Best Cars Web Site

Vel Satis, a coragem Renault
num sedã inovador

De desenho polêmico, o topo de linha da marca francesa
dispensa chave metálica e freio de estacionamento

por Roberto Nasser - Fotos: divulgação

Roberto NasserSe de outra marca, seria esquisito. Mas, sendo Renault, é inovador, futurista, inaugurador de tendências. É o Vel Satis, um automóvel grande, luxuoso, cercado de inovações de conforto e tecnologia, apresentado em versão definitiva no Salão de Genebra, em fevereiro, ousada aposta da Renault no segmento luxo, sucedendo o Safrane, que era seu topo de linha.

Charme é a sua direção básica. Tecnologia e itens de conforto são complementos de harmonia. Comparado a outros automóveis grandes, 4,86 m, tem maior altura para acesso mais confortável. Os 2,84 m como distância entre eixos absorvem vibrações, resultando em excepcional conforto rodante.

Como primeiro produto após a ligação Renault/Nissan, o motor é japonês, seis cilindros em V, 3.500 cm3 de cilindrada e 235 cv a 6.000 rpm, com a transmissão automática Proactive, com cinco marchas. A suspensão traseira utiliza novidadoso sistema multibraço trigonal, uma criação Renault -- a vantagem do sistema de vários pontos de ancoragem, porém mais compacto.

Internamente, decoração em madeira acetinada, bancos em couro claro. Dispensa chave metálica, substituída por cartão magnético, e não tem freio de mão, bloqueando eletronicamente o freio ao desligar o motor e vice-versa. Conforto tecnológico amplo e atualizado: faróis automáticos, sensores de chuva, para estacionar, medidor da pressão dos pneus, assistência de frenagem, controle eletrônico de estabilidade, programação de retenção do cinto de segurança, dois airbags frontais, quatro laterais e dois superiores. Piloto automático que regula a velocidade do veículo em função do deslocamento do que vai à frente. E emprega sistemas multimídia tela grande de DVD para os passageiros do banco traseiro, vídeo ou filmadora, acoplados ao sistema de som Alpine, e GPS com informações sobre o trânsito e rotas alternativas.

Vendas neste final de ano. Preços? Não divulgados, mas nada a ver com o antecessor.

Chrysler indeniza concessionários

Sem definir o que fará com a fábrica onde produzia o picape Dodge Dakota, em Campo Largo, PR, e sem projeto comercial para os produtos Chrysler no mercado brasileiro, a DaimlerChrysler, titular da marca, discute indenizações com os concessionários que deixaram a representação.

A projeção da Chrysler, segundo Luiz Fernando Beréa, diretor, é que a rede de distribuição de 28 distribuidores deve encolher a 10 ou 12. Na atual situação a DaimlerChrysler dispõe-se a discutir indenizações com os desistentes, e complementará atividades dos revendedores do Mercedes Classe A, oferecendo-lhes, nas praças onde não houver representação Chrysler, operar assistência técnica e vendas para ambas as marcas.

Até o 30 de junho a holding definirá o futuro de Campo Largo, hoje em quatro opções: novo produto, possivelmente Mitsubishi adequando a linha de produção; produção de autopeças; transferência do projeto a montadora interessada; ou venda das instalações, encerrando o projeto paranaense e indenizando o Paraná pelos incentivos recebidos.

Os concessionários Chrysler, deixando a marca, optam por outras. As de São José do Rio Preto, SP, e de Natal, RN, fecharam com a Citroën.
Citroën Picasso fecha o ciclo dos monovolumes

O cenário para os monovolumes se encerra com o aparecimento da Citroën Picasso. A partir de agora deve-se observar o estrago nas vendas de peruas e sedãs, cujos usuários considerarão seriamente os monovolumes na hora da troca. Sérgio Habib, presidente da marca no Brasil, descrê das projeções feitas pela Renault e pela GM, que se auto-atribuem grandes volumes de vendas e a liderança do setor, deixando a Citroën em distante terceiro lugar. Sem quantificar o mercado, afirma que as participações serão 1/3, 1/3 e 1/3.

O surgimento da Citroën, marca simpática ao consumidor carioca, é o ícone ufanista do processo de recuperação econômica do Rio de Janeiro. Subitamente a fábrica de onde sai o Picasso, em Porto Real, 150 km ao sul, é dita como a primeira de automóveis no Estado. Não é realidade.

Pioneira no Rio de Janeiro foi a Fábrica Nacional de Motores, na base da serra que vai a Petrópolis, ponto de apoio e difusão tecnológica para a implantação da indústria automobilística brasileira. Produtora de caminhões, há exatos 41 anos e poucos dias fez lançamento do Alfa Romeo Berlina 2000, o JK, por si só, o maior passo de tecnologia naquela época.

Segunda foi a Companhia Santa Matilde, em Três Rios, que produziu no final dos anos 70 o esportivo SM 4.1. A fábrica da PSA, holding que reúne Citroën e Peugeot, pode ser mais moderna, melhor definida, mas não é a primeira.
E o primeiro Peugeot brasileiro pode ser argentino

Entusiasmada com as projeções de demanda de seu modelo 206 com motor 1,0, de produção iniciada em paralelo à da Citroën Picasso, a Peugeot assumiu posição lógica, embora insólita: complementar a oferta com o 206 feito na Argentina. Na prática, significa que o carro apresentado como o primeiro Peugeot brasileiro pode ser, na verdade, argentino. A Peugeot acautela-se com veículos em disponibilidade para uma atender à demanda reprimida. Assim, em vez do ágio, pelo não atendimento da demanda, a suplementação com o produto, mesmo que não-brasileiro.

As vendas do Peugeot 206 feito em Porto Real, RJ, se iniciam em junho, e ainda neste ano, calculando-se entregar 12 mil unidades com motor 1,0 de 16 válvulas e outras 11 mil com motor 1,6, importados da Argentina.

Roda-a-roda
De fora - A DaimlerChrysler desconsiderou a possibilidade de incluir veículos Hyundai em suas linhas de produção, e venderá suas ações da empresa coreana ao decidir que fará sua expansão oriental através da Mitsubishi, sobre a qual aumentou a participação, e com quem tem afinidade de conceitos de engenharia. No varejo do varejo, quer dizer que a linha de montagem da fábrica Mercedes em Juiz de Fora não terá Hyundai em produção, assim como a marca é desconsiderada para qualquer negócio nas fechadas instalações onde se montava o Dodge Dakota em Campo Largo.
Nível - A instalação industrial da Mercedes em Juiz de Fora foi considerada a melhor do mundo, medida a qualidade para a produção de automóveis. Tradução: o Mercedes Classe C, lá montado para exportação, demora a chegar ao mercado interno, enquanto se procede ao desenvolvimento de fornecedores nacionais com qualidade à altura.
Referência - A Alfa Romeo apresentará na segunda, 14, a versão Sportwagon da família 156. O automóvel, que os brasilienses já conhecem do Brasília Auto Show, em novembro, passou pelo processo de adequação às condições brasileiras, e a par de outras características, com certeza se transformará em referência de forma e aplicativo. É irritantemente bonito.
Telhado - Tem-se como lógico na Volkswagen a retirada de produção do Gol em versão 2.0. As vendas do veículo tem-se revelado pífias, pois o Gol Turbo tem resultados assemelhados, menor consumo e menor preço. Não é mágica. O Turbo é 1,0, com favorecimento tributário.
Esforço - A Toyota vendeu à Localiza 60 unidades de seu modelo Corolla equipadas com transmissão automática. São os primeiros com este equipamento de conforto em disponibilidade para locação. A Toyota busca nichos para comercializar o Corolla, no último ano do ciclo da atual modelia.
Menor esforço - Na mesma direção, reduziu os preços da versão XLi com transmissão automática, aos portadores de deficiência física, a R$ 20.805. Com pintura metálica adicionais R$ 386, e promocionalmente os compradores ganham um jogo de rodas em liga leve e um toca-CD.
Curso 1 - A Volvo utilizará o aumento das noções de segurança ao dirigir segura e defensivamente, como forma de identificar seus produtos com estes atributos. Promoverá cursos rápidos pela Volvo Car Drive Academy. Para participar não é necessário ter carro da marca, mas evidentemente a empresa apresentará e divulgará seus produtos.
Curso 2 - Utilizando o modelo Focus, a Ford deu um curso de direção responsável a jovens motoristas de 18 a 23 anos. O objetivo foi transmitir noções sobre condução segura e exercícios para superar situações específicas no trânsito. A proposta faz parte dos projetos da Ford em ter maior envolvimento com a comunidade e depois da iniciativa piloto na pista de testes de Tatuí, SP, deverá ser estendida a outros autódromos.
Terrorismo - O mercado para equipamentos anti-terrorismo se desenvolve. A AGP produz um vidro de 17 mm de espessura com a mesma resistência balística de um vidro de 19 mm, informando como vantagens 10% a menos em preço e 15% menos em preço, sendo adequado aos carros de menor porte e potência que subitamente se transformaram na maior clientela deste sistema. O vidro tem proteção adicional do Solar Plus, sistema que reflete os raios infravermelhos do sol, diminuindo o aquecimento do interior do veículo.
Crise - O presidente da Volkswagen, Herbert Demel disse que transferirá do Brasil para a Argentina linhas de produção da marca, se houver restrições ao fornecimento de energia. Disse também que não investirá em hidroelétricas para gerar energia, porque este não é o negócio de sua companhia. Parece jogo duro, mas é posição de engenheiro racional, lamentavelmente certíssimo. O governo federal bobeou -- e vai levar um choque.
Peso-pesado
Minério - A Scania vendeu 15 unidades de seu caminhão pesado P124, com tração 8 x 4, para que a Sempre Viva Transportes desloque minério em Presidente Figueiredo, a 450 km de Manaus. A empresa havia testado duas unidades ano passado, gostou e investiu R$ 4 milhões no negócio. Os P124, além da novidadosa disposição de quatro eixos, com os dois traseiros com tração e os dois dianteiros com movimento de direção, tem motor de seis cilindros em linha, 12 litros de cilindrada e 360 cv de potência. O caminhão é para 47 toneladas brutas.
Faixa - O ministro José Gregori, como presidente do Contran, assinou a Deliberação 27, tornando obrigatório o uso da faixa refletiva para veículos de carga com peso bruto total acima de 4.536 kg, fabricados após 30 de abril. O PBT indica caminhõezinhos, logo acima dos picapes, e um dos questionamentos é por que a obrigatoriedade é só para os veículos novos, desprezando-se a frota antiga. Resposta simples: lei não pode ser retroativa.
Aeroportos - Quarenta unidades do ônibus Volare foram adquiridos pela Infraero para transporte de passageiros em trânsito nos principais aeroportos internacionais do país. Os Volare são micro-ônibus para 15 passageiros, com a novidade de um degrau inferior para a entrada, e dele há uma versão, a Especial, com mecanismo para transporte de cadeiras de rodas.
Por perguntar - Nosso mercado não tem porte bastante para que se comprem produtos especialmente adequados ao uso, como os ônibus de aeroporto, que deveriam ser largos, baixos e sem escada? Ou veículos construídos para ser duradouros táxis? Ou especialmente resistentes para suportar os serviços públicos, como polícia?
Finado - A CarWin, empresa de acessórios para picapes, corre a promover acessórios em metal cromado para o recém-lançado e descontinuado Dodge Dakota com quatro portas: mata-boi, estribos, capota marítima.
Medo - Fabricantes de conjuntos diesel-geradores sorriem à toa. A imprevidência do país está levando comércio e indústria a comprar geradores de energia com medo de um racionamento que pode comprometer o negócio.
De batata - Óleo da fritura de batata no Mc Donald's, de lanchonetes e restaurantes de Itabuna, Bahia, está virando combustível para motor diesel com processamento pela Universidade Estadual Santa Cruz. É o bio-diesel, que reduz o consumo do diesel importado e a poluição, tanto pelas emissões quanto pelo fato de usualmente o óleo saturado pelas frituras acabar no esgoto.

Colunas - Página principal - e-mail

Correspondência para o autor: rnasser@mymail.com.br