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Após quase 12 anos de
carros com motor 1.000 (o pioneiro foi o "pé-de-boi" Uno
Mille) nos defrontamos com uma situação inusitada: esses
"carrinhos" tomam conta de nossas estradas, piorando o tráfego
e em muitos casos provocando acidentes.
Para explicar melhor essa atual situação vamos partir do ano de 1993,
quando os carros ditos "populares" explodiram no mercado. Tínhamos
o dinossauro Fusca com motor 1.600, pela bagatela de US$ 7.200, e o
arcaico Lada Laika, por somente US$ 6.800. Realmente o preço era baixo,
mas devemos levar em consideração que ambos não ofereciam nada por
esses preços e, ainda por cima, o dólar estava na proporção 1:1 com
nossa moeda.
Hoje nos deparamos com uma situação nova: os carros populares obrigatoriamente
possuem motor 1.000 e realmente são muito melhores em relação aos do
início da década de 90. Mas é praticamente impossível comprar um
popular "pé-de-boi" por menos de R$ 15.000, com exceção do
Mille, da Fiat. Grande parte dessa culpa é do próprio governo, que
diante de uma grande jogada de marketing, nos empurrou os motores
1.000.
Claro que atualmente esses motores são muito melhores e mais econômicos
do que antes, mas será que valeu a pena investir tanto em seu
desenvolvimento? Do ponto de vista financeiro das montadoras e do
governo, a resposta é SIM. As montadoras repassam todo o custo de
projeto e desenvolvimento para o consumidor, que sem opção compra os
"populares", fazendo com que o governo arrecade mais impostos.
Então vamos voltar a 1990, e tentemos esquecer os populares 1.000.
Digamos que o governo tivesse incentivado os populares com motor 1.600,
veículos com projetos já pagos e que realmente trariam preço baixo ao
consumidor. A história hoje seria outra: teríamos carros muito mais ágeis
e econômicos, que não ficariam "empacados" em serras como a
da rodovia Oswaldo Cruz; sem contar que a indústria não teria
investido milhões no desenvolvimento de um novo motor.
Talvez tivéssemos carros 1.600 muito mais econômicos do que os atuais
1.000, que realmente são econômicos, mas parados... Quer andar? Tem de
pisar... e acaba gastando mais. Continuando nessa linha de raciocínio,
talvez os populares realmente fossem populares, com preços bem mais
atraentes do que são atualmente.
Bruno César Carvalho
Caçapava, SP
bccarvalho@cvlglass.com.br
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