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O brasileiro, por definição,
é tido como apaixonado por automóveis. Entretanto, um carro, por mais
paixão que suscite, é uma máquina. Como tal, deve ter seu
funcionamento cuidadosamente entendido, sob pena de tornar-se um estorvo
para seu dono. Partindo-se desse princípio, por que o brasileiro tem o
péssimo hábito de não ler o manual do proprietário?
Trabalho numa concessionária e diariamente deparo-me com certas situações
que poderiam ser evitadas com uma simples consulta ao manual. Não é
difícil como se pode supor. Está tudo lá, em bom português. Todo o
esquema de funcionamento do veículo, recomendações técnicas do
fabricante -- desde óleo até calibragem dos pneus -- e termos de
garantia fazem parte do conteúdo que todo motorista deveria ler.
Infelizmente, tal livreto só serve para ser brandido no ar, tal e qual
uma espada, quando o dono do veículo sente-se "contrariado"
quando algum reparo lhe é negado na concessionária... Certa vez, tive
que ler, junto com o dono do carro, a parte do manual que discorria
sobre as condições de garantia. Vencido, restou-lhe convencer-se de
que falhara ao não preocupar-se em ler o mesmo.
Ainda está fresca na minha mente a cena de minha mãe, em 1986, lendo o
manual de sua Caravan ao lado de meu pai, que costumava dizer: "O
manual é a Bíblia do carro!" Heresias à parte -- mas seria bom
que todos comungassem esse Evangelho. Já sei, você prefere Paulo
Coelho. Agora, fala sério: alguma página de "Brida" fala
sobre calibragem correta dos pneus?
Leonardo Brito
Santos, SP
opala250s@ig.com.br
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