| por Rodrigo O. A. M.
Ferreira |
Profissional:
os dicionários definem o termo como "pessoa que faz
uma coisa por profissão (por oposição a amador)".
Quanto ao vocábulo profissão, a mesma fonte
informa tratar-se do "gênero de trabalho habitual
de uma pessoa".
Se nos ativermos a tal definição sucinta, certamente
haveremos de considerar profissionais os indivíduos cuja
tarefa é vender veículos. E, com certeza, alguns deles
são verdadeiros profissionais, dominando o assunto a que
se dedicam como deve ser. Porém, os qualificados assim são
minoria esmagável.
Ora, até aí não há novidade: realmente é raro
encontrar-se um bom engenheiro, ou um bom dentista, ou um
bom médico, a maioria deles situando-se na vala comum do
despreparo, da incompetência. Por isto os prédios caem,
existem carros como o "Fordwagen" Logus, canais
dentários são obturados até a metade, morre-se de
infecção hospitalar. De quem é o problema? Da
sociedade, cujo imposto pagou o estudo desse rebotalho,
quer tenham se formado em escolas públicas, quer em
estabelecimentos "particulares", quase nada
particulares quando o assunto é receber verbas
governamentais.
Contudo, o mercado de trabalho quase sempre é implacável
com os diplomados, a nível superior ou secundário,
quando percebe não saberem a que vieram. A par disto, as
organizações classistas idôneas, como CREA, CRO, CRM,
etc., sempre podem ser um parâmetro na escolha de um
profissional desta natureza. A despeito de, por vezes,
atuarem como baluarte de interesses escusos, no mínimo são
fonte de referência, coibindo abusos grosseiros. No
final das contas, é perfeitamente possível evitar-se um
dente extraído por engano, ser operado de gripe, e o
Logus não existe mais (graças a Deus).
E os carros? Existe alguma seletividade plausível entre
os vendedores de carros? Não, plausível não, quando o
ponto de vista é o do consumidor. A 'peneira' funciona
neste ramo ao sabor das conveniências dos "doutores"
(todo dono de concessionária é doutor), das "madames"
(esposas ou parentes femininas dos "doutores"),
e dos seus filhos, em geral parasitas consumados.
Aos "doutores" importa quantos carros são
vendidos por dia, por mês, por ano, e exclusivamente a
quantidade de significativos do número em questão vem
ao caso. Como obter valor expressivo, número elevado? Da
maneira mais barata possível, de preferência "custo
zero". Naturalmente, a viabilidade deste desígnio
é fator condicionante da classe de pessoas dispostas a
servi-lo: subserviência e desfaçatez passam a ser os
atributos mais desejados.
E o vendedor de autos é aquele velho pilantra, com um pé
no crime, "artista" dos truques mais baratos,
praticados com a anuência do patrão, porém sem jamais
receber uma ordem direta neste ou naquele sentido. Situação
"mafiosa", o leitor há de convir, e é mesmo.
Antes restringia-se aos lojistas, "meliantes disfarçados"
segundo Nasser; hoje os lojistas acham-se de longe
superados pelos "doutores", em tudo e por tudo,
embutido o aval das montadoras.
E as montadoras? Qual seria a posição delas? Elas
fingem que não sabem, elevam-se num pedestal de "dignidade",
inalcançável pelo mortal comum, e tudo se passa como se
nada de anormal existisse! A elas igualmente importa os números,
quem vendeu mais, qual foi o lucro, números, números e
mais números. O segmento de engenharia das montadoras
esforça-se para obter produtos de boa qualidade, imunes
à fraude tanto quanto possível.
Deveria ser seguido pela área comercial, impondo regras
aos concessionários quanto a observância mais elementar
de regras de postura e conduta sociais. Deveria refrear o
abuso, isto sim relevante serviço ao consumidor!
Rodrigo O. A. M.
Ferreira
São José dos Campos, SP
roamf@ig.com.br
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