| por Bruno de Souza Corrêa |
Muito se fala (ou se
reclama) sobre o declínio na oferta de opções de carros médios e
grandes. São utilizados argumentos diversos, como a potência, o
conforto, a tecnologia e, vá lá, a qualidade, para defender a existência
do chamado "segmento superior". Concordo que automóveis
potentes e grandes possuem seus encantos, mas não se pode culpar os
carros "mil" pelo processo de extinção a que estão
submetidas as nossas banheiras.
O consumidor fez a sua escolha. Além dos preços mais atraentes, os
compactos são mais adequados aos atuais e cada vez menores espaços
urbanos destinados a automóveis. Outro ponto a ser observado diz
respeito ao que se pode chamar de relação quilômetro rodado/energia
($) gasta. Ouso dizer que diante desta condição, a indústria
automobilística tem se esforçado para oferecer uma boa dose de
tecnologia e evolução aos nosso carrinhos. Esse processo é quase um
fenômeno antropológico, uma vez que os "populares" já têm
seu lugar assegurado na cultura do povo brasileiro. É algum demérito
sermos conhecidos pela tecnologia de nossos carros 1.0?
Ademais, temos que parar de associar carros mil com lentidão. Os
grandes atravancadores de tráfego são, na maioria das vezes, carros
grandes e velhos que continuam rodando graças a uma infinidade de
gambiarras e jeitinhos dados pelos seus donos, que quase sempre
pertencem à maior classe econômica da sociedade. Aquela dos que não
podem nem mesmo sonhar com um popular novo e se contentam em comprar os
carrões já no final de suas vidas úteis, por preços inversamente
proporcionais ao estado de deterioração em que se encontram.
Passem a observar os verdadeiros causadores da lentidão em suas próximas
viagens e aparecerão "coisas" como Corcéis engasgados, Opalões
fora do eixo, Santanas fumegantes, Monzas com o escapamento amarrado com
arame e outros, sendo ultrapassados por carrinhos modernos e ágeis
impulsionados por econômicos e bem-dispostos motores "mil",
frutos de 12 anos de avanços tecnológicos e símbolos da racionalização
e adequação ambiental exigidas no mundo de hoje.
Sem contar que nunca antes houve um processo tão notório de renovação
e modernização da nossa frota automobilística, o que se traduz na
redução do número acidentes e mortes no trânsito, acesso de um maior
números de pessoas a carros modernos e seguros, economia de combustíveis,
redução de emissões, etc.
Vida longa aos carros mil! Aos adoradores de banheiras, uma pergunta:
algum de vocês já acelerou um motor Ford Zetec Rocam, Fiat Fire ou
Volks 1.0 Turbo? Experimentem. Tenho certeza de que certos conceitos
conservadores cairão por terra. É realmente surpreendente notar o que
um motorzinho desses é capaz de fazer...
Bruno de Souza Corrêa
Rio de Janeiro, RJ
brcorrea@hotmail.com
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