| por Eduardo Teixeira Küll |
Estive visitando o site da Saab e finalmente foram liberadas mais informações sobre o novo sedã 9-3. Simplesmente maravilhoso! Gostaria muito de ver este carro à venda em nosso país, quem sabe, como a Fiat faz com a Alfa Romeo: em um patamar superior ao (novo) Vectra. Já que sonhar não paga imposto, por que não produzir aqui o novo Vectra, com motores 2.2 16V Ecotec e uma versão top com o 2.0 turbo feito aqui e exportado para a Europa? Aliás, na mesma linha de montagem poderíamos ter o novo Fiat Croma, quem sabe equipado com o 2.4 20V (os dois modelos com grande conteúdo nacional) e até mesmo o Saab 9-3 produzido em CKD (para baratear) e com o mesmo 2.0 turbo, em uma versão "executiva" (Arc) e uma "esportivada" (Vector).
Tanto no caso da Saab quanto a respeito da Cadillac, caso a GM não tenha interesse ela própria de importar os veículos ao nosso país, que procurasse um bom importador que fizesse o processo de implantação das mesmas no Brasil (vide o exemplo do senhor Sérgio Habib e o trabalho brilhante por ele feito com a Citroën e a Jaguar). Acredito que as duas marcas sejam complementares (Saab = carros menores e esportivos; Cadillac = carros maiores e superluxuosos) e deveriam estar em nosso mercado.
No caso da GM, só tenho a lamentar: além de não atualizar a linha de motores da Chevrolet (mesmo mal da Ford), não se manifesta sobre a fabricação ou importação do Vectra C para o Brasil (a Ford já traz o Mondeo), ou da Trailblazer (a Ford também deve explicações quanto à Explorer). E perde feio com relação às suas coligadas, pois a Saab teve uma tentativa de se estabelecer em nosso mercado, exatamente quando a marca estava em baixa, com produtos de pouco impacto (a Volvo teve os mesmos problemas, mas renovou sua linha e persistiu no mercado brasileiro) e nunca cogitou de colocar os Cadillac aqui, especialmente agora que uma ampla renovação se iniciou na marca. Para uma marca, a Cadillac, que já teve carros custando mais caro que um Rolls-Royce (anos 50), parece um contra-senso não explorar a aura (restante) de luxo que a marca tem; afinal, até mesmo a Toyota e a Honda criaram marcas "de luxo".
Parece que qualquer plano de vinda destas marcas está muito mais ligado ao que a subsidiária brasileira vai poder investir nelas, o que deve ser pouco, uma vez que a Chevrolet já tem um mercado de massas bem competitivo para se preocupar. Portanto, seria mais lógico criar uma subsidiária para as marcas Saab e/ou Cadillac, COM ORÇAMENTO SEPARADO DO CHEVROLET, ou entregar a representação a um importador que, como empresário, teria todos os motivos para trabalhar muito, e bem, para que a empreitada desse certo.
Vejam bem, hoje a Chevrolet não tem uma única marca de prestígio em nível mundial, ao contrário da Ford, que conta com a Volvo, a Jaguar e a Land Rover, sem contar com a Aston Martin (superesportivos) ou a mais comum Mazda ou as "americanas" Lincoln e Mercury. Tirando a Opel e a Holden, o que é que a GM tem de "importante" no mundo? Nada. Poderia e deveria investir na Saab para que a mesma enfrentasse de igual para igual a Volvo, com o diferencial de serem carros "suecos", mais ou menos um sinônimo de extremamente seguros, mas com altas doses de esportividade, o que ela já tem mas que é ressaltado agora pelo belíssimo perfil do novo 9-3.
Da mesma forma, deveria investir pesado na Cadillac para peitar a Jaguar; o CTS é um belo carro e parece que o próximo Seville vai seguir o
family feeling, incorporando um desenho de impacto. Seria hora até mesmo de colocá-los frente a frente com os alemães também. Deveria também pensar seriamente em colocar a Hummer frente a frente com a Land Rover. Isto tudo no mercado internacional e visando os carros de maior valor.
Foi publicado um artigo na revista Car and Driver de março onde a pergunta era SE Bob Lutz conseguiria salvar a GM, mostrando, entre outras coisas, como foi prejudicial à indústria automobilística, e à gigante americana em especial, a política adotada a partir dos anos 60 de que todas as marcas deveriam ter carros em todos os segmentos. Isso nos EUA não significou um grande incremento das vendas por marca, além de aumentar brutalmente os custos de desenvolvimento de um modelo. Passaram a ser necessárias várias "caracterizações" para deixá-lo com a "cara" da marca, algo que definitivamente não tem funcionado e que finalmente as empresas parecem ter entendido. Senão vejamos se encontramos alguma peça APARENTE entre um Mondeo e X-Type, ou entre um Lincoln LS e S-Type, só como exemplo, mas que vale também para o Opel Vectra e o Saab 9-3.
Eduardo Teixeira Küll
Ribeirão Preto, SP - kull@ribermail.com.br
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