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Quem foi adolescente
como eu no fim da década de 80 e começo da de 90, certamente guarda
boas lembranças dos esportivos daquele tempo. Fossem puro-sangues do
calibre do Gol GTS, Passat Pointer e Monza S/R, ou pangarés do naipe do
Escort XR3 1.6 CHT, faziam a diferença nas ruas do Brasil inteiro.
Lembro quando ganhei de meu pai um Escort XR3 1.8, delírio completo
para um "aborrecente" com aspirações a Speed Racer.
Infelizmente, o tempo passou e os esportivos passaram à história,
aniquilados por contingências diversas (leia-se consumo alto e seguro
caro). Hoje em dia, os modelos disponíveis no mercado são
tachados como make-up cars, ou seja, simples jogadas de marketing.
Entretanto, se analisados pelo aspecto principal de um esportivo -- a
potência --, veremos que o mercado está mais do que bem servido.
Os modelos disponíveis apresentam cifras acima dos 100 cv -- o Peugeot
206 Rallye carrega 110 cv em seu motor 1.6 16V --, ou seja, números
respeitáveis, no mesmo patamar dos clássicos do passado. A eloquência
do pedal do acelerador compensa a discrição externa (exceção feita
ao Astra Sport). Temos até um esportivo "popular", o Gol
Turbo, puxado por um motor 1.0 de 112 cv, resultado dos avanços tecnológicos
que permitem deslocamentos volumétricos menores com cada vez mais potência.
Estariam, então, os esportivos nacionais voltando à cena? Acredito ser
mais válido pensar que os modelos atualmente disponíveis são um balão
de ensaio das montadoras para sondar o mercado. Em se tratando de
carros, as tendências são cíclicas, então é esperar para ver se
nossos puro-sangues voltam à cena.
Leonardo Brito
Santos, SP
opala250s@ig.com.br
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