Best Cars Web Site
Palavra do Leitor

Oito títulos mundiais, e é isso?

A coisa está feia para os pilotos brasileiros na F1,
mas existem soluções para reverter esse quadro

por Eduardo Di Lascio

Emerson e Pace. Emerson e Piquet. Piquet e Senna. Senna e Rubinho. Rubinho e S?

Pois é, meu amigo, a coisa parece feia mesmo para o lado dos pilotos brasileiros na Fórmula 1. Com Rubinho caminhando para um retrocesso na carreira, já que provavelmente não continua na Ferrari para 2002, e revelações (revelações?) de pouquíssima expressão como Bernoldi, Burti e Wilsom, a presença brasileira na F1 corre o risco de tomar o mesmo caminho de nosso país vizinho, a Argentina, que já teve Fangio e Reutmann, e hoje tem que se conformar com a sorte e torcer pelo lento Mazzacanne.

As razões para essa situação são muitas: passam pela crise financeira e de credibilidade que o Brasil enfrenta mundialmente, pela incompetência do marketing esportivo nacional, pelo desinteresse do público, e pela cobertura televisiva abaixo da crítica.

Fica difícil de acreditar que estamos falando do mesmo país que já teve categorias tão interessantes quanto a Divisão 4, Divisão 3, Super Vê, e pilotos locais de tanto talento como Luiz Pereira Bueno, Mauricio Chulam, Alfredo Guaraná Menezes, Marcos Troncon, Clóvis de Moraes e Artur Bragantini, só para ser bem injusto e deixar de citar um monte de grandes pilotos que colocaram o Brasil no mapa para o automobilismo mundial.

E hoje? Não fosse pelos mesmos velhos Ingo, Chico Serra e Paulo Gomes (sendo injusto de novo), o que seria do automobilismo nacional? Eu pergunto e já respondo. Um monte de filhinhos de papai com um caminhão de dinheiro cada um, dando pau nos pobres (literalmente) argentinos na F3 sul americana e se achando o máximo. Pode juntar dez moleques desses que não dá um Maurizio Sala. Um Roberto Moreno. Um Leonel Friedrich. Mas o que dá para fazer com o que gente tem na mão?

Bom, a primeira coisa é colocar as barbas de molho e torcer para que o Pizzonia e o Carrapatoso sejam tão bons quanto parecem. Eu vejo alguma chance aí.

A segunda é trabalhar para que o Brasil supere sua crise internacional e conquiste um mínimo de estabilidade financeira que permita a mais pessoas o acesso ao automobilismo. É botar a classe média no esporte. Porque não se engane: só com quantidade vai dar para espremer alguma qualidade dessa
história. Fácil, né?

A terceira coisa a se fazer é a promoção e divulgação de provas e pilotos. Trazer provas internacionais. Oferecer ingressos baratos. Estimular o kart. Colocar o automobilismo na novela, no jornal, na Hebe. Causar barulho na mídia, enfim.

E por fim, a tarefa mais fácil e prazerosa de todas. Ensinar o seu filho, o seu priminho, o sobrinho da vizinha a gostar de carro, a ver beleza numa ultrapassagem arriscada, enxergar vida numa roda de 17 polegadas, e poesia num spoiler de fibra de carbono. Aí talvez, só talvez, a gente consiga um dia dizer novamente: "Fulaninho de Tal, brasileiro, campeão mundial de F1."

Eduardo Di Lascio
São Paulo, SP
dilascio@greybr.com.br

Página principal - E-mail

Os artigos assinados refletem as opiniões de seus autores e não necessariamente
as do Best Cars Web Site, podendo mesmo ser contrárias às do site