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Palavra do Leitor

Um país se faz com homens
e livros... e manuais

Todos lêem Paulo Coelho, mas por que ninguém
lê o manual do proprietário?

por Leonardo Brito

O brasileiro, por definição, é tido como apaixonado por automóveis. Entretanto, um carro, por mais paixão que suscite, é uma máquina. Como tal, deve ter seu funcionamento cuidadosamente entendido, sob pena de tornar-se um estorvo para seu dono. Partindo-se desse princípio, por que o brasileiro tem o péssimo hábito de não ler o manual do proprietário?

Trabalho numa concessionária e diariamente deparo-me com certas situações que poderiam ser evitadas com uma simples consulta ao manual. Não é difícil como se pode supor. Está tudo lá, em bom português. Todo o esquema de funcionamento do veículo, recomendações técnicas do fabricante -- desde óleo até calibragem dos pneus -- e termos de garantia fazem parte do conteúdo que todo motorista deveria ler.

Infelizmente, tal livreto só serve para ser brandido no ar, tal e qual uma espada, quando o dono do veículo sente-se "contrariado" quando algum reparo lhe é negado na concessionária... Certa vez, tive que ler, junto com o dono do carro, a parte do manual que discorria sobre as condições de garantia. Vencido, restou-lhe convencer-se de que falhara ao não preocupar-se em ler o mesmo.

Ainda está fresca na minha mente a cena de minha mãe, em 1986, lendo o manual de sua Caravan ao lado de meu pai, que costumava dizer: "O manual é a Bíblia do carro!" Heresias à parte -- mas seria bom que todos comungassem esse Evangelho. Já sei, você prefere Paulo Coelho. Agora, fala sério: alguma página de "Brida" fala sobre calibragem correta dos pneus?

Leonardo Brito
Santos, SP
opala250s@ig.com.br

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