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Palavra do Leitor

Rubinho vs. Guga

Ambos jovens e brasileiros, o piloto e o tenista
são diferentes em alguns aspectos fundamentais

por Eduardo Di Lascio

Os dois são jovens, os dois são brasileiros, os dois são milionários, os dois são esportistas de primeiro time no primeiro mundo. E as semelhanças param por aí. Enquanto o cabeludo Guga se firma como um dos melhores tenistas do mundo na atualidade e o melhor tenista brasileiro de todos os tempos, o quase careca Rubinho se esforça para escapar das piadinhas maldosas que vêm de todos os lados.

Para sorte do Guga, ele não joga pelas raquetes Ferrari e por isso mesmo não tem o Schumacher como companheiro de duplas. Já imaginou? Na hora do Guga dar um smash mortífero, chega uma ordem do Ross Brown para ele sair pro lado que o Schummi é quem vai marcar o ponto. Dureza. De qualquer jeito, se houvesse um Schumacher do tênis, o Guga seria adversário mais do que à altura. Infelizmente, o mesmo não se pode dizer com relação ao Rubinho.

Não é vergonha nenhuma ser mais lento do que o alemão, mesmo porque todos os outros pilotos do mundo também são. Tirando a tendência mórbida que nós brasileiros temos de valorizar o fracasso e esquecer as coisas boas, o Rubinho até que é um piloto muito bom. Não se engane, qualquer pessoa com coragem bastante para sentar naqueles carros e acelerar merece a nossa mais sincera e humilde admiração. Aí, ponto para o Rubinho, já que o maior risco que o Guga corre na quadra é torcer o pé, no máximo quebrar um braço, quem sabe uma bolinha naquele lugar. Na pista, a coisa é séria.

Mas então, porque o nosso piloto mais famoso, é cada dia mais falado e menos admirado?

Culpar o Casseta & Planeta não resolve. Culpar a imprensa esportiva especializada também não, mesmo porque eles têm um número muito pequeno de leitores. Na verdade, não adianta procurar culpas, e sim causas.

Rubinho chegou mal acostumado à F1. Ele teve vida fácil nas categorias de base, com exceção da F3000, que já naquela época não contava lá muita coisa. Chegou à F1 cheio de padrinhos e de moral. E foi muito bem até. Os problemas começaram quando Eddie Irvine se transferiu para a Jordan. É visível o quanto isso perturbou o até então muito jovem Rubinho. Irvine era o piloto irlandês na única equipe irlandesa da F1. Rápido, agressivo e cheio de malícia, levou a melhor sobre o Rubinho muitas vezes. Mais do que isso, mostrou ao brasileiro que talvez ele não fosse tão bom como pensava. Além disso, havia a tradição e o peso dos oito títulos mundiais do Brasil sobre os seus ombros.

Logo após a morte de Senna, de uma hora para a outra, o Brasil adotou Rubinho como o futuro campeão. O herói que iria carregar a nossa bandeira para o lugar mais alto do pódio com a frequência costumeira. O Guga, pelo contrário, nunca teve expectativas além das sua próprias. Ele sempre foi uma agradável surpresa. Ganhou do Chang. Nossa!!!! Ganhou do Agassi. Não acredito!!!

Para o Barrichello, e especialmente para a torcida, vencer um dos mais difíceis e emocionantes GPs da história, largando em 18º. e segurando a liderança com pneus para seco no meio de uma verdadeira inundação não foi bastante. Brasileiro em geral é chato com isso e está muito mal acostumado. Muito bem, ganhou uma, e cadê a próxima? Cadê? Tá demorando. Se fosse no tempo do Senna...

Mas não pense você que estou só defendendo o cara. De jeito nenhum. Ao contrário do otimismo e confiança que o Guga transmite, existe sempre uma tentativa forçada de passar um otimismo que está nas palavras, mas não na expressão, de Barrichello. Ele é hoje um cara tenso, que promete quando não deve, reclama demais e sempre tem uma explicação pronta para seus erros. Resumindo, um chato.

Agindo desse jeito, ele se queima com a torcida e principalmente, destrói a sua imagem com quem decide no circo da F1: os patrocinadores. Claro, como anunciante, você quer que o astro do seu comercial seja admirado, seja cool e não motivo de piada. E é aí que o Guga ganha de lavada. Ele, com seu jeitão de surfista, não promete nada, mas vai lá e ganha. Por falar nisso, Rubinho, você joga tênis?

Eduardo Di Lascio
São Paulo, SP
dilascio@greybr.com.br

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