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Os dois são jovens, os
dois são brasileiros, os dois são milionários, os dois são
esportistas de primeiro time no primeiro mundo. E as semelhanças param
por aí. Enquanto o cabeludo Guga se firma como um dos melhores tenistas
do mundo na atualidade e o melhor tenista brasileiro de todos os tempos,
o quase careca Rubinho se esforça para escapar das piadinhas maldosas
que vêm de todos os lados.
Para sorte do Guga, ele não joga pelas raquetes Ferrari e por isso
mesmo não tem o Schumacher como companheiro de duplas. Já imaginou? Na
hora do Guga dar um smash mortífero, chega uma ordem do Ross
Brown para ele sair pro lado que o Schummi é quem vai marcar o
ponto. Dureza. De qualquer jeito, se houvesse um Schumacher do tênis, o
Guga seria adversário mais do que à altura. Infelizmente, o mesmo não
se pode dizer com relação ao Rubinho.
Não é vergonha nenhuma ser mais lento do que o alemão, mesmo porque
todos os outros pilotos do mundo também são. Tirando a tendência mórbida
que nós brasileiros temos de valorizar o fracasso e esquecer as coisas
boas, o Rubinho até que é um piloto muito bom. Não se engane,
qualquer pessoa com coragem bastante para sentar naqueles carros e
acelerar merece a nossa mais sincera e humilde admiração. Aí, ponto
para o Rubinho, já que o maior risco que o Guga corre na quadra é
torcer o pé, no máximo quebrar um braço, quem sabe uma bolinha
naquele lugar. Na pista, a coisa é séria.
Mas então, porque o nosso piloto mais famoso, é cada dia mais falado e
menos admirado?
Culpar o Casseta & Planeta não resolve. Culpar a imprensa esportiva
especializada também não, mesmo porque eles têm um número muito
pequeno de leitores. Na verdade, não adianta procurar culpas, e sim
causas.
Rubinho chegou mal acostumado à F1. Ele teve vida fácil nas categorias
de base, com exceção da F3000, que já naquela época não contava lá
muita coisa. Chegou à F1 cheio de padrinhos e de moral. E foi muito bem
até. Os problemas começaram quando Eddie Irvine se transferiu para a
Jordan. É visível o quanto isso perturbou o até então muito jovem
Rubinho. Irvine era o piloto irlandês na única equipe irlandesa da F1.
Rápido, agressivo e cheio de malícia, levou a melhor sobre o Rubinho
muitas vezes. Mais do que isso, mostrou ao brasileiro que talvez ele não
fosse tão bom como pensava. Além disso, havia a tradição e o peso
dos oito títulos mundiais do Brasil sobre os seus ombros.
Logo após a morte de Senna, de uma hora para a outra, o Brasil adotou
Rubinho como o futuro campeão. O herói que iria carregar a nossa
bandeira para o lugar mais alto do pódio com a frequência costumeira.
O Guga, pelo contrário, nunca teve expectativas além das sua próprias.
Ele sempre foi uma agradável surpresa. Ganhou do Chang. Nossa!!!!
Ganhou do Agassi. Não acredito!!!
Para o Barrichello, e especialmente para a torcida, vencer um dos mais
difíceis e emocionantes GPs da história, largando em 18º. e segurando
a liderança com pneus para seco no meio de uma verdadeira inundação não
foi bastante. Brasileiro em geral é chato com isso e está muito mal
acostumado. Muito bem, ganhou uma, e cadê a próxima? Cadê? Tá
demorando. Se fosse no tempo do Senna...
Mas não pense você que estou só defendendo o cara. De jeito nenhum.
Ao contrário do otimismo e confiança que o Guga transmite, existe
sempre uma tentativa forçada de passar um otimismo que está nas
palavras, mas não na expressão, de Barrichello. Ele é hoje um cara
tenso, que promete quando não deve, reclama demais e sempre tem uma
explicação pronta para seus erros. Resumindo, um chato.
Agindo desse jeito, ele se queima com a torcida e principalmente, destrói
a sua imagem com quem decide no circo da F1: os patrocinadores. Claro,
como anunciante, você quer que o astro do seu comercial seja admirado,
seja cool e não motivo de piada. E é aí que o Guga ganha de
lavada. Ele, com seu jeitão de surfista, não promete nada, mas vai lá
e ganha. Por falar nisso, Rubinho, você joga tênis?
Eduardo Di Lascio
São Paulo, SP
dilascio@greybr.com.br
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