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Emerson e Pace. Emerson
e Piquet. Piquet e Senna. Senna e Rubinho. Rubinho e S?
Pois é, meu amigo, a coisa parece feia mesmo para o lado dos pilotos
brasileiros na Fórmula 1. Com Rubinho caminhando para um retrocesso na
carreira, já que provavelmente não continua na Ferrari para 2002, e
revelações (revelações?) de pouquíssima expressão como Bernoldi,
Burti e Wilsom, a presença brasileira na F1 corre o risco de tomar o
mesmo caminho de nosso país vizinho, a Argentina, que já teve Fangio e
Reutmann, e hoje tem que se conformar com a sorte e torcer pelo lento
Mazzacanne.
As razões para essa situação são muitas: passam pela crise
financeira e de credibilidade que o Brasil enfrenta mundialmente, pela
incompetência do marketing esportivo nacional, pelo desinteresse do público,
e pela cobertura televisiva abaixo da crítica.
Fica difícil de acreditar que estamos falando do mesmo país que já
teve categorias tão interessantes quanto a Divisão 4, Divisão 3,
Super Vê, e pilotos locais de tanto talento como Luiz Pereira Bueno,
Mauricio Chulam, Alfredo Guaraná Menezes, Marcos Troncon, Clóvis de
Moraes e Artur Bragantini, só para ser bem injusto e deixar de citar um
monte de grandes pilotos que colocaram o Brasil no mapa para o
automobilismo mundial.
E hoje? Não fosse pelos mesmos velhos Ingo, Chico Serra e Paulo Gomes
(sendo injusto de novo), o que seria do automobilismo nacional? Eu
pergunto e já respondo. Um monte de filhinhos de papai com um caminhão
de dinheiro cada um, dando pau nos pobres (literalmente)
argentinos na F3 sul americana e se achando o máximo. Pode juntar dez
moleques desses que não dá um Maurizio Sala. Um Roberto Moreno. Um
Leonel Friedrich. Mas o que dá para fazer com o que gente tem na mão?
Bom, a primeira coisa é colocar as barbas de molho e torcer para que o
Pizzonia e o Carrapatoso sejam tão bons quanto parecem. Eu vejo alguma
chance aí.
A segunda é trabalhar para que o Brasil supere sua crise internacional
e conquiste um mínimo de estabilidade financeira que permita a mais
pessoas o acesso ao automobilismo. É botar a classe média no esporte.
Porque não se engane: só com quantidade vai dar para espremer alguma
qualidade dessa
história. Fácil, né?
A terceira coisa a se fazer é a promoção e divulgação de provas e
pilotos. Trazer provas internacionais. Oferecer ingressos baratos.
Estimular o kart. Colocar o automobilismo na novela, no jornal, na Hebe.
Causar barulho na mídia, enfim.
E por fim, a tarefa mais fácil e prazerosa de todas. Ensinar o seu
filho, o seu priminho, o sobrinho da vizinha a gostar de carro, a ver
beleza numa ultrapassagem arriscada, enxergar vida numa roda de 17
polegadas, e poesia num spoiler de fibra de carbono. Aí talvez, só
talvez, a gente consiga um dia dizer novamente: "Fulaninho de Tal,
brasileiro, campeão mundial de F1."
Eduardo Di Lascio
São Paulo, SP
dilascio@greybr.com.br
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