| Antigomobilismo com marketing, a aula de Pebble Beach
Numa praia da
Califórnia ocorre um Concours |
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Pebble Beach é uma prainha entre Monterey e Carmel, costa californiana. Endereço dos mais caros. E é a origem da variante conceitual sobre o melhor dos melhores, superando o original. Ao seu Concours d'Elegance agregaram-se os leilões, as corridas, o Concorso, num fim de semana feérico. No circuito de Laguna Seca, para as Monterey Historic Races, havia uns 300 automóveis. Aos brasileiros a atração maior eram os Malzoni GT, primeiros sul americanos convidados ao evento, no stand da Audi, homenageada por seu centenário, atraindo apreciadores como o veterano piloto Stirling Moss e o de Fórmula 1, Michelle Alboreto, e o designer Sérgio Pininfarina, membro honorário do júri de Pebble Beach. Expostos, os míticos AutoUnion Flecha de Prata, monopostos à época imbatíveis, com motores V 16, com supercompressor, 600 cv, traseiros, entre eixos, soluções que a Fórmula 1 adotou na década de '60. Junto, o AutoUnion '38 carenado para bater recordes, os Audi que participaram na última Le Mans, os Quattro para rallyes e DTM. No domingo, os Malzoni GT 10 e 11, versão competição, dirigidos com pompa e circunstância por Boris Feldman e Eduardo Pessoa de Mello -- o street de Paulo Lomba quedou-se exposto -- alinharam o pó-pó-pó dos motores 2-tempos, na bateria contra Ferrari GTO, Aston Martin DB5, Corvette '62, Alfas SS e Zagato; Morgans 4 e Plus 4; e afins. Ficaram com as melhores colocações na Classe 1.000 cm3. É um evento nacional, reunindo participantes equipados e torcida. De MGs TA, pré-guerra, a Jaguar C, Mustangs Shelby, Camaros Yenko, Cobras, GTs 40, Porsches Speedsters, antigos Fórmula 1... CONCORSO Noutro programa, o Concorso Italiano, uns 500 veículos feitos na Itália -- talvez 200 Ferraris, e Maseratis, Lamborghinis, Alfas, Fiats, Morettis... peças e automobilia. Ostensivo adesivo vermelho dizia "Tragam a Alfa de Volta" -- a Alfa saiu dos EUA há alguns anos. A campanha se destinava à Fiat of North America, patrocinadora do evento. Tem padrão próprio. Sem as aditivações da Blackhawk Collection ou do Concours d'Élegance de Pebble Beach, mas preciosista ao reverenciar a originalidade. Ferraris, Lambos, Maserattis, Alfas, usavam escapamento Borgo, original de fábrica, com adesivo perfeito -- e o interior no vermelho brilhante que os caracteriza -- sem marcas de funcionamento... SEM LEILÃO A Blackhawk Collection mostrou 50 veículos raros, Bugattis, Packards, Rolls, Bentleys, três Mercedes Gull Wing, e inacreditável reunião de 13 Duesenberg, os mais luxuosos americanos, disponíveis entre US$ 1,5 e US$ 2 milhões. Padrão Pebble Beach, ou seja, o superlativo do superlativo -- cromados e enfeites em excesso, pintura PU em 16 demãos! |
| Ao
lado, time brasileiro, Malzonis no estande da Audi. No
alto, Daimler Double Six, Special Saloon, 1932, Best of
Show (fotos R. Nasser) |
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| TIPO COMEÇO Leilões integram o programa. Começa com o do DoubleTree Hotel nas noites de quinta e sexta. Veículos variados, preços menores. Um Fórmula Jr DKW a razoáveis US$ 7.500. Um Ford Thunderbird, '56, tipo restauração brasileira, US$ 25 mil. E um Chaparral circa '65, vendido por US$ 2 milhões. De corridas, inaplicável às ruas, mostra como é segmentado o gosto norte-americano pelos antigos. Os leilões seguem com o Brooks, onde um Mercedes-Benz, protótipo de Gull Wing chegou a US$ 1,8 milhão -- e o dono não aceitou!!! -- e encerram-se no Christie's. A RAZÃO O Pebble Beach Concours d'Elegance criou padrão, individualização e fama mundiais. O convite valoriza os 140 automóveis. Ser um dos melhores, dobra seu valor. Ser o Best of Show, multiplica -- e note, são veículos de centenas de milhares ou alguns milhões de dólares. É o marketing do charme. Esta 49a. edição homenageou a Packard e seus 100 anos. Foram a unidade no. 1 e exemplares com carrocerias especiais, desconhecidas no Brasil, pinturas a refletir grama e flores... O Best of Show, inacreditável Daimler Double Six Special Saloon, motor V com 12 cilindros, cujos cromados e pintura eram superlativas, absolutamente dentro do evento: muito superiores à sua construção em 1932. SEM PARÂMETRO Um Alfa Romeo 8C 2900B Cabriolet Pininfarina, 1937, bateu todos os recordes de preço assinalados pela Casa Christie's nesta década: impensáveis US$ 3.700.000. Mas o Maserati Ghibli, '72, perfeito, ex-Frank Sinatra, mereceu meros US$ 38.000. Um Mercedes Gull Wing, perfeito para exposições brasileiras, mas para reforma nos padrões europeus e norte-americanos, saiu por US$ 140.000. Num Fiat 500, com teto em lona listrada, um insano pagou risíveis US$ 34.000; um Morris Mini Cooper obteve o mesmo preço de um Jaguar E Type V12: US$ 38.000. Um Ford Thunderbird '57, janela Opera, opção supercharger, e rodas raiadas, objeto do desejo, US$ 65.000. FILOSOFIA O Mais do Mais buscado em Pebble Beach, criou os Carros de Exposição, tão acima da originalidade máxima, que não rodam para não se desgastar. O próximo irá de 16 a 20 de agosto de 2000. É uma aula a quem gosta dos antigos. Se é seu caso, avie-se para conseguir vaga em hotel. Não é fácil. No fim de semana de 4 dias, participantes, famílias, organizadores, transportadores, corretores de seguro e transporte, vendedores de serviços, expositores, imprensa, visitantes de todo o mundo, lotam os hotéis. Sou crítico assumido da restauração superior à obra original, mera demonstração de tecnologia moderna movida a muito dinheiro -- o que não é o espírito da preservação dos veículos antigos. Mas entendo os eventos de Pebble Beach como válidos ensinamentos, a começar pelos concursos com jurados competentes e parâmetros para julgamento, incentivando o aperfeiçoamento e a qualidade. Pelo padrão, pela forma de apresentação, pelos leilões. É um programa bonito e instrutivo. Para aplaudir ou criticar, conheça. |
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