo, quintuplicou
as vendas deste segmento para a marca.
No Brasil a história da Alfa tem altos e baixos. Começou
importada pelos irmãos Gattai, em São Paulo, depois
vendida pelos Matarazzo. Com a mesma família a Alfa
cometeu uma joint-venture, a Fabral, devidamente aprovada
pelo GEIA para fazer um carrinho revolucionário, o Alfa
103 -- 900 cm3, 52 cv, motor transversal... Não deu
certo e a empresa negociou com a FNM para montar o
Berlina 2000, aqui JK e, depois da Revolução, o FNM
2000. A Alfa comprou a FNM em '68 e evoluiu o produto
para 2150, mudou para 2300, e se manteve em produção até
1986.
Absorvida na Itália pela Fiat em 1989, a empresa entrou
num processo de globalização, de comunização de
plataformas, mas conseguiu manter sua individualidade de
estilo e de mecânica. Está num grande período:
produtos felizes, referências de estilo, boas vendas. No
Brasil importa o 145, o 156 e o 166. Em outubro trará a
156 Sportwagon -- se é possível a uma perua linhas
esportivas, é nesta.
E voltará ao mercado norte-americano pelas mãos de sua
sócia GM, com um novo Spider, substituto do modelo atual.
Aos 90 é uma velhinha competente e atualizada.
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| Usados
têm crescido na preferência do mercado. A razão
é a valentia do preço dos automóveis novos.
Como trazer de volta os consumidores aos salões
das revendas? Hoje, com as vendas virtuais e com
os feirões, o comprador fica esperando as promoções
de fim de semana -- para comprar os mesmos carros,
pelos mesmos preços, negociáveis nas revendas.
A promoção desgasta o negócio e vira contra os
promotores. |
| Bora,
o Golf em três volumes feito no México, será
importado para o Brasil. Vendas em outubro. Com
imposto de importação em 8% não vale a pena
produzi-lo aqui. |
| Fiat
Marea com motor de cinco cilindros, 20 válvulas,
2.400 cm3 e 160 cv, já tem data de lançamento:
30 de julho. Será mais uma opção, mantida a
versão turbo. |
| GM não
conseguiu inaugurar a fábrica de Gravataí, RS,
sem mostrar seu novo produto, codinome Arara Azul,
e que se chamará Celta. Será dia 19 de julho
com direito a presença presidencial e da
diretoria mundial GM. Exibição de relance e
depois fará apresentação formal. |
O Santana subiu ao telhado
Há uma expressão
fundamental e balizadora da vida de um automóvel: break
even point. Mais ou menos o ponto de equilíbrio
entre o volume de produção e a rentabilidade da operação.
Acima do ponto, produz-se. No ponto, o terror corre solto.
Abaixo, acabou, é página virada.
Os Santana e Quantum estão pouco acima dele, bordejando
o Ponto Q, de queda do telhado, onde atualmente passeiam.
Amortizados -- foram projetos fracassados na Alemanha em
'83, transplantados ao Brasil em '84 e há 16 anos no
mercado --, mantém-se como os médios mais baratos por
centímetro, mas estão na zona de perigo. Atualmente
suas vendas andam em torno de 75 unidades/dia. Incontestável
executivo da Volkswagen me disse que se baixarem a 30
unidades/dia, cairão do telhado.
Estás a fim? Antes de comprar olhe as estatísticas de
venda para não micar. Pedro Rodrigues, gerente da VW
baseado em Brasília e ao comando da maior região de
vendas no país, diz que a produção do Santana e do
Quantum não dá para atender à demanda. E como não dá
para aumentar a produção porque o processo de
manufatura é antiquado relativamente à reformulação
industrial que se aplica à fábrica de São Bernardo do
Campo, SP, estes veículos deverão se manter em linha até
a saturação pelo mercado.
Em termos de preço, com uma política comercial de preços
contidos, Santana e o Quantum chegam a situações
curiosas, podendo custar menos que um Gol e que uma
Parati.
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