| Brasília,
salão, sucesso O que era apenas uma sinalização lógica
para uma oportunidade de somar um show às características
de renda, capacidade de formação de opinião e gosto
estético das faixas de renda mais elevada da capital
federal, provou-se verdade incontroversa: a
compatibilidade entre o mercado brasiliense e o Brasília
Auto Show, realizado na ExpoBrasília de 8 a 12 de
novembro.
Montado como um verdadeiro salão do automóvel, agrupava
de um lado 12 marcas, com 11 novidades e lançamentos --
e mais veículos de especial atração como os carros
presidenciais, automóveis caros e pouco acessíveis, além
de veículos de coleção, uma exigência da cidade. E
uma exposição náutica -- Brasília é o quarto mercado
nacional na especialidade. Do outro, uma população com
a maior renda per capita do país; a maior
concentração de habitantes x veículos; o maior nível
de escolaridade; o mais elevado consumo de obras de arte.
Cinco dias de realização, pouco mais de 50 mil pessoas
pisaram em suas passarelas. Aparentemente uma quantidade
pequena, mas que os expositores saudaram como a melhor
amostragem do público que desejavam.
Ministros, políticos, executivos públicos, diplomatas.
Revendedores de veículos de outros estados estiveram
presentes. Um organizador de feiras de liquidação de
estoques deixou a ética e a inibição no estacionamento
e tentava cooptar participantes a um feirão, na
esteira da exposição de 161 veículos e 19 lanchas.
Comercialmente as vendas responderam com um ânimo que não
imaginado, sobre veículos de maior preço. BMW
comercializou um utilitário-esporte X5, um sedã 540i
com itens Motorsport e um conversível Z3. A Fiat fez uma
razia de Mareas sedãs, Weekends e Alfas 156, além de
abrir fila para aquisição da versão Sportwagon. A
Citroën vendeu Xantias, Xsaras e até o jipão Hummer em
seus inatingíveis US$ 160 mil. Uma perua e dois sedãs S40
foram vendidos pela Volvo, enquanto a Suzuki
comercializou as versões mais caras do jipe Grand Vitara
-- os Jimny, mais baratos, não foram vendidos.
A Nara Veículos, concessionária que representava a fábrica
Mitsubishi, acreditava desde o princípio em vendas
qualificadas, projetando vender três unidades do Pajero
Full, lançados em Brasília durante o show. Vendeu o
estoque de 10 unidades, mais um Pajero pequeno e uma
unidade da versão extraequipada do picape L200, atuando
numa faixa entre R$ 60 mil e 120 mil. Em náutica o Brasília
Boat Center registrou a venda de seis lanchas, e
comemorou sua apresentação ao mercado local.
Pesquisa entre os visitantes indicou Mercedes e Ford como
os estandes mais bonitos; Fiat e Ford como os mais
visitados, e caracterizando o mercado Brasília como
centro do maior mercado de picapes, o veículo indicado
como o mais bonito do show foi o F150 Lightning (foto),
importado e trazido pela Ford como sondagem de mercado.
Vendas na mostra e espraiadas pelos concessionários,
interesses explícitos, teste-drives agendados, ausência
de acidentes, incidentes e problemas, estandes amplos,
boa distribuição espacial, ordem, limpeza, o Brasília
Auto Show se encerrou com um sonoro buzinaço, assumindo
a posição de segundo salão no Mercosul, no caminho da
regionalização destas mostras como forma de integrar o
país em torno do automóvel. E com duas certezas: é a fórmula
de evento adequada à população de Brasília, num
encontro de características; e pela soma de interesses,
será evento permanente, voltando a ser realizado em 2002.
Regionalização
A maior importância do
Brasília Auto Show não está, entretanto, na coragem de
seus empreendedores, no apoio das fábricas, na formatação
de um Salão do Automóvel, com mais relevo, por exemplo,
que o de Buenos Aires. Está na proposta de regionalização
destas mostras, surgida pela constatação do pequeno
efeito de vendas e interesses provocados em outros
estados pelo Salão do Automóvel em São Paulo.
Um país com tal dimensão territorial merece um
tratamento regional, e a festa brasiliense assume sua
personalidade de Salão do Automóvel pelo aval do
governo federal, através do Ministério do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior que o
patrocina. Um ícone do poder central aguardava os
visitantes à porta: o Rolls-Royce que é o reserva da
Presidência da República, uma limusine pouco conhecida,
posto que as missões presidenciais são usualmente
desempenhadas pela versão conversível.
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| Venezuela,
um novo mercado para trocas Depois do México, o Brasil caminha
para um acordo comercial sobre veículos com a Venezuela,
terceiro mercado da América do Sul e não participante
do Mercosul.
Trata-se de uma iniciativa particular, pró ativa, levada
a efeito pela Anfavea e pela Cavenez, associações que
reúnem os fabricantes dos dois países, e após
sacramentados os acordos privados, serão levados aos
respectivos governos para aprovação e implementação.
A exemplo do México, a idéia é o estabelecimento de
uma alíquota comum de 8%, contra os 35% atualmente
vigentes, e a uma cota quantitativa para ambos os países.
Com o México a cota é de 90 mil veículos para os dois
primeiros anos.
A Venezuela tem um mercado interno de 150 mil unidades
anuais e é compradora de veículos brasileiros. A Fiat
venezuelana, por exemplo, encerrou suas operações
industriais e passou a importar unidades feitas em Betim.
A GM exporta Corsas e já anunciou exportar o Celta a
partir do próximo ano.
Hoje a balança comercial entre os dois países é
desequilibrada. O Brasil importa US$ 1 bilhão em petróleo
e exporta a metade em manufaturados. A Anfavea tem sido
uma das ferramentas mais úteis ao governo neste processo
de sobrevivência que é abrir mercados e incrementar negócios
externos.
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